diff --git a/config.toml b/config.toml index 8a68dd4..fd52135 100644 --- a/config.toml +++ b/config.toml @@ -1,5 +1,4 @@ -title = "Incandescência" -base_url = "https://incandescencia.org" +base_url = "localhost" compile_sass = false build_search_index = true @@ -8,3 +7,6 @@ default_language = "pt" [slugify] paths_keep_dates = true + +[markdown] +highlight_code = false diff --git a/content/poesia/2013-01-16.md b/content/poesia/2013-01-16.md deleted file mode 100644 index 2c39554..0000000 --- a/content/poesia/2013-01-16.md +++ /dev/null @@ -1,15 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-01-16 -+++ - - e lá no riacho - junto das pedras - que me represam - você dormia - - junto das águas - que passavam sozinhas - todas numa agonia - - ela era feita, - de estrelas diff --git a/content/poesia/2013-01-17.md b/content/poesia/2013-01-17.md deleted file mode 100644 index f97f0bd..0000000 --- a/content/poesia/2013-01-17.md +++ /dev/null @@ -1,7 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-01-17 -+++ - - cê morreu. - pena que foi - devagarzinho diff --git a/content/poesia/2013-01-18.md b/content/poesia/2013-01-18.md deleted file mode 100644 index 26a027b..0000000 --- a/content/poesia/2013-01-18.md +++ /dev/null @@ -1,13 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-01-18 -+++ - - sem nenhuma ternura - sem os rastros - e as beiradas tortas - das coisas já mortas - - sem nenhum cuidado - com o desagrado - nem nenhum receio - de fazer feio diff --git a/content/poesia/2013-01-20.md b/content/poesia/2013-01-20.md deleted file mode 100644 index 0fee3ee..0000000 --- a/content/poesia/2013-01-20.md +++ /dev/null @@ -1,26 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-01-20 -+++ - - quando o rastro e a desova e o cantar - de minha pressa de ardores sem ter fim - do que canto sem querer chegar ao mar - a poder entregar tudo que tenho de ruim - vou por hora me deixando arrebitar - c’as flechas tortas quebradas do querubim - e sonhando com o momento do deixar - você ao léu nas cachoeiras das quais vim - vejo pelas pedras tinta preta escorregar - vai devagar tingindo tudo que era branquim - enquanto você se banha todo devagar - a cachoeira vai te pintando de nanquim - e o olho teu que não escapa pra olhar - pra ver que tudo agora é cor de estopim - você sai sujo andando vir se enxugar - mal sabe vem da cor que já está em mim - quando estende os dedos sujos de banhar - apanha o pano com a mão e a olha assim - com os olhos saltando do orbitar - feito duas pérolas solitárias de marfim - se espanta louco sem pudores nem parar - não há banho que acalme seu festim diff --git a/content/poesia/2013-05-15.md b/content/poesia/2013-05-15.md deleted file mode 100644 index dcc3e60..0000000 --- a/content/poesia/2013-05-15.md +++ /dev/null @@ -1,9 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-05-15 -+++ - - when I remember - what you did to me - - I think of poems - that'll never be diff --git a/content/poesia/2013-08-25.md b/content/poesia/2013-08-25.md deleted file mode 100644 index 3c3c8c6..0000000 --- a/content/poesia/2013-08-25.md +++ /dev/null @@ -1,41 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-08-25 -+++ - - a manga - manga rosa despenca - no chão - a manga comprida - por dentro - se risca - ela despenca - no chão - de ladrilho gelado - - gelada - - despenco gelada no chão - minha manga comprida - escondida - - a manga - manga rosa despenca - no chão - se esconde - comprido - um risco - - vou e volto - pra fora e pra dentro - dos ladrilhos - o banheiro me acolhe - escondida - - e a manga rosa - se ergue e despenca - por dentro - manchada e gelada - a manga rosa - se arrisca - -_Niterói, 25 de agosto de 2013_ diff --git a/content/poesia/2013-10-11.md b/content/poesia/2013-10-11.md deleted file mode 100644 index 86190a5..0000000 --- a/content/poesia/2013-10-11.md +++ /dev/null @@ -1,12 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-10-11 -+++ - - - - abaixo a minha voz - e espio por trás do véu - eu vejo meus próprios olhos - chorando meu próprio mel - - diff --git a/content/poesia/2013-10-15.md b/content/poesia/2013-10-15.md deleted file mode 100644 index 88feaa3..0000000 --- a/content/poesia/2013-10-15.md +++ /dev/null @@ -1,8 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-10-15 -+++ - - carrego em mim o que há das coisas mais recentes - trago nos meus braços as linhas onde escrevo - minha dor interior trago para o consciente - minha dor exterior escondo de meus parentes diff --git a/content/poesia/2013-12-16.md b/content/poesia/2013-12-16.md deleted file mode 100644 index c6602cb..0000000 --- a/content/poesia/2013-12-16.md +++ /dev/null @@ -1,8 +0,0 @@ -+++ -date = 2013-12-16 -+++ - - debaixo do lençol - um fosso cavado a desgaste - sobre a cama - guindaste diff --git a/content/poesia/2014-04-14.md b/content/poesia/2014-04-14.md deleted file mode 100644 index bd80f73..0000000 --- a/content/poesia/2014-04-14.md +++ /dev/null @@ -1,5 +0,0 @@ -+++ -date = 2014-04-14 -+++ - -A poesia não está escrita. Escrever é apenas o ato de seu registro. A poesia não foi falada. Falar é apenas uma das seis mil formas de transportá-la. A poesia não é sentida. Esse sentimento é apenas o subproduto de recebê-la, ainda que de si. A poesia não serve para ser interpretada. Mas também não se pode evitá-lo, com pouca ou nenhuma serventia. A poesia foi feita. Não é para ser bonita. Beleza é só adequação a algum consenso. Bonito ou horrível, tanto faz se é poesia. A poesia não é sempre métrica, tanta consistência arranca a poesia do poema. A poesia não se detém em lorotas acadêmicas entre texto e gênero. Mera poeira decantada. A poesia nem sempre rima, qualquer rigidez também afasta a poesia. A poesia nunca foi cantada. Nesse instante já estava transposta em outra coisa. A poesia não é apenas para ser filmada. Ela e seu registro são distintos. O registro é a poesia que já foi, a poesia ficou na hora e no imediato. A poesia não é para ser código, mas linguagem. Não é para esconder, mas para expor. A poesia não é para ser lógica: é indiagnosticável. A poesia não é uma arte. Arte é só uma palavra como qualquer outra. A poesia não é um gênero literário, e não há gêneros literários de poesia. A poesia não se divide em nacional e internacional — ou por autores ou por séculos e meses. A poesia não tem dias. A poesia assim pensada não é a poesia, só seu rastro na história. A história está encharcada de poesia. A poesia é o que há de indizível através de você e o que não é humano. O que se pode comunicar, do pouco que se pode, das coisas do mundo pras quais não há palavras. A poesia é arrancar da língua os gostos que ela não sente. A poesia é pegar de dentro e tentar botar pra fora o que não estava lá. A poesia é uma pá. A poesia não é literatura. Literatura é o que já aconteceu. A poesia é sempre falha, sempre uma falha em tentar dizer alguma coisa que podia ser dita com muito menos esforço. A poesia ousa dar nome às coisas sem nome, e comunicar as coisas incomunicáveis. A poesia não é uma forma de expressão. Ela é feita justamente do fracasso em expressar-se. A poesia é uma coisa só feita de infinitas coisas. É um ser à parte, tudo aquilo que tenta agarrar das entranhas dentro o máximo possível e daí colocar nada para fora. A poesia é uma enorme vontade de dizer, sem sucesso. A poesia não é para ser tão críptica, mas sua natureza e seu destino são cheios de mistérios. A poesia não é aleatória nem fechada, mas pode ser provocativa. A poesia nem sempre tem destinatário ou destino, muitas vezes é feita para não ser lida tal que quando lida não serve para nada. Pode ser absolutamente inútil, com todo o mérito que isso carrega. A poesia sempre fracassa, o ponto estava na ação e não no resultado. A poesia é um interno e persistente movimento de fora para fora. diff --git a/content/poesia/2014-04-24.md b/content/poesia/2014-04-24.md deleted file mode 100644 index 8720d0e..0000000 --- a/content/poesia/2014-04-24.md +++ /dev/null @@ -1,16 +0,0 @@ -+++ -date = 2014-04-24 -+++ - - deita a rua gelada - no rosto branco de são paulo - dois milhões de pulsos vermelhos embaçados na distância - sua eterna decoração de natal - - compro um vinho de seis reais - e deixo no caixa as coisas da vida - me esqueço dos meus desejos - olho nos olhos de quem nunca olho - converso com quem nunca converso - porque esqueci quem eu sou - uma única noite diff --git a/content/poesia/2014-11-07.md b/content/poesia/2014-11-07.md deleted file mode 100644 index b3318d2..0000000 --- a/content/poesia/2014-11-07.md +++ /dev/null @@ -1,17 +0,0 @@ -+++ -date = 2014-11-07 -+++ - - li todos os teus livros, - diligentemente; teus livros - artesanalmente escritos, - costurados pelos teus próprios dedos - - em um dos poemas você disse: - "às vezes de longe sou um anjo" - - meu corpo todo caiu numa fraqueza de água - um rebuliço, uma tontura, - os raios, as ondas, tudo explodiu desta fortaleza, - como dinamite num labirinto, - como um tiro na casca de um sino diff --git a/content/poesia/2014-11-11.md b/content/poesia/2014-11-11.md deleted file mode 100644 index aa6e018..0000000 --- a/content/poesia/2014-11-11.md +++ /dev/null @@ -1,16 +0,0 @@ -+++ -date = 2014-11-11 -+++ - - fécula de nossos ossos, - desta fricção de nossos ombros, - num laço de ouro - este beijo - carregado - - fécula de nossos ossos, - num saco de lixo - debaixo do cimento - tímida, sem adorno nem mármore, - carrega somente um pote de areia - e uma violeta imortal diff --git a/content/poesia/caminho-do-meio.md b/content/poesia/caminho-do-meio.md deleted file mode 100644 index 80322fc..0000000 --- a/content/poesia/caminho-do-meio.md +++ /dev/null @@ -1,9 +0,0 @@ -+++ -title = "Caminho do Meio" -date = 2013-05-10 -+++ - - o rio que ali passa - chamam de violento - mas ninguém chama violentas - as margens que o comprimem diff --git a/content/poesia/cisne-negro.md b/content/poesia/cisne-negro.md deleted file mode 100644 index 263488c..0000000 --- a/content/poesia/cisne-negro.md +++ /dev/null @@ -1,123 +0,0 @@ -+++ -title = "Cisne Negro" -date = 2013-07-30 -+++ - - existe algo de estranho - de punjante - anti-cicatrizante - - existe algo queimando - ardendo - algo no pulso - entalando as minhas veias - bloqueando meu curso - - consigo sentí-lo - por dentro dos vasos - rasgando seus lados - entupindo minhas teias - - meus alvéolos - cheios de sujeira - meu respiro agudo - minha fala rasteira - consigo sentir - a poeira - - esta trava em meu ser - permeando, esta cancela - por dentro - por fora, me estaca - a catraca - - sorvendo a minha dança - meu âmago mais forte e poderoso - o grito mais alto - minha mais quente caldeira - - a minha força ancestral - domada - a minha agência mais inata - subalterna - colonizada - - existe algo - me segurando entre o mundo - e de mim enquanto assunto - enquanto meu próprio tópico - minha mesma manchete - meu verbete - meu núcleo - existe algo - interpelado - um grão de areia dentro do relógio - segurando intacta a engrenagem - parada - cerrada - - existe algo - aqui - na minha frente - e dentro mim - por fora - e por dentro - - existe algo - algo sem nome - que não nomearam - algo me segurando - de mim - na minha frente - e às minhas costas - me segura - de mim - e me mostra - pra mim - me chacoalha - pra que eu veja - às minhas costas - - existe algo - aos poucos - matando o que de mim há - de amor - - matando o que tenho em mim - por carinho - - existe algo aqui - consumindo tudo que tenho - pra gostar em mim - - levando de mim a vontade penúltima - de viver como sombra - da minha própria tristeza - - existe algo - meu vilão mais fraco - segurando entre mim e meu crânio - minha libertação - - eu quero matá-lo - ele, que em parte sou eu - que é o externo - ou seu reverso - - eu quero - falhar - quebrar - esmaecer - no fundo - infinito - do abismo - até que não sobre dele - nenhum resquício - - existe algo - algo dentro e fora - algo que me separa - entre meu corpo - e minha aura - entre minha carne - e o ar que a embala diff --git a/content/poesia/cisnegacionismo.md b/content/poesia/cisnegacionismo.md deleted file mode 100644 index ac59d2c..0000000 --- a/content/poesia/cisnegacionismo.md +++ /dev/null @@ -1,10 +0,0 @@ -+++ -title = "Cisnegacionismo" -date = 2013-07-21 -+++ - - cardume de outro mar - peixe branco, sem escama - engole o lambari - não arrota - não reclama. diff --git a/content/poesia/cordillera.md b/content/poesia/cordillera.md deleted file mode 100644 index 47b42e2..0000000 --- a/content/poesia/cordillera.md +++ /dev/null @@ -1,24 +0,0 @@ -+++ -title = "Cordillera" -date = 2026-02-28 -+++ - - da janela - te vi em seu altar - esperando os erês chegarem - cercada de livros - e artefatos - de encantar papeis - - tua oferenda de água fresca - duas telas, uma antena ligada ao Mundo - pela qual você ia jorrar - tua voz, - teus olhos de afeto, - emanando letras - incorporada ali estava - uma Língua inteira - que você colheu, - cultivou - e estava pronta - para rebrotar diff --git a/content/poesia/daniel-na-cova-dos-leoes.md b/content/poesia/daniel-na-cova-dos-leoes.md deleted file mode 100644 index 0796a86..0000000 --- a/content/poesia/daniel-na-cova-dos-leoes.md +++ /dev/null @@ -1,19 +0,0 @@ -+++ -title = "Daniel na Cova dos Leões" -date = 2013-08-25 -+++ - - Dez caíram à sua esquerda - Nove caíram à sua direita - seu olho se vidra surpresa - frescor sem nenhuma beleza - a boca se abre em leveza - desejo e estupor se consomem - o retroalimento é o homem - que na sala se cala de gelo - o gelo por dentro a consome - e o rejeito lhe estoura o estômago - seu umbigo arde em refluxo - seu olho foge de medo - volta ao banheiro - a navalha do bolso desnuda diff --git a/content/poesia/esse-rio.md b/content/poesia/esse-rio.md deleted file mode 100644 index 640945b..0000000 --- a/content/poesia/esse-rio.md +++ /dev/null @@ -1,29 +0,0 @@ -+++ -title = "Esse Rio" -date = 2014-09-11 -+++ - - esse rio, - que pedra o dobra, - quais roupas lava? - onde deságua, - quem ele inunda? - o que ele carrega, - e o que afunda? - se ele me banha, - onde desnuda? - se tem duas margens, - quem é que as suja? - se é feito de éter - como chacina? - se é feito de gente, - por que cheira àgonia? - se tem gosto de letras, - quem as inspira? - se tem a cor do sangue, - quem o aglutina? - se há quem o estanque, - quem o instiga? - e pela força das horas, - se um dia ele aflora, - quem é que o termina? diff --git a/content/poesia/imago-subimago.md b/content/poesia/imago-subimago.md index 15e2287..12bd029 100644 --- a/content/poesia/imago-subimago.md +++ b/content/poesia/imago-subimago.md @@ -7,8 +7,6 @@ Talvez as luzes, a saturação quase nada, alguma fração de cor radiada. Quase Eu mesma talvez inerte, se não era explosiva, contida então era a intenção violenta. Dada a destampar os ralos e neles esticar as mãos para puxar os pinos das granadas. Eram isso... armas. Novas armas, novas formas de ser enganada. Este espetáculo tinha novos cartazes, nos anúncios e na linguagem, algo dizia outras cores, mas eram palavras passadas, estavam escritas num constante abstrato, constante no futuro, fingindo o presente ser passado, pronto a destruir ideias e tornar os muros mais duros, a Terra mais salgada, o ar já rarefeito como uma areia irritada. -Eu via como uma vespa, uma libélula, ou só a crisálida. Nesse ar que também é luz, onde eu me erguia e pisava. As minhas asas não eram a Liberdade, como se o chão fosse a prisão e o ar não uma outra água. Elas eram a força da minha vida, e uma breve chance de ser regenerada. Neste nanossegundo os meus nervos, seus seis sentidos, e os pares trançados: cibernese, telecinese, homeostase, um machado cortando as veias da testa de um criptofacho, clérico ou eco, consciente ou desavisado. +Eu via como uma vespa, uma libélula, ou só a crisálida. Nesse ar que também é luz onde eu me erguia e pisava. As minhas asas não eram a Liberdade, como se o chão fosse a prisão e o ar não uma outra água. Elas eram a força da minha vida, e uma breve chance de ser regenerada. Neste nanossegundo os meus nervos, seus seis sentidos, e os pares trançados: cibernese, telecinese, homeostase, um machado cortando as veias da testa de um criptofacho, clérico ou eco, consciente ou desavisado. -Uma vez pousada, como um nodo, um nexo onde todos os receptores fizessem o trabalho dobrado. Ali as minhas asas se encaixavam sob a casca e eu era como um besouro descolorido, o exoesqueleto condecorado. Alguns seres comem plantas, outros fungos, outros fezes, outros comem seres vivos, caçados ou parasitados. Cada um consciente: cogniza, percebe, considera e comparte. - -Alguns deglutem a sua presa. Outros mastigam e outros desfiam em pedaços. Uns devoram com ódio e desespero, outros agradecem e repartem. Estar viva não é um dom, nem um presente, nem o acaso. Há caos, vontade e violência. Nenhum perdão, nenhum destino, nenhuma nostalgia. +Uma vez pousada, como um nodo, um nexo onde todos os receptores fizessem o trabalho dobrado. Ali as minhas asas se encaixavam sob a casca e eu era como um besouro descolorido, o exoesqueleto condecorado. Alguns comem plantas, outros fungos, outros fezes, outros comem seres vivos, caçados ou parasitados. Cada um consciente: cogniza, percebe, considera e comparte. diff --git a/content/poesia/kathmandu.md b/content/poesia/kathmandu.md deleted file mode 100644 index 8cb7f54..0000000 --- a/content/poesia/kathmandu.md +++ /dev/null @@ -1,63 +0,0 @@ -+++ -title = "Kathmandu" -date = 2013-11-29 -+++ - - a whirlwind - spins - - my eyes are closed - as it spins - - it spins on top - of the fragile - flickering wings - of a long-dead moth - - a whirlwind - cold metal whirlwind - spins inside of my stomach - - my eyes are closed as I watch it spin - I can feel it - spinning inside of me - my stomach - unbearable discomfort - nausea - permanent cold unbearable discomfort - that is which spins - - it spins on top - of the fragile - flickering antennas of a moth - covered in dust - resting - slowly dying out after so long - - so long it was - when she died - the moth - two weeks old - - eternity overcame it - life was not bearable - - when the whirlwind came - spinning - the metal whirlwind - inside of my stomach - hurting and flickering - covered in dust - my stomach - resting - slowly dying out after so long - - two weeks - - I am fragile - my eyes are closed - as I watch - I’m cold - covered in dust - long dead - after two long weeks diff --git a/content/poesia/nomenklatura.md b/content/poesia/nomenklatura.md deleted file mode 100644 index 4477819..0000000 --- a/content/poesia/nomenklatura.md +++ /dev/null @@ -1,14 +0,0 @@ -+++ -title = "Nomenklatura" -date = 2013-02-04 -+++ - - para a gata, Vênus - para a criança, Muriel - para a bicicleta, Frida - para a revolução, céu. - - tudo eu nomearia. - tudo aquilo - que não sente - disforia. diff --git a/content/poesia/papel-manteiga.md b/content/poesia/papel-manteiga.md deleted file mode 100644 index e9ae5c4..0000000 --- a/content/poesia/papel-manteiga.md +++ /dev/null @@ -1,40 +0,0 @@ -+++ -title = "Papel Manteiga" -date = 2013-07-06 -+++ - - nua de tudo - olhei ao redor - as roupas - sem roupas - cem roupas - eu era o próprio redor - - senti medo - todo o poder - era meu desjejum - - todo terror - toda coerção - tudo podia; tudo era cascata e agressão - - nem amor, - nem destruição. - um medo patente sem delícia nem quente. - tudo era frio e escuridão. - - roubavam-me os olhos, e autogestão. - - os laços, - saudade. - os laudos, - escória. - - tudo queima na revolução - - (o lampião é o próprio vilão - a candeia é a própria desova - no incêndio, tudo é fumaça - gemido - lágrima - e canção.) diff --git a/content/poesia/poesia-ruim-numero-dois.md b/content/poesia/poesia-ruim-numero-dois.md deleted file mode 100644 index 983f106..0000000 --- a/content/poesia/poesia-ruim-numero-dois.md +++ /dev/null @@ -1,84 +0,0 @@ -+++ -title = "Poesia Ruim, Número Dois" -date = 2013-07-23 -+++ - -