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de repente a neve num fôlego, depressa cobrindo os telhados em V. as pontas e as retas num branco aguado, as pretas linhas sólidas da casa a morrer. me agacho e olho as curvas fazendo, descendo sem olhos no ar onde sopro, engulo em vão sem nada a sentir, somente este enjoo de vinte e dois anos, e um luto crescendo do mundo daqui.
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os corvos também assustados gorjeiam, tais como patos aflitos de frio, voando no meio da guerra de flocos, bombas sutis no concreto molhado, nos cantos dos muros o vento se prende, vai num só mergulho ao chão como um jato, alvos confetes - besouros de pano, cruas e fortes ondas do sul.
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na calha de ferro defronte aos meus pés, a água calada escorre à paisana, tão parca e silente, de uma discrição solitária, indo embora na terra pra deitar-se no rio.
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e as flores do lado de fora esperam, imóveis de cores no surdo do gelo, deixando-se vestir por completo ao avesso, ainda que numa angústia dos graus, segurando em si a primavera infantil, como se dissessem adeus num suspiro, olhando-lhe os fios, suas espirais tortuosas, seu sadismo inato e com a morte seus laços, o seu saber que assim, cheia dela seria, do último dia a paisagem de sal.
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a terra coberta de uma noite sem lua, sem poetas ou budas, sem ouro ou marfim... somente o zunido, o inaudível barulho perdido, o fundo do fundo do escuro, como um gigantesco navio pouco a pouco se enchendo, de águas polares sem luzes, sem sombras, num gole sumindo nos beiços do mar, sem fogo, sem formas, sem nada, nem um único canto distante e medonho, de uma imensa baleia ancestral, a nadar por mil anos sozinha, procurando na invernia das águas de linho, companhias ou filhas, navios esquadrilhas, morosa arrastando-se sem mais nostalgias, ouvindo o eco repetido mil vezes, no seu infinito e vazio radar.
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