+++ title = "Angélica 215" date = 2019-11-09 +++ de novo no rastro e na sombra meus tiros todos em cheio e ali vejo falsas soldados no parapeito atirando na contramão eu luto e desafio fantasmas meus seios vazios de novo se enchem de esperança de graça de força e fogo desordeiro as crianças juntam as mãos oram e agradecem é assim que une-se a elas a mão quente do deus da guerra e o Tempo e o rio de lama vermelha e a gota de chuva ácida na telha são soda ardente na minha garganta que azia depois os olhos se vão como fendas no campo de centeio eu sempre no meio fazendo a cerveja com as mãos entro na água e ligo as bolhas seu corpo é como o maior dos guardiões me esconde e estapeia num acordo eu acordo de novo é a tua íris brilhando no escuro assim nem preciso ver nem preciso dizer explicar só o sorriso mesmo é você que me arranca daqui deste mundo pequeno falando finalmente a única língua que eu aprendi