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Juno Takano 2025-09-03 22:19:53 -03:00
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date = 2017-07-27
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só um corpo sem nome
feito de barro e pedras azuis
nadando afoito no oceano
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content/poesia/8881.md Normal file
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date = 2018-03-03
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eu que desta palavra eu já não mais conheço nada nem o avesso ou o verso que decidi esquecer meus nomes do meio que já não sei mais vestir jeans mas que não caibo sem dores nestes quimonos azuis que me preciso carregar aos açudes do mundo que tenho que decidir entre três onze e doze eu que vou chorar indo ou ficando de quem não sei mais o que sobrei que nasci sem chorar nem gritar nem nada que olho as bandeiras e vejo desenhos eu neste corpo de fibras abertas e finas que mora no rio, debaixo da escada
me morda até que derreta em cordas fracas e escorra com vontades e dores sem riscos de facas sem nada no mundo que emudeça meus pés seus latidos minhas lágrimas meus amores...

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content/poesia/8883.md Normal file
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date = 2018-03-09
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carregado à deriva os sete lados da terra sonhei subi a montanha não achei quadros nos museus não achei na grama filmes de guerra flores na casa não achei saudades, mãos serenas nos meus olhos culpa ou perdão não achei na vala Deus não achei rosários e quimonos no frio e na ordem balas de ferro não achei
deitei minha vida ao lado e calcei estas sandálias de fio andei até aqui sem nada para ver ou beber nem uma gota d'água por que me esmaguei tão insistentemente se meu peito ia voltar-se sempre à mesma criança que sempre aqui viveu?
d'Ele sobraram as cinzas o ódio e a doçura
abre meu rosto ao meio e por dentro da máscara fria escreve teu nome de novo como um suspiro num horizonte esfumado de pura nuvem que não se vê que não se toca

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content/poesia/8885.md Normal file
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date = 2018-03-20
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nua a pedra da rua descansa
inflama minha febre num teso acende
de frio esquartejo um sorriso no meio
eu vejo
nua
a pedra da rua descansa

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content/poesia/8891.md Normal file
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date = 2018-03-24
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no altar cheio de poeira o Meu Nome está escrito em todas as coisas

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content/poesia/8942.md Normal file
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date = 2018-07-12
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_está tudo pronto de novo há algo pra beber?_ _provocações na mesa da sala sente por favor tenho tudo quebrado há pedaços provocações ao lado por todo lado pequenos cacos e a cereja brilhante no topo estrela alguém indo embora na surdina feito um feixe de provocações_

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content/poesia/8948.md Normal file
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date = 2018-07-28
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Sou eu. A onça marrom à espreita na paragem, estou sempre aqui, passo como um marimbondo, assim, algoz e guarda-costas. Estou aqui, a mim comparado narciso é um monge -- digo sem certezas, escapo sempre pelos olhos, sou eu, os muros entre as gentes, todas as línguas e coisas criadas, também, a vontade e a coragem, como se um meteoro estivesse a caminho, eu, a voz no teu ouvido dizendo para fazer justamente isso, assim, como um barulho de estouro do nada, te visito no fim dos finais, quando as unhas cresceram e você escala a parede do poço, eu, não o escuro ou a solidão: o triunfo, assim, como discos voadores, como samba, como luzes no céu, fogueiras dando certo na areia fria, eu, escorrendo dos morros, assim, olhando entre os arbustos, caindo pela janela do carro. Nos bares as pessoas de pé fumam e conversam. As cores que você não viu, sempre de soslaio, alguém que sente alegria demais e também se deprime. Na surdina, vejo sempre, raios silenciosos, sem trovão, sem alarde. Aqui, adiando o clímax de novo, só para que seja maior: um raio de cem bilhões de quilômetros, que nunca soube se fazer entender, a parábola inteira, que longe das cidades conhece uma abóbada celeste perfeitamente redonda, eu, que levanto troncos e vejo formigas, incontáveis em pânico, fugindo do incêndio, eu, olhando Marte seguir a Lua no zênite, eu, que finalmente me recolho e mergulho, sem medo de quem, quem, me diga porque, não sei mais um nome a temer, eu, tua obsessão com a sua imagem, seu cabelo sua pele suas mãos que mudaram, me olhe e me perca, que enxergo, as vistas tortas fazendo os olhos de gato na estrada parecerem velas de procissão sumindo no longe, me escolha, nos mercados de gente me veja na prateleira. Me lembro, da foto que meu pai havia mandado: flores de São João a se encherem as vistas, tais cores, eu vou vendo passando e não há, quadro nenhum em tela nenhuma, real ou elétrica, que diga, a fruição e a delícia de estar viva de novo, sou eu, risada e glória passada, aqui, me lembro das araucárias sozinhas no céu, sou eu, aqui aquecendo as minhas mãos de novo e com sede, sou eu, nenhuma certeza, muito pouco a dizer, e a vontade num pulso de vida tremendo, tremendo, me lembro das minhas mãos perdendo de novo, sabendo, que coisa mesmo sagrada é perder...

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content/poesia/8951.md Normal file
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date = 2018-07-28
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vênus sobre uma árvore campo de bois olhos titânicos na janela do carro

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content/poesia/8967.md Normal file
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date = 2018-07-29
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![](images/wp-1532847990956.jpg)

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title = "Vapor Mestiço"
date = 2018-08-29
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para o cético, só uma esteta fazendo linhas de cor para o teórico, uma mística copérnica na paisagem para o inocente, a mestre de hipnose dizendo mentiras para o idealista, a vibrante tendência fascista
para o herege, um querubim na mais alta falange para o artista, Narciso esculpindo a si mesmo para o purista, a criança matando formigas para o espectador, só alguém na poltrona do lado
para o curioso, a assassina e o assassinado para o parente, cada síndrome do livro didático para o amante, rochas raras na areia da Barra para o poeta, só uma boca que não fica calada
para o cristão, o rio descendo ao contrário para o impulsivo, o aviso na lateral do cigarro para o homem, a bicha tremendo na fila do CAPS para o monge, o gás chiando nas bombas do Estado
para o menino, o coelho procurando o buraco para o profeta, o amor insistente nos vinte para o crítico, a ironia sutil do palhaço para o adulto, gloriosa em busca de glória
para o pragmata, o próprio sonho da ordem para o incendiário, a velha a caminho da igreja para o predador, a ovelha desgarrada no pasto para o magnata, a menina brincando de espada

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content/poesia/9202.md Normal file
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date = 2018-08-30
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vamos filmar esse filme

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content/poesia/9225.md Normal file
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date = 2018-11-01
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a chuva rara na ladeira de pedra já são quatro horas no ritmo aflito dias de sol caveiras de açúcar e as horas
mas já não são chuvas raras na pedra disforme da pele do morro
porta adentro na terra do quintal a pedra seca desponta esfarela o morro e as mangueiras nas mãos o vermelho goteja de fruta no seu dorso da casa os meus olhos são como madeira sem verniz sem tintura disparam para o céu recôncavo
na grama rasteira sou a formiga e o formigueiro ninguém de novo entre o falo e a faca
quisera a cruz e a espada com a clareza da história
sou eu de novo -- como um fantasma vertebrado por acaso olhos no prêmio memórias de mitos
encartes em chamas na minha virilha vazia ralas lembranças natais em família
teria já deixado este mundo?
de novo no rastro fácil da cobra o vício me fecunda e desova são dobras curvas e fracas no cimento impreciso sob o falso piso de ardósia

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title = "Poesia"
sort_by = "date"
template = "poesia.html"
page_template = "poema.html"
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date = 2018-08-09
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a máquina colhendo cana violenta, inevitável
e de repente sempre de repente a represa no imenso da ponte contida, imóvel, para a tristeza da Terra
garças dormindo na árvore são frutas vestidas de branco
(agosto de 2017)

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title = "Colunas"
date = 2018-08-04
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Haimi de repente em agosto
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viajar para longe de toda certeza todo conselho toda inteligência toda sabedoria viajar para longe de toda certeza todo conselho toda inteligência toda sabedoria
\--
velas de aniversário na penteadeira
\--
vontade de potência livros de Nietzsche fogueira apagada
\--
solta no pretume a lâmpada calada notícias de câncer maca no corredor adictos, aflitos vontade de vida ao ponto de morte

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title = "Tarde de Novembro"
date = 2018-08-09
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_burying these rings
I'm like all others
murdered and murderer_
(10/2016)