+++ title = "Outro Portal" date = 2020-02-20 +++ **um**
o ódio abre todas as portas eu uso meu ódio pra fazer remédios amargos antídotos com a pele de sapos com o ódio também se pode fazer veneno e defender-se até matar eu uso meu ódio pra fazer remédios amargos antídotos pra mim mesma tomar quando não estão prontos às vezes derramo por isso reclamo o espaço total o ódio abre todas as portas
**dois** a bruxa boa de novo se acendia até que algo distribuía mas veio a bruxa ruim puxou sua fantasia de bruxa do bem ela já se conhecia nasceu contentada-indignada rainha foi criada todo dia no fogo amargo mental alguém disse a palavra família lavaram com doutrina qboa creolina mas era bruxa do mal nascida de outra igual o olho dela é que dizia pisando e cagando em cima do estado episcopal triunfos tambores cantorias lanternas alegorias sorriso ancestral calma força que por dentro tremia sua montanha cervical nada há que apague que introjete um veneno nada universal nem patrícias nem milícias nem a letra nem a ordem nem o soco do machote nem o grito alto volume de quem ama o controle acima de todas as coisas nem mil cisões e faixas nem toda a força moralista cancela é velharia que venham mais mil atos há tanto a derrubar façam cumprir suas profecias desafio seus deuses de supremacias sua pureza angelical seu silêncio de vergonha pura vergonha sexual de cima dos seus saberes que estão mortos mortos e só quem já morreu pode ter crise existencial saia desse ciclo intelectual a dúvida é filha do silêncio falar não é só gritar não basta falar se não ouvir ou pensar ouvir com a boca pensar mantendo-se louca ação imediata o olho que olha também tem memória visual não é instrumental o corpo não é máquina digital é acesso real vulneráveldefensávelemocional cada parte é integral cortou a ligação não tem igual não desperdice se você vive vivavivaviva não escolha um só lado ainda é pouco o que chamam de transcendental carnalespiritual viva teus joelhos e seios seus dedos e os seus ombros o osso na carne é primeiro pede agora a vida viva é de agora a viva vida toda censura é ficcional coma a comida sinta o gosto do açafrão sinta o gosto pimenta tropical você merece o bom não fique com o bem: a culpa nos suga os real vão te chamar: egoísta! é o lado do mal fico como uma garrafa vazia esperando ajudar na alquimia o poder é fatal segura esse fornão estamos aqui preciso me concentrar retomar os trabalhos do cuidado fechar o que foi aberto abrir o Outro Portal mesmo que se esqueçam eu vou me lembrar te lembrar no meio do tufão bandeira parada nunca fui inocente de nada vaidade natural vacina contra o romantismo colonial criminalização fundamental básico institucional é o amor estatal pra abrir esse tanto de coração sem fronteira querendo federalizar a dor emocional não tem nada a ver com par é sobre reatar o laço é lateral nada essencial segure o seu fôlego e a sua alegria dança primordial encontre a verdade pule o muro desse labirinto ideal é o sintoma somático desde a carne até o beiral do que vai adiantar negar amor se for pra viver qualquer outra coisa tão platônica e acidental? solta a minha mão me deixa ser animal na clínica roleta russa só achei linha sem ponta agulhas atravessando o dedal molde de papel dobradura imperial pra quem queria sangue essa mente está velha velha como a paciente no gramado do caps olhando olhando íris vazia morte cultural estou: alegre como o Fogo consumindo tudo no entorno e no centro deixando só cinzas de deleite contentamento satisfação muito maior que esse perfeccionismo pretenso inter sec cional faço marcas na parede cinzas que o vento suga nesse espaço cerimonial formas sem beirada trazendo cheiros da Terra Intacta sumindo e zunindo sou toda calor todo o magma desse mundo numa única espiral