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date = 2018-03-21
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de repente a neve num fôlego, depressa cobrindo os telhados em V. as pontas e as retas num branco aguado, as pretas linhas sólidas da casa a morrer. me agacho e olho as curvas fazendo, descendo sem olhos no ar onde sopro, engulo em vão sem nada a sentir, somente este enjoo de vinte e dois anos, e um luto crescendo do mundo daqui.
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os corvos também assustados gorjeiam, tais como patos aflitos de frio, voando no meio da guerra de flocos, bombas sutis no concreto molhado, nos cantos dos muros o vento se prende, vai num só mergulho ao chão como um jato, alvos confetes - besouros de pano, cruas e fortes ondas do sul.
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na calha de ferro defronte aos meus pés, a água calada escorre à paisana, tão parca e silente, de uma discrição solitária, indo embora na terra pra deitar-se no rio.
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e as flores do lado de fora esperam, imóveis de cores no surdo do gelo, deixando-se vestir por completo ao avesso, ainda que numa angústia dos graus, segurando em si a primavera infantil, como se dissessem adeus num suspiro, olhando-lhe os fios, suas espirais tortuosas, seu sadismo inato e com a morte seus laços, o seu saber que assim, cheia dela seria, do último dia a paisagem de sal.
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a terra coberta de uma noite sem lua, sem poetas ou budas, sem ouro ou marfim... somente o zunido, o inaudível barulho perdido, o fundo do fundo do escuro, como um gigantesco navio pouco a pouco se enchendo, de águas polares sem luzes, sem sombras, num gole sumindo nos beiços do mar, sem fogo, sem formas, sem nada, nem um único canto distante e medonho, de uma imensa baleia ancestral, a nadar por mil anos sozinha, procurando na invernia das águas de linho, companhias ou filhas, navios esquadrilhas, morosa arrastando-se sem mais nostalgias, ouvindo o eco repetido mil vezes, no seu infinito e vazio radar.
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date = 2018-03-22
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_Já viveste desgraças e pestes, e sabe por isso ver nas palavras crédulas dos Homens as adolescências que em ti já morreram. Mesmo assim, não te enganes com a doçura de crer, num engano, que terias deixado de ser inocente, e que poderias agora olhá-los com dó, e dizê-los que não sabem como é este mundo. Guarda em ti uma certeza somente: a de que mesmo o mais tolo dos seres tem em si raízes e pétalas, memórias e cores, que te são tão estranhas como a mais estrangeira das naus, dentro da qual há coisas que nem tua imensa alma de poeta pode imaginar. Se não a guardares, te afundará numa seca verdade, privada e familiar, que jamais poderá oferecer aos teus encontros e amores, e que te servirá talvez como espada ou escudo, mas nunca como os olhos cheios de água que ainda carregas com uma coragem cálida e desconhecida. Leve somente uma candura infantil e primitiva, que te tem pertencido desde antes de todos os deuses e profetas. Não a cubra de palavras ou sensos morais: banhe-se nela e entregue-a ao mundo. Tendo A conhecido, logo A reconhecerá do tempo das eras, e Ela lhe será natural, no meio de todos, ou no meio do nada._
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content/poesia/2018-03-25.md
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date = 2018-03-25
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mas eu
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não venço pela força nem pelo cansaço
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venço
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pelo carinho
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pela delícia
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furo devagar a parede
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tijolos de areia seca
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se soltando
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como um sorriso na água do rio
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content/poesia/2019-04-09.md
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content/poesia/2019-04-09.md
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date = 2019-04-09
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catástrofes e mortes virão
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coisas terríveis virão
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dores enormes
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vejo que virão
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do tempo,
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a sorte pouca, virá
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a rédea solta virá
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a queda fera
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será
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mas eu olho
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teu rosto um portal
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você como alguém que sonha
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que me ajuda a matar os céticos
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faz
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matar a vontade de solidão
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a vontade da ordem
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causar caos
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fazer nascer
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pela destruição
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faz destruir
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pega-me por aqui
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não acho triste ter que transformar
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largar de novo
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mudar tudo como tudo muda mesmo
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tudo que eu tivesse querido, sonhado
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dizer adeus
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não acho triste
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nascer de novo, e de novo
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seria nada mais que destino
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toma-me o corpo e degluta-me então
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os sais
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mudam de sabores
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quem deterá
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a pedra
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virando areia, perdendo as retas
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quem a deterá?
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os temperos...
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mudam de sabores
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quem os deterá?
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poemas épicos pra quê?
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content/poesia/2020-01-13.md
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content/poesia/2020-01-13.md
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date = 2020-01-13
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pra que sentir
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ser demais
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se sempre é
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o bastante
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austeridade seletiva
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visão ampla é sempre abrasiva
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origem é uma só
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ninguém precisa dizer nada
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se nasceu no meio da ferida
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o resto comunica
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tentativa
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sempre essa cara de poucas amigas
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olho
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para a cabeça deste deus de guerra
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e minha boca cospe véus em chamas
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ele se enfurece
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mas é enorme o olho que o observa
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subo
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assim mesmo
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da defensiva ao deboche cuspo
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quer me ver amável e pronta
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para ser abatida
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não de dar a palavra e o afeto direto
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dar pra suportar
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o insuportável
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tão desnecessário romântico engano
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de sentir-se viva
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por necessidade
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sonho
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que já acordei
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piso
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sobre a cabeça deste deus de guerra
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e minha boca cospe véus em chamas
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porque ele pede o amor em sacrifícios
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pede o amor sacrificado
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pede que o amor seja sacrifício
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então toma
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toma para ti então
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e guarda consigo
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deusa força libertadora
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deusa desveladora
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Deusa das Águas, Deusa das Folhas
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divindades caladas
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camisa de força
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eu vejo
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em tudo o incômodo
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preciso
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viver sendo chamada ao mesmo tempo
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violenta e sensível
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que cismo
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olha-me o olho que exige sempre um pedido
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perdão
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perdão!
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não era como
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deveria ter sido...
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e pior sensação ainda sinto
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quando disto participo
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e vou cobrar meus débitos
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dos crimes contra mim cometidos
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saldo na conta do inimigo
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The Great Guilt Cassino
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assim no fim transfiro
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para o padre e o pastor
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a força que teria tido
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porque é demais ser a si
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é por demais excessivo
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e para manter tudo no mesmo ritmo
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é preciso ter olhos em todos os umbigos
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para que não se libertem
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e criem laços
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por demais conectivos
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entre os dois lados perdidos
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deste prisma
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muito mais que quântico muito
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muito mais que místico
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pura natureza simples
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content/poesia/estrela-da-manha.md
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content/poesia/estrela-da-manha.md
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title = "Estrela da Manhã"
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date = 2020-03-23
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Estado monoteísta
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meu peito arde
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ansiedade
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queimando pergunta
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onde está
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Khembalung
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onde está
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Shambhala
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||||
as ideias eregem
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||||
Hōrai
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desde ali
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||||
ansiedade monoteísta
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ascese catarista
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conceito passageiro
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sou
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aluna curiosa sou
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||||
olhar atento
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sobrancelha por fazer
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||||
papel de parede,
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||||
desafio constante
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||||
se eu invoco e chamo
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||||
me desfaço
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||||
eu viro
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||||
me transformo em letras e aí
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||||
estou voando
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||||
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||||
ritos de lua nova
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||||
adaptação eterna
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||||
recusa
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||||
falsa modéstia
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||||
amizade tóxica
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||||
cara fechada
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||||
expressão mórbida
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||||
alguém que cobra
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empunha o porrete
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||||
contra o olho atento
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||||
está com sede
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||||
dizendo:
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não cresço
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quero
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saber seu preço
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||||
que fácil
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||||
a cada provocação
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deixo cair
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mais um pedaço
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e se você diz
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||||
que é exagero
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||||
se sugere pra mim
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||||
um pouco menos
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rio um rio
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||||
o truque é não se demorar
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||||
rápida cura do chão direto ao sorriso
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||||
deixe-se pra trás
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||||
no cerne do caminho
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||||
cuspo num papel de poesia
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||||
está anotado, pronto
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||||
é isso
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||||
cresça se mexa
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||||
assim falaram
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||||
até ficar reta
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||||
depois dobrar e entortar
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||||
setenta vezes setenta
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||||
dinheiro é necessário
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||||
e é só um baralho
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||||
aprenda por onde
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||||
quem é que preenche
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||||
os vãos por entre
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onde não chega a mão
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||||
da polícia
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onde não vê
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||||
o olho que está lendo a bíblia
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||||
fala
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||||
com a língua cansada são
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||||
meus olhos que carregam
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||||
a raiva calada são
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||||
essas mãos que resolvem
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||||
colocam não ordem
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||||
nem pureza
|
||||
é
|
||||
reforma constante
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||||
revolução im
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||||
per
|
||||
manente
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||||
estrela cadente
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||||
Toda Poesia
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||||
sem medo
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de errar de cantar
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desafinar
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||||
tão tão
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||||
desafinada
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||||
fora da batida
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||||
não pode
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ser escondida
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disformes elipses
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rodando sem pressa
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||||
não posso parar eu tenho
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||||
onde chegar você sabe
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||||
estava me olhando
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esperando
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||||
pra me ver gritar queria
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que eu perdesse a cabeça mas
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||||
agora eu estou inteira quem vai
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||||
me segurar?
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||||
eu quero
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||||
ver a fogueira
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||||
hipnotizada por nada
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||||
não tenho
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mais medo de usar
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joelhos e coxas
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os punhos
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firmes e para cima
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||||
cerrados
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||||
quem mais trabalha será
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sempre chamada vadia
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você
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||||
enaltece calado
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o trabalho forçado
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||||
o olhar alienado
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vou
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puxar seu tapete
|
||||
romper seu telhado
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furar a parede
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||||
escrever um recado
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||||
espera
|
||||
eu estou chegando
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||||
fique de pé
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||||
e bem treinado
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estou conversando
|
||||
com meu outro lado
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||||
preciso tirar
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||||
mais um pedaço
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||||
você tem raiva de tudo
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||||
que é emotivo
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sinto muito te digo
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||||
também a raiva vem nesse mesmo trilho
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ouça o seu corpo
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||||
ouça
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||||
o ardor do seu peito
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||||
algo pulsando nos teus braços
|
||||
estou
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entrando e saindo da água
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||||
vento na barriga amarga
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||||
e também de repente
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||||
inspiração renovada
|
||||
nada nada me para
|
||||
nada
|
||||
vou
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||||
furar pela brecha
|
||||
e soltar um bocado
|
||||
cuidado
|
||||
cuidado dobrado
|
||||
quando acrescento
|
||||
não minto
|
||||
há muito mais pra dizer do que
|
||||
ficar garantindo
|
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do que você tem medo?
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||||
do que você tem medo?
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||||
há dois tipos de medo
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||||
o ódio e o receio
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||||
quando alguém explica
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já te subestima
|
||||
é melhor
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pisar em ovos
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do que em espinhos
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||||
eu faço
|
||||
ovos de ferro
|
||||
de palha bambu
|
||||
pra você andar
|
||||
estou
|
||||
desde os treze andando no vidro
|
||||
olhe ao redor
|
||||
estamos vivas e
|
||||
qual é o motivo?
|
||||
o sorriso não é
|
||||
uma forma de passar
|
||||
despercebida
|
||||
saber é ar que nos enche
|
||||
e que não se prende
|
||||
nos pulmões de um deus
|
||||
veja
|
||||
a humanidade sufocada
|
||||
podando suas próprias asas
|
||||
esqueça
|
||||
essa coisa de tudo bem
|
||||
quero saber
|
||||
como andam elas
|
||||
não as santidades
|
||||
quero saber de você
|
||||
que está o tempo todo
|
||||
cantando e sempre diz
|
||||
que não canta
|
||||
que está o tempo todo
|
||||
dançando e sempre diz
|
||||
que não dança
|
||||
que está o tempo todo
|
||||
falando e sempre diz
|
||||
que é calada demais
|
||||
sempre dizendo
|
||||
que não está aprendendo
|
||||
e aprendendo sem parar
|
||||
a não deixar
|
||||
seu corpo parado
|
||||
ou sua mente
|
||||
sair do lugar
|
||||
se ela quer
|
||||
dançar sem ninguém
|
||||
poder acompanhar
|
||||
até ficar cansada
|
||||
se ele quer
|
||||
fazer e criar
|
||||
riquezas e mundos
|
||||
mundos profundos
|
||||
quem mais vai te motivar
|
||||
se nem esse deus levantar
|
||||
da sua cova mental
|
||||
imaterial
|
||||
e se manifestar?
|
||||
|
||||
tudo que queria
|
||||
era me ver livre
|
||||
dessa referência
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||||
incontente
|
||||
acho uma pena
|
||||
viver narrando
|
||||
em cada ação da mão uma culpa
|
||||
não quero
|
||||
fazer sacrifícios
|
||||
quero
|
||||
que você escreva comigo
|
||||
preciso
|
||||
sou
|
||||
só um degrau explosivo
|
||||
de novo
|
||||
eu digo
|
||||
cuidado
|
||||
muito cuidado contigo
|
||||
|
||||
31
content/poesia/magnolia-grandiflora.md
Normal file
31
content/poesia/magnolia-grandiflora.md
Normal file
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@ -0,0 +1,31 @@
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||||
title = "Magnolia, Grandiflora"
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||||
date = 2020-04-09
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+++
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||||
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||||
não reviver
|
||||
deixar morrer humores
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||||
sem medo
|
||||
sem tabu
|
||||
sem cultuar a morte
|
||||
para tentar ganhá-la
|
||||
sem preservar
|
||||
ou salvar sua alma
|
||||
sem tentar
|
||||
aprisioná-la
|
||||
deixando ela como
|
||||
em sua própria casa
|
||||
cultuando a vida cultuando
|
||||
não a palavra mas a coisa manifestada
|
||||
não quero dizer
|
||||
mais nada sobre
|
||||
prioridades
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||||
assistir o mundo
|
||||
sem fazer nada
|
||||
ou retornar
|
||||
para o caderno, folha dobrada
|
||||
preparar,
|
||||
soprar em vida
|
||||
e lançar na malha
|
||||
|
||||
24 de março de 2020
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||||
124
content/poesia/o-pequeno-principe.md
Normal file
124
content/poesia/o-pequeno-principe.md
Normal file
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||||
title = "O Pequeno Príncipe"
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||||
date = 2018-08-12
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||||
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||||
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||||
eis o molho de chaves
|
||||
tudo está aberto
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||||
caso precisar
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||||
|
||||
a trava
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||||
a janela
|
||||
a cortina
|
||||
|
||||
peça
|
||||
por peça
|
||||
de repente
|
||||
completa
|
||||
nudez no quarto escuro
|
||||
escuto
|
||||
|
||||
hoje a noite refeita
|
||||
fantasmas na lâmpada acesa
|
||||
ainda sonhos de amor
|
||||
quem nega não sabe
|
||||
num livro
|
||||
vozes me dizem coisas que você
|
||||
ensina
|
||||
|
||||
foram invernos inteiros
|
||||
agora estou assim
|
||||
olhando a montanha dos pés
|
||||
teus pés
|
||||
abrindo que nem origamis
|
||||
adoro
|
||||
você concreta me fazendo ser
|
||||
uma poeta medíocre
|
||||
absorta e brincando
|
||||
com os sentimentos do mundo
|
||||
|
||||
volto-me para as coisas grandes
|
||||
coisas grandes de poetas grandes
|
||||
encarnadas no teu mundo divino
|
||||
hesitante
|
||||
adoro
|
||||
ser tua poeta medíocre
|
||||
querendo tão cedo ser aplaudida
|
||||
mas viva
|
||||
eis aí meu triunfo estou viva
|
||||
um ás de cada naipe
|
||||
na palma da mão
|
||||
o id e o id
|
||||
na hecatombe final...
|
||||
por qualquer motivo sou aquela
|
||||
mortal que se entrega ao vampiro
|
||||
que faço
|
||||
quando você hesita um centésimo faço
|
||||
como se fosse selecionada
|
||||
sou alguém que do Éden
|
||||
recusou-se a ser expelida
|
||||
tenho a fome de cem mil demônios
|
||||
e nisto também a alma
|
||||
de fileiras tantas de anjos
|
||||
tantas fileiras de anjos
|
||||
mil centilhões para cada
|
||||
pelo no teu corpo branco
|
||||
sorria
|
||||
te olho chegando de carro
|
||||
sou a tinta sobrando pra fora da tela
|
||||
O Pequeno Príncipe
|
||||
na guilhotina
|
||||
|
||||
cadela
|
||||
|
||||
de madrugada num carro
|
||||
desliza
|
||||
moletom preto
|
||||
pequena cidade uma cela
|
||||
e dela
|
||||
poemas entrando na porta do meu quarto
|
||||
sentando na cama
|
||||
espera
|
||||
|
||||
as cruzes e os santos
|
||||
os punhais
|
||||
vontades de pureza
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desejos de heresia
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réguas, pesos, esquadros, e os pais
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caixas de papelão
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no escuro do maleiro
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a roda de olhos na ciranda vira
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e perspira
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mais nenhuma carta a escrever pra ninguém
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só a roda
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de olhos brilhantes
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titânicos
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na janela do carro
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lá
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o rosto não lembro
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a janela do carro
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tudo escorre vão
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os quereres
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também qualquer par
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todo lugar
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da janela
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na roda
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a cortina
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leva na brisa
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paulatina
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medos passados
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ânsias de vômito
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gulas de amor
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olho de novo no livro
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me exalta
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e humilha
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assinto
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ao mundo o meu coração para o tiro
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dispara
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um respiro
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meu corpo de novo
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e
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do outro lado o som
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tranquilo
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title = "Terra Amorfa"
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date = 2019-08-15
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Assim, como uma terra amorfa, minhas vontades estão todas nulas, as próprias folhas caem desde o alto, onde não é paisagem, onde não são pensamento, onde alimentam o mesmo chão do qual se come, sem separação, sem dúvidas sobre seu proceder, sem nenhuma ideia de culpa ou inocência, débito ou crédito, vão fazendo folhas para beber luz solar e depois dividem, como uma grande divindade sem contornos, que não está separada, não é criadora da natureza, mas algo muito anterior e posterior a isso, elas vertem sim, luz em alimento, e distribuem para o chão e todas as criaturas que nele vivem, fazem isso, e nesse mesmo chão suas raízes são abrigos e esconderijo, são camuflagem, não artigo decorativo, não são bonitas ou feias, são assim como o ar entre uma e outra, ou eu e ela, que sou esta terra amorfa, sim, repito estou comendo, pisaram e do pior fizeram sobre mim e também das coisas mais gloriosas fui testemunha, de ideias de posse e de libertação fui sujeita e objeto, mas permaneceram ideias, ideias nas quais conceberam minha inocência, minha importância, e para isso, conceberam também, alguma culpa, alguma irrelevância que não havia — jamais olharam como me olham os seres que de mim mesma são feitos, muito embora sejam — e por isso precisam sempre achar um entre os seus para ser dividido, como se nesse sacrifício provassem algo para si mesmos. Optar entre fazer o bem sete ou oito vezes e três ou duas o mal, não conseguir, simplesmente, proceder de um só golpe nesta vida, onde tudo é como um carro que se coloca nesta ou noutra pista, e força-se assim, tenta-se ser sísifo, ser cristo, ser mitólogo, ou mito, ou também conquistar, ser idólatra, ou ídolo, mas ideias de sucesso são feitas de lixo. Não querem ser consciência exposta, de vaidade comum e passível de riso — preferem ser gênero, ser produção, ser algo rígido, uma forma feita, bem definida, que ao morrer torna-se pedra com o nome escrito... Não sou este corpo com nome e documento, com direito, emprego, pai, mãe, marido, sou o grande corpo solto na cidade, sou o risco, a transmissão, sou o gênero humano, diverso e nativo.
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title = "Verso para melodia 6"
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date = 2019-09-27
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pão, paz e terra
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amor, harmonia
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sonharam
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sonhos de guerra
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sonhos de ordem e folia
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alguns andam de lado
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furaram o filtro que tinha
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o tempo todo um quadrado
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tentando fechar a linha
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mas o olho é calado
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a boca come e adivinha
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se a mente deixa um rastro
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o corpo invisível ensina
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sem tempo pra vícios
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e idolatrias
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enquanto os frontes se formam
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eles pedem saída
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[...]
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sempre exposta ao relevo
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meu tempo é o Tempo mesmo
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não arrumo relógios
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não sei fazer consertos
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olho e revogo
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eu devoro e festejo
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não tenho pontos de amarra
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não me servem coleiras
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é hora do ataque
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eu não suporto a leseira
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se quer tente me mate
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não sou feita de aço
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sou água da seca
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não há nada que quebre
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que ao queimar me derreta
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sempre retorno
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mantenho a pareia
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aprendo o senão
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e engulo a certeza
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mas são unhas de vidro
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abrindo a soleira
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pr'uma vida inteira
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uma vida inteira
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