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Juno Takano 2025-09-21 15:47:55 -03:00
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24
content/poesia/10138.md Normal file
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+++
date = 2021-01-15
+++
Inspira e respira \
penso e penso e penso e a penseira às vezes é \
uma poça de julgamento onde só nadei e não joguei para fora \
mas agora \
tantas prometidas formas de quebrar o ciclo dessa roda \
que demora \
esperar a idade ou a maldade não é nada \
saudades são coisas rasas quando sei da importância trocada e destrocada \
Obrigada? \
quantas poesias destravadas \
pra cada palavra que de azeda ou amarga amadurece até que caia \
é terra pisada ou o chão \
onde queima a chama de uma vela que chama \
chama chama \
raio trovão mas chuva de bençãos nas mãos dessas corpas sem paradas \
sempre indo e voltando \
mando e mana \
a poesia toda manda: \
Envia a chama \
_e chama_

42
content/poesia/10144.md Normal file
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@ -0,0 +1,42 @@
+++
date = 2021-01-22
+++
não passo,
atraverso
piso e cada passo é um reverso
a pisada pesada
ou apressada
me lembra de reverter esse deslize
respira de novo
como no outro poema
lembra?
sem linha de chegada
pisando na rua sempre chego
na mesma cidade ocupada e volto
com uma só pedra no meu pescoço que brilha
brilhos
que só nesses quatro olhos se acham
então não passo
atravesso
lembrando
que era lenta caminhada
de quem quer chegar mais longe
do que anda um carro
ou sua carcaça toda enferrujada
no tempo futuro vejo:
ela sobre a cabeça desse deus de guerra
piso
e a minha boca cospe
véus em chamas
onde acendo
incensos para Verde Tara, A Mais Rápida
que plana
desliza achando
suas chaves na grama
mesmo que estoura
são chinelos e óperas de arame
falsete, alto contralto
alguém olhando
sorrindo ou chorando
deste ou daquele lado

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@ -0,0 +1,168 @@
+++
title = "Eterno Retorno"
date = 2021-06-05
+++
<center>
**一**
</center>
O Tempo, Senhora, são as falas mornas
nem quentes, nem frias, nem chocas
O Tempo, Senhora, é também o silêncio
é o Espaço Calado
impreenchível
irreversível
passando do passado ao passado
O Tempo, Senhora
não aguarda
não se demora
não conhece inocência nem perdão nem justiça nem verdades
não tem valores
cria e destrói sem grandes sentimentos
sem palavras
O Tempo, Senhora
desconhece análises
concretas ou psíquicas
abstratas ou científicas
O Tempo, Senhora
não lê poesias, não faz filosofia
passa como uma onda, e como uma onda se desdobra
não tem intenções
não sonha com revoluções
não assimila nem liberta
está passando,
O Tempo, Senhora
da linha de lá até o agora
não posso vacilar...
nunca vou te alcançar
e não posso
<center>
**二**
</center>
Já faz um tempo que as palavras foram refeitas, e eu não tenho mais a intenção de retornar. Eu já morri, e quando morri da primeira vez, me lembro, já tinha que abandonar a ideia do retorno. Não há nada de especial ou de particular nesta vida, e não há também outra vida além desta. Ela é única, mas para ser vivida como única é preciso um esforço comum, neurótico, recalcado.
Detesto o intelectual iluminado. Místico, distante, psicológico, ausente do seu próprio corpo, sempre cuspindo vinte livros de distância de cima dos quais te olha falando, falando, falando, falando, falando, falando...
Quem lê tanto assim? E até quando?
O Tempo, Senhora, acabou
começou a correr, sem parar
e não parou mais
Eu já senti tanta vergonha que ela começou a me dar asias. Mas foram anos de asias até que finalmente começasse a conseguir vomitar. Não terminei ainda. Eu não quero escrever como quem se desculpa, porque tudo está explícito em cada linha. Se não estiver, do que adiantou tê-las colocado no papel? Toda poesia é um nu. Nu é o retrato do corpo só corpo, e se for mais ou menos do que isso, será mística.
Nudez, nudez absoluta...
Contra todo mistério, essa poesia serve para mostrar que nada há de verdadeiro, nada há de belo nem de duradouro. Não há nenhum valor ao qual se ater. Não há nenhuma liderança ou processo ou coletividade organizada, raciocinada, que irá vir salvar e dar solução ou resposta. Tudo isso é vício texano, são drogas exportadas em açúcar e revertidas como pequenas drágeas de sexo em pó, que pela lente da câmera eu vendo sem agonia. São olhos gringos cheirando a minha cocaína.
Eu não escrevo mais avisos, não estou mais conseguindo. Cada músculo que mexo dispara um outro gatilho. Eu tenho vivido. Vivido no limite, entre uma narrativa e outra, eu estou lutando pra acreditar que sei o que eu mesma vivi e o que eu mesma sinto, mas até hoje se for dizer a verdade, a verdade é que não consigo.
Odeio desígnios de vítima. Quem vitima, quem vitimiza? Quem vai decidir onde riscar a linha?
Muito ajuda quem não analisa.
Isso não é sobre
a expectativa neurotípica
sempre buscando
o meio da pista...
<center>
**三**
</center>
O Tempo, Senhora, é uma carta para o nada. Perdida. É o medo de falar, que mesmo rompido, não leva a resposta alguma. É a dura punição de solidão por não ser expressiva o suficiente. É alguém dizendo que sua timidez ou insociabilidade são compreensíveis na lente externa mas ainda carentes, carentes de alguém que lhe traduza Freud ou algum outro homem morto. Minha história é a desta linha solta no labirinto, que está amarrada a um prego na parede, lembrando-me, dos parafusos calados em cada casa que deixei pra trás pra acreditar em quê, na imortalidade, na ressurreição, no renascimento.
Sabe, queria muito entender. Ou ouvir que o poético ainda está vivo e pode ser trocado. Seria profundamente poético ouvir que isso é uma nostalgia barata que merece e deve ser esmagada. Mas nada é pior do que sentir-se ao mesmo tempo amada e sozinha. Nada nessa vida nos basta. Nem deveria. Tudo é sobre ter sua linguagem reconhecida, e nenhuma dignidade disso escapa. Não é sobre respeito, mas sobre libertações outras, que nenhuma teoria poderia guardar nos seus bolsos.
Ninguém pode representar ou ter sua realidade representada
A representação é o inverso de qualquer realidade
A realidade é única, e mil vezes única vai sendo multiplicada
impossível
não dizer nada
impossível
dizer o que basta
Eu tenho fogo
tenho
fogo
para acender fogões
órbitas solares, daimaru
no vento a bandeira parada
São,
memórias...
Eu posso
explicar os convites
poderia
me sentar e dizer por que
estou triste
mas nada trará alegria enquanto
a poesia não puder ser plantada
ainda que uma só linha trocada
deixar ser
coisa viva que escape
à sua história cristã de batalhas
batalhas batalhas batalhas
arte meritocrática
poeira estelar
uma mentira vendida
é uma mentira comprada
<center>
**四**
</center>
Autenticamente o quê? Autêntica é a binária. Autêntica é a ponta fixa da linha rígida, forma triangularizada. Ser hoje autêntica e amanhã me liquefazer em um suco de ambrósias douradas, sou essa espinheira que nasce e dá em tudo quanto é lugar sem querer nem assinar o papel onde cuspo minha bile amarelada. Não tenho o que expressar, sou a negação da negação no conjunto irreal a quadrática. Estou riscando nas paredes, entupindo cápsulas. São só ensaias, ensaias que talvez entravem a anglofonia, monotônica cacofonia onde uma ludista faz sensores e placas.
O Tempo, Senhora, não vai do um ao dois e do três ao quatro. Cinco ainda é um número binário. Não há ciclos perfeitos, nem quadrados equiláteros. Nada é preciso, nada é exato, e o que eu digo hoje já foi mais que atestado; mas o problema está mesmo entre as orelhas e as ondas que encontram respaldo. Tudo está sendo multiplicado. Hoje não posso mais escrever tanto porque estou recebendo junto a vinte e nove pares o que foi a antes demais trinta já passado.
Percebe a espiral se abrindo sem nenhum tato?
Poema verborrágico, prosa do diabo.
<center>
**五**
</center>
Deixo de dizer. Eu leio e logo me canso. Faço esboços e me decido sempre ao combate. Era preciso muito mais tempo, algo como quarenta horas em um dia talvez chegasse.
Otimistas, produtivistas, psiquistas, toda sorte de quem seja que tente travar guerra com seus onis. Eu me pergunto sobre suas neuroses e recalques, quem é que analisa? Não faz sentido que façam sua própria análise, precisavam de um espelho niilista onde o reflexo se riria. Recuso seu otimismo, a vergonha de ser egoísta, acho de um tédio profundo a sua repetição. Como chamam isso de saúde? Para mim são dependentes de uma imersão religiosa profunda.
Planta antiga
précolombina
semente preta,
nítida, límpida, lúcida
não se comove com salvadores
não espera pela vinda não escuta promessas não quer ter dons de línguas
nasce e frutifica
sempre selvagem
nunca juíza
aparta
aproxima
nos rios que nos ligam
não tenho medo do que é sagrado
não reconheço o divino
no que é limitado
olho
para o encontro
e agradeço por ter te encontrado

192
content/poesia/ranco.md Normal file
View file

@ -0,0 +1,192 @@
---
title: "Ranço"
date: 2021-03-07
categories:
- "poetica"
---
Ranço eu também tenho
da máscara
como me desgasta...
Ranço tenho
da indiferença
da insensibilidade
da colonialidade
da branca
cômoda
hipertípica
hiperpsi
psiquiátrica normalidade
repito
que tenho direito
à identidade
à dignidade
a acessar epistemes
fora deste legado raso
quando falo deste meu
e não do teu
acho que curo
me curo
procuro
repensar com quem falo
quem no futuro também como eu
se ler
sentirá como alcançar-lhe?
medo?
do medo
só do medo
do pânico
da dúvida
do engano
de passar muito mais que pano
pagar o preço
sem medo
corpo nu
solto
e do avesso
todo olhar é estranho
todo dia uma puberdade inteira eu cresço
atacar é bom
é bom subir o tom
defesa passiva
empatia lisa
não me ativa
eu não entendo brincadeira
minha malícia é reversa
nadando contra cheguei numa encosta que é longe
se espante
me olhe estou tensa
ansiosa espremida
estava apagada a luz da minha vida
mas aqui colocada tenho cada chave da minha própria saída
entre uma tela e outra tento ler sutras na janela
escrevo na parede
e vaza
respinga a tinta amarela
não ando sozinha nunca estou
sozinha
minha vida é a sua vida
você terá que mudar recuso-me a te atacar vou queimar livros pra estourar pipoca pra saltear ervilhas
bicha duvida?
faço vacinas com um veneno que não achei alguém que aguente se explica
então aqui fica
me evita
tudo me indica
que devo pensar não só acredita: a crença é só uma outra linha
me deixa ser minha
quero ter só o que sei que preciso
cuide do que é seu e assim vamos ter o que cuidar quando nascerem flores dos nossos ovos chocados com
fé na pandaka autista
quebrando preceitos
na contramão
traduza a voz
da bodhisattva antibinária maitreya no útero de uma mulher travertida
que traverteu a água onde atravessam homens perdidos
héteros pecados fascistas
binária protobiologia
segura essas palavras são minhas
se não ouviu ainda essa voz então repita
imprima
quantos anos precisamos voltar essa fita?
regrida desfaça e agora está viva
sinta o sabor da comida
justificações
explicações
não interessam
não sou juíza nem polícia
não cobro pecados
não mando pro inferno
invado e rasgo
dos portões os cadeados
não roubo mais
do que carrego
tão infantil
falar como me sinto
regredir
sinto
só sinto
não há nada para explicar
só sentir
se ouvindo
nada para resolver
só ouvir
e sentir de novo
lido e relido
não religo
nada foi interrompido
pra que falar
como me sinto
se só me repito?
pra que escrever
uma só letra
se anatta?
melhor seria
cortar apagar matar
essa voz insuportável
querendo expressar-se
defender-se
existir
existir
quem quer prevalecer?
mato
quem quer o controle e a perfeição?
mato
para quem nunca está bom?
mato
o mestre dourado no trono sentado
mato
buda
mato
o pecado
meu capricho e orgulho
mato
meu limite atravessado
todo autocuidado limitado
mato
minha desorganização meu não-espaço
mato
meu tempo parado meu desentendimento
mato
essa episteme imposta
essa identidade
escolhida por um macho
mato
com a minha dignidade o que eu faço?
me abraço
choro do seu lado
pra quê?
seu choro é um pedido
pra continuar a ser e sofrer
pago
nesse ritmo cansado
sobrecarregado
planto
para comer
pancs que recolho do mato
é banquete
engrossa
ferve de novo o caldo
e repasso
_segunda, 15 de fevereiro de 2021_

305
content/poesia/rotina.md Normal file
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@ -0,0 +1,305 @@
+++
title = "rotina"
date = 2021-02-05
+++
<span class="mono">
--------------------------------------------------------
vibe neuroatípica
- siempre! -
anticapitalista
--------------------------------------------------------
pressa, pressão — uma mesma raiz
da qual não nasci
pressa, pressão... uma mesma raiz
da qual não nasci
pressa, pressão... uma mesma raiz
da qual não nasci
pressa, pressão... uma mesma raiz
da qual não nasci
pressa, pressão, produção... uma mesma raiz
da qual não nasci
pressa, pressão, produção... uma mesma raiz
que abati
grita, cistriarca
é a hora do seu espanto
raiva dobrada cobrada
não será mais meu o pranto
afeto contrapiso
no canto da parede
tapo meus ouvidos
não por não querer saber
mas por ter tão abertamente
até aqui sabido
em excesso ter me dado
a receber tantos ditos
pelos olhos também
tanto ter recebido
privilégios achados
separando meu lixo
é momento de estar já
mais que desaprendido
não guarde a cala
não porque assim aprendeu
assim deve ser mantida
não há desculpa ou uma só causa
para os fatos desta vida
não espere nada
de um rosto não espere
que se mantenha tranquilo ou alegre
sequer o observe
deixe ser rosto contorcido
deixe falar o imprevisto
deixe reclamar e xingar é um mimo
estou falando comigo
não recua
não revoa
deixe ser tudo sentido o próprio sentido
não arrume nem cuide em excesso
pois quem ama em excesso machuca
não tente dar-lhe constante benefício
como vai saber você
o que é bom ou ruim
para algo distinto?
se é hora desse rosto sorrir ou chorar?
só o próprio rosto sabe disso
estou falando
comigo
deixe ser rosto a ouvi-lo
ouça somente mesmo que
não puder ter seu dito ouvido
e recuse a ouvir
se passar do seu primeiro limite
e não do terceiro ou de algum que já esteja
tão atravessado que nem se pode
pedir que se explique
é uma quase invisível linha
que separa o soco no rosto
de um passo de bailarina
no tempo pode sempre
perder a medida
diga mais firme
argumente e responda mas alinhe
uma palavra gruda na outra
o ouvido neurotípico
é intolerante a pausas e pensamentos altivos
quer ser respondido
imediato desejo convulsivo
não é a altura do grito
não espere ser reconhecida
não espere
respire
sua calma é digna
não é burguesa, acorde bicha
os ricos estão ansiosos
dormem rivotril
acordam cocaína
compram panetones
pra engolir patologia
e pobres nadamos no recalque
e na dependência autoagressiva...
não deixe que patologizem
a sua única saída
sua calma, é fina
flor orgânica, atóxica, pura resina
é por necessidade
por sobrevivência
não é calma para ser guardada
é para ser dividida
é seu dom sua unção
seu passo lento
sua mão inveloz no veloz vento
é pura salvação
em um mundo que engole engole
e te engole primeiro porque
lenta é a sua pisada atípica
torta para a esquerda pisa
do rosto que instantâneo responda também
deixe a palavra ser sentida
demora até que fique cozida
só diga e mantenha seu dizer
não espere ser sempre acolhida
não espere que sempre valide seu dito
só diga e repita
rearme, repique
vai falando consigo
a máscara brilha
lisa e polida
lute a luta de expelir essa dor
ou transmutar
ou sublimar
em uma planta viva
então diga
sem remorsos
não é culpa!
é raiva pura
de pura cura
soro y antídoto
destilada e reduzida
há tanta gente que jamais sente essa dor
por mais que se cutuque a ferida
que nem liga
não sente o que sente a bicha
mas rápido exige de quem?
que seja empática e compassiva
pois...
um só grão de arroz
~ ~ ~ ~
muda mesmo - verbal mesmo - fala mesmo
exorcise fale vocalize
estranha palavra autista
espaçada, demorada, antianalítica
pura paranoia sem reputação sem malícia
são transtornos do apego
atrasos no desenvolvimento
pânico! constante déficit da sua atenção
repartida
são
estresses pós-traumáticos um infinito
de diagnósticos tortos e atrasados
afaste - não subserviente seja - diga
segura insegura entre um polo e outro solte
não olhe nem regule não se
hiperrresponsabilize - ofereça segurança
não cobre que não vinga
com afeto tranquila ira irradia
bandeira parada no vento tanto respira
mesmo sem sorrir o bom transpira
não é um dia após o outro
se a morte é rotina
cada dia sentindo-se
um pouco menos viva...
sinto
vindo
o dharma não-binário de mil pandakas
cuspindo nas robes douradas
intactas
de um arahat horrorizado — blasfêmea aziátik
assim nasceu maitreya jogando molotovs no Estado
sonho...
sonho um sonho
sonha e realiza agora
Tara te abraça não separa
transparente verde a saia
de debaixo do suco de carne e de livros
que um titâ recolheu em seu encarte
depois de mil anos curtindo
soterrados por páginas tão carregadas
os corpos
de um mil anarquistas
adiante!
não é comando
para ansiosa julgar-se essa
poesia
já lutou o suficiente
para não ser apagada
garantida agora é a hora
de lutar mais ainda!
fazer a coisa herdada
ser sentida ser vivida
pois está morta se apesar de que respira
comendo não sente
o gosto da comida
</span>

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