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Juno Takano 2025-09-21 15:17:28 -03:00
commit ebdb37d629
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@ -0,0 +1,89 @@
+++
title = "Cachoeiras"
date = 2020-01-18
+++
depois da meia-noite \
sugo as letras até o silêncio \
expulso os anjos e santos \
exorcizo de deuses e espíritos a terra \
e dela nasce a morte de novo \
a morte morna \
a morte presente \
morte com a qual \
sabe-se fazer parte \
morte que não \
se traduz em ansiedade \
a morte próxima \
a morte ao lado \
e vendo \
sempre sendo reexposta \
à dualidade \
ideia podre de pecado \
é o entrave \
queria não ver pastores \
não falar ou reclamar de igrejas \
preferia \
mas quando estão te ateando fogo \
e você arde em gasolina \
quando seu som e o seu papo \
é considerado por demais _pesado_ \
quem diria... \
é triste saber que não querem ouvir \
uma mensagem tão tardia \
e preferem portanto \
que alguma história seja repetida \
preferem crer \
no formato já dado ou algum mero reparo para fins de convívio diário mas nada que realmente derrube os portões \
estoure cadeados \
foi esta morte ansiosa \
que matou a poesia \
a botou a discorrer \
sobre as notícias do dia \
mas as guardiãs se lembram \
e acordam todo dia \
repetindo \
pra que a aresta da faca \
sempre fique fina \
é \
alguma luz \
luz que atravessa \
escreve e recita \
dizendo: _tudo bem ter medo_ \
fazendo o ninho de espetos \
que por dentro de fato aninha \
dizendo: _é bom ter um meio_ \
_de poder se defender \
escreva para alguém mas \
escreva pra você_ \
eu \
sempre me desfaço \
mas por ser necessário \
infelizmente é caro \
mas porque quem cobra é ela \
a morte senhora \
e para ela \
o fio é um só \
pague todo o preço não deixe \
se perder contando as bolas de um terço \
não deixe \
sobrar nem um pedaço porque vai se arrepender \
olhe no rio não são espíritos soprando no teu ouvido são \
os olhos da vida olhos da morte dizendo-te pra quê \
escolha por entre os fios confusos e ache o final \
quem está lá \
pra dividir contigo \
na vida real \
o peito cheio de ar e então \
saber disso, pronto \
diziam assim: _pronto_ \
lembro e lembrar é onde começa \
é real \
só nota de fato \
diga que eu falo \
não perca a memória \
que a língua é que aprende \
coloca e consome \
o quanto de sal \

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@ -0,0 +1,6 @@
+++
date = 2020-01-22
+++
eu acho jóias
na noite preta

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@ -0,0 +1,17 @@
+++
date = 2020-02-05
+++
falta
necessidade
amor acabado
antes do início
amor como pão
dividido:
amor conversa
amor anti-amor
um mimo
seu martelo
no meu idealismo

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@ -0,0 +1,95 @@
+++
date = 2020-02-11
+++
jogando ácido
e não bebendo
guardando fora
e não dentro
antes louca do que ajustada, sim
mas por vontade e potência
e não por culpa
achando
e não procurando
exibindo
e não consertando
porque
basta o que estou fazendo
eu mesma sei
quando me canso
ser consolada
dar consolo
pode ser também uma forma
de voltar sempre ao mesmo ponto
não quero alimentar esse sentimento
romanticristão
desde Roma
bandeira fincada
bandeira em chamas
bandeira na mão
não vim ser nada mais
que isso
uma fogueira onde arde
todo idealismo
se houver amor
que seja um amor feito do reverso disso
brotado dos túmulos
por dentro dos muros
caídos
não é amor ressuscitado
mas amor nascido
amor mutação
escolha do tempo fruto da ação
da terra molhada amor que não foi
invenção
calaboca
amor silêncio pra arrastar os dias
amor silêncio pra contar as notas e os pratos
amor silêncio motor ansioso murro na faca de dois gumes
amor auto-ódio auto-amor invertido
amor que prepara o descarte
ao não ver
o sujeito vivo
amor que não leva a sério
cada sintoma gravíssimo
amor que já foi
vendido e revendido
amor que não vê
futuro
amor como uma caixa onde não cabe
nada de negativo
nenhum pedaço desse ódio
que eu sinto
eu sinto
em mim não há só dois polos mas se nem isso
couber em um amor fixo
não quero
grandes verdades quero
apenas isso
ler o poema e sentir
alívio
mesmo passando por dentro
do túnel incrédulo
aos risos
por cada dedo que se aponte
eu divido
mas uma vida inteira não cabe
em um único ouvido
acabei de chegar
e já estou indo
dor é só
romantismo
não tem nada
de recíproco
pedra dura
no caminho
forrado de panos
para o teu pé mordido
tome destas letras
o teu poder divino
é vivo
sorriso incontido
forte calor sugando
a parede
a fundação
e o teto de vidro

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@ -0,0 +1,5 @@
+++
date = 2020-02-12
+++
![Fotografia em preto e branco de uma porta e janela vistas de dentro. Fios e plantas são visíveis do lado de fora. Um filtro na fotografia a torna apenas linhas grossas com poucos pontos de luz.](/images/cidade-kemel_2020-01-30-16-07-36.jpg)

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@ -0,0 +1,29 @@
+++
title = "Como se ajudar a mergulhar"
date = 2020-03-07
+++
<em>
prenda o ar
a brisa passar
</em>
as igrejas
cresceram
e os deuses ficaram
pequenos
pegue essa poesia
desfaça
despedaça
cria do novo
outra coisa viva
<em>
ensina a mandar ensina
a obedecer
</em>

View file

@ -0,0 +1,6 @@
+++
date = 2020-03-30
+++
_esqueceu-se do que buscar e trouxe_ \
_um milhão de coisas boas_

View file

@ -0,0 +1,25 @@
+++
title = "Área de Acesso aos Quartos"
date = 2020-03-30
+++
bancada em pedra preta com cuba dupla de metal
parede do lado direito com armário de cinco portas
duas delas
espelhadas
porta de correr em vidro opaco
muro timbrado
porta de correr com fechadura de metal para
o corredor lateral
piso em pedra portuguesa
dois vasos de plantas
dois canteiros com terra
dois ralos de metal
paredes em grafiato na cor marrom com
algumas manchas
tampa no chão para instalações
armário externo de metal
balcão em pedra preta com dois buracos de cano tapados
e uma válvula
mais acima
um gancho parafusado

127
content/poesia/ccdoc.md Normal file
View file

@ -0,0 +1,127 @@
+++
title = "CCDOC"
date = 2020-02-01
+++
<center><strong>
CCDOC<br>
ou<br>
Ideogramas<br>
</strong></center>
cansada
de ignorar sinais
cansada
de ficar calada
cansada
de ter a dor alimentada
consolada
cansada
de ver a vida ser cena
reencenada
de ser
subestimada
cansada
de ser fada
cansada
de amar
cansada
de ser amada
cansada
de ser endividada
pelo crime
de contar as valas
quem deve teme
quem teme obedece
e fica também
imensamente
cansada
paralisada
imobilizada
sempre flagrada
fazendo nada
não vale a lata
da pá que cava a vala
cansada
mesmo andando
está errada
confusa ela está
cansada
procurando por onde
lugar de fala
cansada
de estar perdida
cansada
de indecisão cansada
cansada
de ser desarticulada
cansada
sem narrativa só cansada
identidade alienada
cansada
de ser interpelada
cansada
de estar desconcentrada
desconcertada
sem ajuste ela está
cansada
de ser completada
cansada
tosca no quarto está presa
um olhar basta
que cara de
cansada
cansada
de evitar
deixar todas chocada
cansada
cansada andando sem casa
drogada
doendo no corpo doendo na fala
ela está cansada
de criminalização culpa dívida obediência controle cansada
cansada
parada
movimentação forçada
que nada
ela não suporta nada
só diz
chama mas na hora mesmo
vagaba
reclamação pré-formatada
palavra cantada
a extração do poder político
pela igreja e pelo baba
é sempre a mesma chamada
subtrair a consciência da sujeita
e dá-la a uma divindade macabra
diga-me a idade
então
porque ela está
cansada
de ser freada
cansada
de não conseguir
calibrar a braçada
cansada
de ter sua morte cultuada
cansada
besta amargada
sua vitória atravessada
cansada
repetição separada
negação
daquilo ao que foi chamada
a prosa é uma forma
de se sentir vingada
e está
cansada
de ser censurada
colocaram
olho que tudo vê
nosso tempo não está de molho
olho o olho
olho
você sorrindo me segura
esta vida já é sua
esta vida já é sua

View file

@ -0,0 +1,17 @@
+++
title = "dígito e a madrugada"
date = 2020-02-29
+++
<em>
bala de bala
bala de bala
bala de balão bala de bala
bala de balão bala de bala
bala de bala
bala de bala
bala de balão bala de bala
bala de balão bala de bala
</em>

View file

@ -0,0 +1,65 @@
+++
title = "Fogo Elemento Fogo"
date = 2020-02-03
+++
não era mesmo
um respiro
de uma vida crua
desigualdade pura
caindo pela culatra
por entre as frestas
destinada
a ser mentalmente exaurida
minuciosamente descrita
psicopatia
autodestrutiva
sempre se abreviando
como se a sua fala
fosse taquigrafia
e a sua vida
fosse tão importante e jamais pudesse
ser esquecida
que delírio que ela tinha
mas, lembrava:
dentro dos castelos
só salas vaias
e a poesia não é pra deixar confusa
e sim translúcida
ainda que incompreendida
nego ser
tentativa errada,
vítima oprimida
fui libertada
olhe para isso
cansei desse papel sumiso
quem está falando?
me responda
bata no vidro
eu não ligo
não fique olhando se pergunte
como é aqui
mas não se perca
eu queria lembrar
sobre você
não se distraia
em qualquer coisa
seja gente bicho ou compromisso
ideias quaisquer o seu norte é um forte
e decidido re
la
cio
namento
consigo
nisso
que isso?
deu seis no dado
me fale só quando
tiver terminado
acordo o café bom
eu fumo e rabisco
é chá de hibisco
hoje é isso
estou pronta, mais ainda
a manhã é indecisa
a noite é um sorriso

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@ -0,0 +1,195 @@
+++
title = "Outro Portal"
date = 2020-02-20
+++
**um**
<center>
o ódio abre todas as portas
eu uso meu ódio
pra fazer remédios
amargos antídotos
com a pele de sapos
com o ódio também se pode
fazer veneno
e defender-se
até matar
eu uso meu ódio
pra fazer remédios
amargos antídotos
pra mim mesma tomar
quando não estão prontos
às vezes derramo
por isso reclamo
o espaço total
o ódio abre todas as portas
</center>
**dois**
a bruxa boa
de novo se acendia
até que
algo distribuía mas veio
a bruxa ruim
puxou sua fantasia
de bruxa do bem
ela
já se conhecia
nasceu contentada-indignada rainha
foi criada todo dia
no fogo amargo mental
alguém disse a palavra família
lavaram com doutrina
qboa creolina
mas era bruxa do mal
nascida de outra igual
o olho dela é que dizia
pisando e cagando em cima
do estado episcopal
triunfos tambores cantorias
lanternas alegorias
sorriso ancestral
calma força que por dentro
tremia sua montanha cervical
nada há que apague
que introjete um veneno
nada universal
nem patrícias
nem milícias
nem a letra nem a ordem
nem o soco do machote
nem o grito alto volume
de quem ama o controle acima de todas as coisas
nem mil cisões e faixas
nem toda a força moralista
cancela é velharia
que venham mais mil atos
há tanto a derrubar
façam cumprir suas profecias
desafio seus deuses de supremacias
sua pureza angelical
seu silêncio de vergonha
pura vergonha sexual
de cima
dos seus saberes que estão mortos
mortos
e só quem já morreu
pode ter crise existencial
saia desse ciclo
intelectual
a dúvida é filha do silêncio
falar não é só gritar
não basta falar
se não ouvir ou pensar
ouvir com a boca
pensar mantendo-se louca
ação imediata
o olho que olha também tem
memória visual
não é instrumental
o corpo não é máquina digital
é acesso real
vulneráveldefensávelemocional
cada parte é integral
cortou a ligação não tem igual
não desperdice
se você vive
vivavivaviva não escolha um só lado ainda é pouco
o que chamam de transcendental
carnalespiritual
viva teus joelhos e seios
seus dedos e os seus ombros o osso na carne é primeiro
pede agora a vida viva
é de agora a viva vida
toda censura é ficcional
coma a comida
sinta o gosto do
açafrão
sinta o gosto
pimenta tropical
você merece o bom
não fique com o bem:
a culpa nos suga os real
vão te chamar: egoísta!
é o lado do mal
fico como uma garrafa vazia
esperando ajudar na alquimia
o poder é fatal
segura esse fornão
estamos aqui
preciso me concentrar
retomar os trabalhos
do cuidado
fechar o que foi aberto
abrir o Outro Portal
mesmo que se esqueçam
eu vou me lembrar
te lembrar
no meio do tufão bandeira parada
nunca fui inocente de nada
vaidade natural
vacina contra
o romantismo colonial
criminalização fundamental
básico institucional
é o amor estatal
pra abrir esse tanto de coração sem fronteira
querendo
federalizar
a dor emocional
não tem nada a ver com par
é sobre reatar
o laço é lateral
nada essencial
segure o seu fôlego e a sua alegria
dança primordial
encontre a verdade pule o muro desse
labirinto ideal
é o sintoma somático desde a carne até o beiral
do que vai adiantar negar amor se for
pra viver
qualquer outra coisa tão platônica e acidental?
solta a minha mão
me deixa ser animal
na clínica
roleta russa
só achei
linha sem ponta
agulhas atravessando o dedal
molde de papel
dobradura imperial
pra quem queria sangue
essa mente está velha
velha como a paciente
no gramado do caps olhando olhando
íris vazia
morte cultural
estou: alegre como o Fogo
consumindo tudo
no entorno e no centro
deixando só cinzas
de deleite
contentamento
satisfação muito maior
que esse perfeccionismo
pretenso inter
sec
cional
faço marcas na parede
cinzas que o vento suga
nesse espaço cerimonial
formas sem beirada
trazendo cheiros da Terra Intacta
sumindo e zunindo sou
toda calor
todo o magma desse mundo
numa única espiral

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@ -0,0 +1,57 @@
+++
title = "Quarto Minguante 16/2"
date = 2020-08-25
+++
_viva_ \
_y_ \
_combativa_
tudo sobre o tempo
no tempo
marcado tempo
O Tempo, Senhora
dou
nomes e signos
risco
esta mão
esforço criativo
imprimo
no Tempo
O Tempo, Senhora
não o sentido
não
nenhum símbolo
esta mão
localiza
discerne, desparaliza
silêncio coletivo
um livro
sozinho se abre e fecha num ninho
é o Tempo
O Tempo, Senhora
pra que possa voltar
viajante
exposto cativo
são raízes
por todo o caminho
mantras de água
curas e maldições
na lâmina
colho o grito
é o brilho
caderno novo
folha seca
escrevo
com chamas apago
este antidesejo
eu lembro
de botar poesias no fogo
lembro
queria esquecer-me de tudo
só acordar e lembrar
do teto onde acordo este rosto
mas ainda
é a memória... a memória
é O Tempo, Senhora

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@ -0,0 +1,17 @@
+++
title = "Relatório"
date = 2020-02-25
+++
(...) garimpo é o envenenamento da terra e dos rios com mercúrio. Cidadãos são os que estão vivos e têm direito de assim manterem-se. Pessoas trans são seres livres sem acesso ao trânsito. O trânsito é o movimento normal da vida no tempo. Jornalistas são guerrilhas sem acesso aos fatos. Os fatos não são fatos místicos são fatos fáticos. Os místicos são homens de pecado. Na terra há multidões de velhas soltas. No meio da denúncia torrente pegam-se nomes. Dos nomes se refazem as vagas poucas. As vontades e potências e as letras de forma. Sempre uma messias a trocar o nome para depois crucificar. Apagada da história a mártir jamais venerada e nunca santa continua a cantar e dançar. Sempre do Norte Acima do Norte, saberes vestidos ou na forma nua: sem ver nos olhos de perto os cachorros, os gatos, os ratos da rua, sem ver mosquitos e cercas, água de cheiro, goteira, carne depois de salgada mas ainda crua
<center>
_Consulte as nossas dicas e descubra \
como a sua casa pode ficar \
**ainda mais** \
limpa, higienizada e perfumada!_
</center>
reis deste ouro, comida lavada, sifão ao contrário, xícara trincada, arroz com gemada, dois olhos abertos, olhos no espelho, _a asa imanente do anjo ausente cuida do menino confuso_, sempre no banco dos réus, entregue ao deus do consumo, sua fé caótica e católica é melhor que ser mais um pagão com três furos, hipócrita de um absurdo, plantando ódio de três em três metros na roça não chegava a jagunço, você disse que é crime viver neste time então segura a pipoca no escuro, a rota do olho está presa, diziam botar e agora tiram a comida da mesa, dar a cara a tapa mentindo à farta é fácil demais ele ensina, se junta com outros grandes amigos que aceitem também o racismo, invade um enterro, faz a queimada, herói de milhões que apoiam e curtem seu tuíte, mas o wifi não chega debaixo da terra catorze palmos o caixão é um saco de lixo, o ferro por cima da roupa, sabão azul sobre a louça, na espuma gelada o pano na sala vejo voltando: lanças em riste, multidões levantando horizonte fechando, milhões de dedos e um grande olho que assiste, o melhor da vida não é sonho é surpresa, espero que alguém te avise, a massa é diversa e insiste, vai ser sempre difícil, não se demore e termine, não pense que foi só um grito, sua crítica rasa é um longo debate que já sabemos que existe, história no tempo perdido, quem procura encontra o caminho, pista com pista, da língua da amiga as ideias encaixam num beat, mulheres gostam de homens? homens gostam de alpiste, há quem não seja mulher nem homem mas isso não tá no seu feed, quem é você, seu nome quem lê, oligarca atrás do biombo de vime, talvez você nem saiba português mas cuidado que o véu é fino, na rota da bala o tempo é certeiro mesmo lenta chega ao segundo o que é do segundo e ao terceiro o que é do terceiro, se a língua dispara como quando trocam no encontro de uma só vez cantando as notícias em línguas das quais é comum que se duvide, não há quem segure uma outra enxurrada virá com certeza então leia direito e revise, estão tentando clonar segmentar o rosa da veia e o marrom do fígado, é a nova doença à qual nosso corpo resiste, quanto mais calada e mais sufocada mais pressão na panela que crie, segure a explosão que está só começando o filme (...)

View file

@ -0,0 +1,25 @@
+++
title = "Vermelho e vermelhidão"
date = 2020-03-08
+++
seu cristo perdeu
a graça
a sua episteme
está travada
na tela trincada
não posso ser
representada
muro branco
mascislino
pra inglês ver
lavando o descarte
cancela
eu deixei a maré das palavras me levar
agora tenho
que ser ressaca

Binary file not shown.

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