+++ date = 2018-11-01 +++ a chuva rara na ladeira de pedra já são quatro horas no ritmo aflito dias de sol caveiras de açúcar e as horas mas já não são chuvas raras na pedra disforme da pele do morro porta adentro na terra do quintal a pedra seca desponta esfarela o morro e as mangueiras nas mãos o vermelho goteja de fruta no seu dorso da casa os meus olhos são como madeira sem verniz sem tintura disparam para o céu recôncavo na grama rasteira sou a formiga e o formigueiro ninguém de novo entre o falo e a faca quisera a cruz e a espada com a clareza da história sou eu de novo — como um fantasma vertebrado por acaso olhos no prêmio memórias de mitos encartes em chamas na minha virilha vazia ralas lembranças natais em família teria já deixado este mundo? de novo no rastro fácil da cobra o vício me fecunda e desova são dobras curvas e fracas no cimento impreciso sob o falso piso de ardósia