+++ date = 2022-12-28 +++ não vou carregar meu ser não vou tentar consertar remoer linha nenhuma ligando esta morte e a próxima só deixar morrer cada novo nascimento sem chorar só navegar no tempo sem medo do apego de pisar formigas esmagar baratas escondidas atrás da pia a ânsia de sair de casa comprar abobrinhas com agorafobia a única continuidade está entre essa e aquela poesia os riscos me lembram de viver sem alma lembrando do que resta abstrato, concreto, sem essências só o que importa por pura necessidade um coração aflito não precisa ser limpo nem puro nem ungido para abrir não precisa ser curado pode ser tratado não poderá talvez ser ressignificado precisará desaprender não poderá talvez ser transformado precisará desencontrar o começo o lugar onde falava sério foi o que buscou e evitou todo o percurso era da onde queria fugir a todo custo e onde desejou chegar com toda sua força o lugar onde deitar e saciar a fome onde sentir comunicação escuta compreensão reconhecimento o espaço onde tivesse seu próprio ritmo onde desse as mãos ao Tempo o lugar... paraíso neste mundo, esta vida onde essas palavras foram lidas e digeridas sem o propósito de fazer crítica de avaliar qualquer julgamento tecer só teias transparentes linhas onde pudesse ser acolhida da sua queda livre não borboleta -- traça dentro de livros e roupas velhas um longo inverno neste casulo surtiu efeitos