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Juno Takano 2025-09-21 16:34:41 -03:00
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date = 2024-02-26
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talvez seja,
quem sabe?
nem teria percebido...
debaixo
de todo esse previsto, todo esse
pedido, desejado, tentativo, todo esse
vontade, voltado, volitivo, todo
esse
perdido,
achado,
devolvido
debaixo de tudo o que tentei
e que ficou
por cima do meu respiro
respiro
privado, talvez bastaria
nada do que é público basta
para tanto público desprovido
por que
a minha mão agora treme
segurando
na cara do papel
minha metralhadora de grafite?
talvez seja dor
não sofrendo, só
dizendo
talvez essa dor de romântica
não tenha nada, uma pequena lembrança
de sua vida atravessada
quem viveu
o privado?
o pessoal?
nem era preciso dizer
desde o primeiro
respiro
não por natureza,
por pura coerção,
era mesmo político
mas então
quanta resposta
tiro, tiro, tiro
restou
alguém para dizer: não
desta linha, do meu peito, um momento,
este respiro
não será político
algum sussurro
temeria
que aquele não ser seria
negação
ou comodismo
era apenas
alguém limpando o cano da arma
limpando o sangue seco
feito verniz
grudado na peixeira, do cabo até a ponta onde
despencavam seus calafrios
os momentos tão pequenos
espremidos
entre os quais não fingia ser explicada
explicável
feliz ou triste
talvez seja dor
o peito latejando
algo preso em seus pulmões
uma azia de anos
soterrada por fazeres, alguém a algo nomeando
adulta
tão adulta uma máquina
de moer farinha de comer palpites
talvez seja,
quem sabe?
o público disse:
aguarde que ligaremos
e o privado,
algo que me passou despercebido
talvez seja
muito mais básico muito mais
elementar muito menos
essência muito mais
carne muito menos
alma muito mais
tripas muito menos
tentativa muito mais
solidão
completa
absoluta
dessas que te permitem estar com alguém
talvez seja,
quem sabe?
dores alquêmicas
ouro,
incenso,
e mirra

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date = 2024-04-22
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aleta acordou e esfregou seus olhos, sentia as remelas furando sua pele como agulhas e as empurrava para longe ou até que se esfarelassem. ela ergueu uma perna após a outra e olhou para o mundo primeiro. era a mesa onde estava a página três e cinco que com tanto cuidado reescreveu na noite passada. pegou e amassou os dois papeis e os jogou no lixo.
na sala pegou um livro favorito e o colocou no forno. acendeu com dois palitos ouvindo o som do fósforo como se coçasse um ponto inalcançável dos seus sentidos. sobre o fogão duas chaleiras uma com chá outra com o seu espírito.
todas as comunidades são tóxicas. elas quase sempre tentam reproduzir. reproduzir está ligado com alguma forma de continuidade. pertencer a uma comunidade tem o efeito deletério de acalmar a angústia. mas a angústia era como uma ligação então cortada com o meu potencial de ser eu mesma.
o egoísmo da massa não é o mesmo do patrão.
o chá estava quente e não havia mais nenhuma gota de mijo para pingar do seu corpo contra a água do seu sorvedouro de dejetos particular. ela puxou os fios do que parecia ser uma trança de fios de plástico arrebentada, que se espalhava em uma estrela feito aquela planta
de dentro do bule subiram borboletas de asas violeta, cor-de-rosa, marfim. elas pousaram por todas as paredes e cobriram sua sala enquanto ela virava um vapor de cheiro e calor somente. as paredes asas de borboleta tão frágeis tão translúcidas se desfizeram como um pó e nem vapor nem mesmo vento os seus olhares descansaram.

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date = 2024-07-01
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<em>
das nuvens
não consegue ver
as formigas dançando
</em>

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date = 2024-10-17
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só de poder chegar em casa
e você estar
de poder estar em casa
e você chegar
ver e ouvir sua alegria
quando você está longe,
eu penso em você e de repente
estou chorando e sorrindo
voar seria insuportável
se não tivesse onde pousar
eu adoro isso que nós temos
que fizemos
a liberdade que arrancamos do mundo
e guardamos
adoro
esse mundo
que se abre quando você está
esse mundo que você abriu
em mim
parabéns, e obrigada
tremendo,
j. 💜
_17 de outubro de 2024_

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title = "exacting"
date = 2024-03-03
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<em>
persnickety
fussy, captious, fastidious:
cavil & finicky
painstakingly
prim
</em>

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title = "Imago, Subimago"
date = 2024-06-24
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Talvez as luzes, a saturação quase nada, alguma fração de cor radiada. Quase nunca os matizes. As novas gerações mais conservadoras quanto as anteriores, só mais discretas, indo em lenta cocção até chocar o ovo da sua serpente incubada. Eu ouvia, com tédio e cinismo, um jovem estudante que gritava, sua boca sorvendo do mesmo espelho a saliva que eu já tinha cuspido e com a qual fui contaminada.
Eu mesma talvez inerte, se não era explosiva, contida então era a intenção violenta. Dada a destampar os ralos e neles esticar as mãos para puxar os pinos das granadas. Eram isso... armas. Novas armas, novas formas de ser enganada. Este espetáculo tinha novos cartazes, nos anúncios e na linguagem, algo dizia outras cores, mas eram palavras passadas, estavam escritas num constante abstrato, constante no futuro, fingindo o presente ser passado, pronto a destruir ideias e tornar os muros mais duros, a Terra mais salgada, o ar já rarefeito como uma areia irritada.
Eu via como uma vespa, uma libélula, ou só a crisálida. Nesse ar que também é luz onde eu me erguia e pisava. As minhas asas não eram a Liberdade, como se o chão fosse a prisão e o ar não uma outra água. Elas eram a força da minha vida, e uma breve chance de ser regenerada. Neste nanossegundo os meus nervos, seus seis sentidos, e os pares trançados: cibernese, telecinese, homeostase, um machado cortando as veias da testa de um criptofacho, clérico ou eco, consciente ou desavisado.
Uma vez pousada, como um nodo, um nexo onde todos os receptores fizessem o trabalho dobrado. Ali as minhas asas se encaixavam sob a casca e eu era como um besouro descolorido, o exoesqueleto condecorado. Alguns comem plantas, outros fungos, outros fezes, outros comem seres vivos, caçados ou parasitados. Cada um consciente: cogniza, percebe, considera e comparte.

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title = "Jogo da Forca"
date = 2024-07-10
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<span class="mono">
palavras = [
'estereótipo', 'frio', 'deseducação', 'colonial',
'austeridade', 'cristã', 'provoca', 'constrangida', 'evasora',
'triste', 'porém', 'honrada',
'enforcou', 'narrativas', 'branco', 'centradas',
'heroicas', 'náuseas',
'origens', 'distintas', 'riscos', 'iníquos', 'condições', 'desiguais',
'dois', 'pesos', 'cinco', 'medidas',
]
</span>

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@ -0,0 +1,52 @@
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title = "Polimorfoses"
date = 2024-12-26
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poli
propi
eti
leno
sintético, polimérico: micro, mortífero, indelével
tal como um jovem deus,
nascido faz uma curta cisão de um éon
poli
polido
político
politraumatismo
policialismo
polimorfo
poliglota
Monstro Marinho
poli
polipolitburo
politicomaníaco
mono
monoteórico
monotônico
mono
monocultura, monocromia
monolinguismo, monoetnia
monoheroi, nanovisão
polinimigo; egolatria
mono
mono mono mono
em teu único polo,
fanático ou crédulo,
a queda do teu único inimigo
uma reforma de graça
para os arquitetos do capitalismo
Abraão, Teseu, três ricos, um semideus
adubos e cinzas
que a Terra comeu