+++ date = 2015-01-28 +++ Qual nudez mais completa, mais absoluta onde houvesse só o desejo – nem de longe nada de pessoal onde não houvesse impressão a passar a ninguém nem sequer um espelho, um só reflexo do Sol contra meu corpo refletido intenso no azulejo preto dessa parede qual nudez, absoluta? sem que houvesse qualquer identidade, nenhuma casca de nenhum sabor onde não restasse qualquer nome, qualquer eu, onde não tivesse o que querer demonstrar, nenhuma forma de fingimento, nenhum apego – próprio ou alheio qual nudez absoluta? com quais dedos, com quais letras ou joelhos, posso despir essa nudez? como se chega, como se toca, nas intimidades dessa falsidade? esse honesto ilusório, este rosto ingênuo, frágil, que engolisse toda luz que lhe chegasse