+++ title = "rotina" date = 2021-02-05 +++ -------------------------------------------------------- vibe neuroatípica - siempre! - anticapitalista -------------------------------------------------------- pressa, pressão — uma mesma raiz da qual não nasci pressa, pressão... uma mesma raiz da qual não nasci pressa, pressão... uma mesma raiz da qual não nasci pressa, pressão... uma mesma raiz da qual não nasci pressa, pressão, produção... uma mesma raiz da qual não nasci pressa, pressão, produção... uma mesma raiz que abati grita, cistriarca é a hora do seu espanto raiva dobrada cobrada não será mais meu o pranto afeto contrapiso no canto da parede tapo meus ouvidos não por não querer saber mas por ter tão abertamente até aqui sabido em excesso ter me dado a receber tantos ditos pelos olhos também tanto ter recebido privilégios achados separando meu lixo é momento de estar já mais que desaprendido não guarde a cala não porque assim aprendeu assim deve ser mantida não há desculpa ou uma só causa para os fatos desta vida não espere nada de um rosto não espere que se mantenha tranquilo ou alegre sequer o observe deixe ser rosto contorcido deixe falar o imprevisto deixe reclamar e xingar é um mimo estou falando comigo não recua não revoa deixe ser tudo sentido o próprio sentido não arrume nem cuide em excesso pois quem ama em excesso machuca não tente dar-lhe constante benefício como vai saber você o que é bom ou ruim para algo distinto? se é hora desse rosto sorrir ou chorar? só o próprio rosto sabe disso estou falando comigo deixe ser rosto a ouvi-lo ouça somente mesmo que não puder ter seu dito ouvido e recuse a ouvir se passar do seu primeiro limite e não do terceiro ou de algum que já esteja tão atravessado que nem se pode pedir que se explique é uma quase invisível linha que separa o soco no rosto de um passo de bailarina no tempo pode sempre perder a medida diga mais firme argumente e responda mas alinhe uma palavra gruda na outra o ouvido neurotípico é intolerante a pausas e pensamentos altivos quer ser respondido imediato desejo convulsivo não é a altura do grito não espere ser reconhecida não espere respire sua calma é digna não é burguesa, acorde bicha os ricos estão ansiosos dormem rivotril acordam cocaína compram panetones pra engolir patologia e pobres nadamos no recalque e na dependência autoagressiva... não deixe que patologizem a sua única saída sua calma, é fina flor orgânica, atóxica, pura resina é por necessidade por sobrevivência não é calma para ser guardada é para ser dividida é seu dom sua unção seu passo lento sua mão inveloz no veloz vento é pura salvação em um mundo que engole engole e te engole primeiro porque lenta é a sua pisada atípica torta para a esquerda pisa do rosto que instantâneo responda também deixe a palavra ser sentida demora até que fique cozida só diga e mantenha seu dizer não espere ser sempre acolhida não espere que sempre valide seu dito só diga e repita rearme, repique vai falando consigo a máscara brilha lisa e polida lute a luta de expelir essa dor ou transmutar ou sublimar em uma planta viva então diga sem remorsos não é culpa! é raiva pura de pura cura soro y antídoto destilada e reduzida há tanta gente que jamais sente essa dor por mais que se cutuque a ferida que nem liga não sente o que sente a bicha mas rápido exige de quem? que seja empática e compassiva pois... um só grão de arroz ~ ~ ~ ~ muda mesmo - verbal mesmo - fala mesmo exorcise fale vocalize estranha palavra autista espaçada, demorada, antianalítica pura paranoia sem reputação sem malícia são transtornos do apego atrasos no desenvolvimento pânico! constante déficit da sua atenção repartida são estresses pós-traumáticos um infinito de diagnósticos tortos e atrasados afaste - não subserviente seja - diga segura insegura entre um polo e outro solte não olhe nem regule não se hiperrresponsabilize - ofereça segurança não cobre que não vinga com afeto tranquila ira irradia bandeira parada no vento tanto respira mesmo sem sorrir o bom transpira não é um dia após o outro se a morte é rotina cada dia sentindo-se um pouco menos viva... sinto vindo o dharma não-binário de mil pandakas cuspindo nas robes douradas intactas de um arahat horrorizado — blasfêmea aziátik assim nasceu maitreya jogando molotovs no Estado sonho... sonho um sonho sonha e realiza agora Tara te abraça não separa transparente verde a saia de debaixo do suco de carne e de livros que um titâ recolheu em seu encarte depois de mil anos curtindo soterrados por páginas tão carregadas os corpos de um mil anarquistas adiante! não é comando para ansiosa julgar-se essa poesia já lutou o suficiente para não ser apagada garantida agora é a hora de lutar mais ainda! fazer a coisa herdada ser sentida ser vivida pois está morta se apesar de que respira comendo não sente o gosto da comida