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Juno Takano 2025-10-16 17:03:19 -03:00
commit f9fffc0544
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date = 2013-01-16
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e lá no riacho
junto das pedras
que me represam
você dormia
junto das águas
que passavam sozinhas
todas numa agonia
ela era feita,
de estrelas

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date = 2013-01-17
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cê morreu.
pena que foi
devagarzinho

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date = 2013-01-18
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sem nenhuma ternura
sem os rastros
e as beiradas tortas
das coisas já mortas
sem nenhum cuidado
com o desagrado
nem nenhum receio
de fazer feio

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date = 2013-01-20
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quando o rastro e a desova e o cantar
de minha pressa de ardores sem ter fim
do que canto sem querer chegar ao mar
a poder entregar tudo que tenho de ruim
vou por hora me deixando arrebitar
cas flechas tortas quebradas do querubim
e sonhando com o momento do deixar
você ao léu nas cachoeiras das quais vim
vejo pelas pedras tinta preta escorregar
vai devagar tingindo tudo que era branquim
enquanto você se banha todo devagar
a cachoeira vai te pintando de nanquim
e o olho teu que não escapa pra olhar
pra ver que tudo agora é cor de estopim
você sai sujo andando vir se enxugar
mal sabe vem da cor que já está em mim
quando estende os dedos sujos de banhar
apanha o pano com a mão e a olha assim
com os olhos saltando do orbitar
feito duas pérolas solitárias de marfim
se espanta louco sem pudores nem parar
não há banho que acalme seu festim

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date = 2013-05-15
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when I remember
what you did to me
I think of poems
that'll never be

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date = 2013-08-25
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a manga
manga rosa despenca
no chão
a manga comprida
por dentro
se risca
ela despenca
no chão
de ladrilho gelado
gelada
despenco gelada no chão
minha manga comprida
escondida
a manga
manga rosa despenca
no chão
se esconde
comprido
um risco
vou e volto
pra fora e pra dentro
dos ladrilhos
o banheiro me acolhe
escondida
e a manga rosa
se ergue e despenca
por dentro
manchada e gelada
a manga rosa
se arrisca
_Niterói, 25 de agosto de 2013_

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date = 2013-10-11
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<em>
abaixo a minha voz
e espio por trás do véu
eu vejo meus próprios olhos
chorando meu próprio mel
</em>

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@ -0,0 +1,8 @@
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date = 2013-10-15
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carrego em mim o que há das coisas mais recentes
trago nos meus braços as linhas onde escrevo
minha dor interior trago para o consciente
minha dor exterior escondo de meus parentes

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date = 2013-12-16
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debaixo do lençol
um fosso cavado a desgaste
sobre a cama
guindaste

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title = "Caminho do Meio"
date = 2013-05-10
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o rio que ali passa
chamam de violento
mas ninguém chama violentas
as margens que o comprimem

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title = "Cisne Negro"
date = 2013-07-30
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existe algo de estranho
de punjante
anti-cicatrizante
existe algo queimando
ardendo
algo no pulso
entalando as minhas veias
bloqueando meu curso
consigo sentí-lo
por dentro dos vasos
rasgando seus lados
entupindo minhas teias
meus alvéolos
cheios de sujeira
meu respiro agudo
minha fala rasteira
consigo sentir
a poeira
esta trava em meu ser
permeando, esta cancela
por dentro
por fora, me estaca
a catraca
sorvendo a minha dança
meu âmago mais forte e poderoso
o grito mais alto
minha mais quente caldeira
a minha força ancestral
domada
a minha agência mais inata
subalterna
colonizada
existe algo
me segurando entre o mundo
e de mim enquanto assunto
enquanto meu próprio tópico
minha mesma manchete
meu verbete
meu núcleo
existe algo
interpelado
um grão de areia dentro do relógio
segurando intacta a engrenagem
parada
cerrada
existe algo
aqui
na minha frente
e dentro mim
por fora
e por dentro
existe algo
algo sem nome
que não nomearam
algo me segurando
de mim
na minha frente
e às minhas costas
me segura
de mim
e me mostra
pra mim
me chacoalha
pra que eu veja
às minhas costas
existe algo
aos poucos
matando o que de mim há
de amor
matando o que tenho em mim
por carinho
existe algo aqui
consumindo tudo que tenho
pra gostar em mim
levando de mim a vontade penúltima
de viver como sombra
da minha própria tristeza
existe algo
meu vilão mais fraco
segurando entre mim e meu crânio
minha libertação
eu quero matá-lo
ele, que em parte sou eu
que é o externo
ou seu reverso
eu quero
falhar
quebrar
esmaecer
no fundo
infinito
do abismo
até que não sobre dele
nenhum resquício
existe algo
algo dentro e fora
algo que me separa
entre meu corpo
e minha aura
entre minha carne
e o ar que a embala

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title = "Cisnegacionismo"
date = 2013-07-21
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cardume de outro mar
peixe branco, sem escama
engole o lambari
não arrota
não reclama.

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title = "Daniel na Cova dos Leões"
date = 2013-08-25
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Dez caíram à sua esquerda
Nove caíram à sua direita
seu olho se vidra surpresa
frescor sem nenhuma beleza
a boca se abre em leveza
desejo e estupor se consomem
o retroalimento é o homem
que na sala se cala de gelo
o gelo por dentro a consome
e o rejeito lhe estoura o estômago
seu umbigo arde em refluxo
seu olho foge de medo
volta ao banheiro
a navalha do bolso desnuda

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@ -0,0 +1,63 @@
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title = "Kathmandu"
date = 2013-11-29
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a whirlwind
spins
my eyes are closed
as it spins
it spins on top
of the fragile
flickering wings
of a long-dead moth
a whirlwind
cold metal whirlwind
spins inside of my stomach
my eyes are closed as I watch it spin
I can feel it
spinning inside of me
my stomach
unbearable discomfort
nausea
permanent cold unbearable discomfort
that is which spins
it spins on top
of the fragile
flickering antennas of a moth
covered in dust
resting
slowly dying out after so long
so long it was
when she died
the moth
two weeks old
eternity overcame it
life was not bearable
when the whirlwind came
spinning
the metal whirlwind
inside of my stomach
hurting and flickering
covered in dust
my stomach
resting
slowly dying out after so long
two weeks
I am fragile
my eyes are closed
as I watch
Im cold
covered in dust
long dead
after two long weeks

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title = "Nomenklatura"
date = 2013-02-04
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para a gata, Vênus
para a criança, Muriel
para a bicicleta, Frida
para a revolução, céu.
tudo eu nomearia.
tudo aquilo
que não sente
disforia.

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title = "Papel Manteiga"
date = 2013-07-06
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nua de tudo
olhei ao redor
as roupas
sem roupas
cem roupas
eu era o próprio redor
senti medo
todo o poder
era meu desjejum
todo terror
toda coerção
tudo podia; tudo era cascata e agressão
nem amor,
nem destruição.
um medo patente sem delícia nem quente.
tudo era frio e escuridão.
roubavam-me os olhos, e autogestão.
os laços,
saudade.
os laudos,
escória.
tudo queima na revolução
(o lampião é o próprio vilão
a candeia é a própria desova
no incêndio, tudo é fumaça
gemido
lágrima
e canção.)

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@ -0,0 +1,84 @@
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title = "Poesia Ruim, Número Dois"
date = 2013-07-23
+++
<center><strong>
I
</strong></center>
Eu queria o dia
logar com você
e ver ele nascendo
mas achei que ia
ser muito pedante
mesmo não sendo
e o corvo, dizia
ainda queria saber:
se quero falar
contigo
tinha por que motivo
partido?
de manhãzinha
principalmente
sentia.
<center><strong>
II
</strong></center>
Eu não queria
sobre todas as coisas
como te disse
— antes de ir —
esconder sentimento
tenho medo de esconder
sentimentos de fato
que quero mostrar
quero ter tato
(meu carinho
é pouco normativo)
e o corvo, dizia
se sentimental
pedante ou risível
importava pouco:
o meu silêncio
não vai me enternecer
tua poesia
me afetou
me faz escrever
então faz o que eu sou.
<center><strong>
III
</strong></center>
Eu queria te contar
que os dias tão ficando mais
escuros
e que eu tenho sentido
a cada novo tropeço
medo
que tudo o que te contei
eu não me acostumei
— piorei —
eu queria te contar
que talvez eu vá
e o corvo, morria
Mas cá vem o pêndulo
tirando da ferida
um pouco mais de cal:
o político
é pessoal.

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title = "Poesia Verde-Negra"
date = 2013-07-30
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bruto
escorbuto
entupir de bookchin
o oleoduto

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title = "Toda Poesia"
date = 2013-05-06
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fúria mais recente de Carolina
incandescente rosto pálido de ladina
olhos abrefecham quasemornos
sutil,
intacta,
minha mesquita.