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date = 2023-01-17
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<em>
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nunca entenderão
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nem eu, também,
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jamais entenderei
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e mesmo assim,
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os olhos cheios
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</em>
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date = 2023-01-20
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||||
<em>
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imagine ter a honra
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de chegar aos teus sentidos
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</em>
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7
content/poesia/2023-02-07.md
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date = 2023-02-07
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do olho do musgo
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esse concreto
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só outra pedra
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content/poesia/2023-02-27.md
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content/poesia/2023-02-27.md
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date = 2023-02-27
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as palavras primeiro
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pelas fronteiras
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cortando o medo e o receio
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poetas
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queria ver sua multidão
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de caneta na mão
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por favor implodam
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dessa represa
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a catraca
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acari,
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jurupari,
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matrinxãs,
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curimatá,
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venha afogar
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o andaime
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no fundo do mar
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poeta,
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sublimar não basta
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óleo sem brasa
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destino maldite
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a vergonha de hoje
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amanhã um grafite
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13
content/poesia/2023-03-08.md
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content/poesia/2023-03-08.md
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date = 2023-03-08
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eu li as notícias
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sobre os cortes,
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quem segura
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e quem produz a faca
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mas nada
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sobre quem afia
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assiste, e replica
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||||
-- as mãos bem enluvadas
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content/poesia/2023-03-20.md
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@ -0,0 +1,14 @@
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date = 2023-03-20
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curimatá
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veio desovar
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achou a lágrima
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de uma mulher Yudjá
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curimatá,
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você é o rio
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afunda essa barragem
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e faz do seu entulho
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areia no fundo do mar
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12
content/poesia/2023-05-19.md
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12
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date = 2023-05-19
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||||
<span class="mono">
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||||
código não é poesia
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eu dizia e a máquina
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||||
quase tão bem quanto se humana
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||||
fingia que me ouvia
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||||
|
||||
</span>
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||||
24
content/poesia/2023-05-25.md
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date = 2023-05-25
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gritando
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desde aquele dia:
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"democracia! democracia!"
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uma memória tardia
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refém,
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||||
confundia
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||||
telas com janelas
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||||
|
||||
céticos
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||||
meus olhos são péssimos
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||||
foi desespero me lembro e agora
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||||
essa vitória
|
||||
por pura necessidade
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||||
ainda
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||||
partidos partidos
|
||||
polos pra isso
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||||
fingir que há escolha
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na mira de um cano
|
||||
ecoando
|
||||
seu esgoto oceânico
|
||||
67
content/poesia/2023-06-01.md
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67
content/poesia/2023-06-01.md
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date = 2023-06-01
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||||
a História
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||||
maiúscula
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||||
não acabou, nem morreu
|
||||
infelizmente ela insiste,
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||||
nos ecos supersônicos,
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||||
nos planos meta-meta-metafísicos - essências demais
|
||||
realidades mentais
|
||||
nos cérebros inchados de brancos homens com muito dinheiro e alpiste
|
||||
grandes sacos de alpiste
|
||||
com que alimentam seus pombos,
|
||||
seus ratos e abutres herbívoros
|
||||
a História
|
||||
que eles mesmos às vezes
|
||||
assustados
|
||||
declaram ter se acabado ou prestes ao fim
|
||||
vai sempre pondo vírgulas
|
||||
e voltando, do mesmo ponto, o mesmo ângulo
|
||||
todo o meu tédio o infinito
|
||||
História
|
||||
sempre só humana, e muito pouco mais que isso
|
||||
dela excluída
|
||||
o novelo de linhas, e os rios voadores
|
||||
os cristais de areia, debaixo do abaixo dos lençóis na represa
|
||||
histórias e estórias e poesias de línguas em línguas ouvidas
|
||||
somente ouvidas
|
||||
o Branco
|
||||
não acabou nem morreu
|
||||
ainda está lá,
|
||||
morrendo de medo do seu extermínio,
|
||||
em pânico
|
||||
ao menor sinal de atrito
|
||||
o ataque sua única defesa,
|
||||
atirando em cada não-Ser que vingue
|
||||
que insiste
|
||||
em letras minúsculas ser como uma folha de aguapé
|
||||
que toca o chão do rio, e respira com o rosto e as flores no ar
|
||||
morre
|
||||
de medo de ser percebido
|
||||
enquanto o que é, no polo passivo
|
||||
e não quem diz o que é e o que não, como uma letra morta em um livro
|
||||
vai
|
||||
carregando seu enorme saco de alpiste
|
||||
uma flauta
|
||||
e as serpentes e os ratos e os abutres herbívoros
|
||||
todos em um coro uníssono
|
||||
o coral de verdades
|
||||
mantras e cânticos
|
||||
realidades,
|
||||
fatos,
|
||||
ditos
|
||||
pela palavra, divinos
|
||||
sagrados por princípio
|
||||
acientífico ou, quando empírico, conveniente
|
||||
mente
|
||||
propício
|
||||
sua verdade, sempre singular
|
||||
rígida
|
||||
como o cabo do seu porrete, como
|
||||
seu falo medicado, como
|
||||
sua estátua de justiça, sua parede que concreta
|
||||
tão concreta a prontidão
|
||||
para a agressão
|
||||
dia após dia após dia
|
||||
16
content/poesia/2023-06-09.md
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16
content/poesia/2023-06-09.md
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date = 2023-06-09
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||||
esta mensagem
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não é genérica
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nenhuma IA
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me autocompleta
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||||
tem um destino
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e a mira acerta
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||||
quanto te digo
|
||||
que acredite
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||||
não é um conselho,
|
||||
não é um palpite
|
||||
7
content/poesia/2023-06-12.md
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7
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date = 2023-06-12
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||||
acordar do sonho
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ou dormir
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||||
por toda a sua vida
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5
content/poesia/2023-06-29.md
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5
content/poesia/2023-06-29.md
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date = 2023-06-29
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||||
talvez você não queira ouvir essa voz talvez você a perceba como uma lágrima transparente sem muito o que deixar de rastro ou como o suor de um esforço que tivesse morrido na praia mas não é está mais para a bile ácida de um vômito ou o pus de uma ferida que foi muito cutucada veja ao mesmo tempo ela é cáustica e neoclássica assim mesmo tanto acadêmica quanto querendo que a mata derrube as paredes da sala de aula nem cínica nem platônica mais blasfêmia que sagrada e por isso talvez você não queira ler essa palavra mas ela é gástrica é um refluxo ela volta garganta acima feito um gêiser ou um jato de lava não pode atrasar ou pra esquentar seu banho ficar contida e represada quando finalmente explode deixa até as narinas uma sensação amarga que não passa nem com água nem com bala talvez você não queira sentir essa palavra mas não há como evitar quando o corpo expele algo estranho ao seu plasma ter de ler e ouvir tanta merda amordaçada ter de somatizar a bravata de um senhor escondido em sua casa pelos fios e ondas de rádio tanta técnica para transportar crimes e mágoa projetada covardia mais um dia exigir que ela fosse como uma jovem fada pronta ao consumidor dar de consumir sua aparência plástica e a sensação tão fina e frágil da inocência preservada tão sensível à culpa tão pronta a julgar culpada quando grande e poderosa é uma monstra endemoniada quando pequena e fraca não serve pra ser contratada talvez você não queira ver a minha cara surtir os meus efeitos ou sentar na minha sala pode ser que não suporte mesmo uma única etapa minhas provas são longas e a nota cai tão rápida staccato o salto alto quebrado anti-diva contrarrainha o carão e a antipatia soprano desafinada mas sem rancor e nem delongas mais movimento e poucas palavras talvez você não queira responder essa página amassada ainda mais se a voz ficar assim tão embargada mas é inevitável não sou uma pedra que rola rio abaixo e continua calada nem ainda aquela estátua que pensou só derrubar e que ficaria assim ruína eternizada talvez você não queira perceber o desejo só o estável o plano o compreendido o que fizer sentido sem uma só linha contrária talvez seja de noite quando chegar na sua casa a mesma visão que deixou abandonada todo dia toda manhã quando ela acordava pra catar tuas migalhas e você jurava mesmo que era romântica sua labuta até demais dramatizada mas a dela nada mais que lei da selva nem de pedra mas pura sílica e puro lítio darwinista e meritocrática talvez nesse fluxo eu tenha sido derrotada mas a lança três seis vezes no ar já foi lançada o escudo todo gasto o meu ego uma piada já tinha feito tanto leilão daquela placa gasta tinha alugado e dividido em ações incorporadas de volta ao mesmo ponto a sociedade ilimitada incerta de tudo e da pureza liquidada as linhas no chão há muito atravassadas o primeiro e primário era olhar as trepadeiras e o jeito que ficavam debruçadas sobre antenas e coqueiros as suas folhas abraçadas não deixavam cair formavam como uma palhoça que era atlântica seca e molhada a visão ia sorvendo cada baque uma remada inevitável vírgula, um respiro o que importava: ver o musgo tecer a teia estar presente na batalha
|
||||
11
content/poesia/2023-07-04.md
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11
content/poesia/2023-07-04.md
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@ -0,0 +1,11 @@
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+++
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||||
date = 2023-07-04
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+++
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||||
|
||||
<em>
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||||
so easily startled
|
||||
burnt your hands in
|
||||
the fire of silence
|
||||
|
||||
</em>
|
||||
37
content/poesia/2023-07-20.md
Normal file
37
content/poesia/2023-07-20.md
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@ -0,0 +1,37 @@
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||||
date = 2023-07-20
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+++
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||||
into the deep eyes
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of a stranger
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||||
the scratched mirror
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||||
---
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||||
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||||
the soldier believed
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so honored to protect us
|
||||
and yet
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||||
died for the torturer
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|
||||
---
|
||||
|
||||
no robot could answer
|
||||
the chasm between
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||||
killers and dead
|
||||
|
||||
---
|
||||
|
||||
drowning in anxiety
|
||||
in that revolving stomach
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||||
the pile of work
|
||||
went undone
|
||||
|
||||
i was stuck
|
||||
in my guts
|
||||
|
||||
---
|
||||
|
||||
the lifeline of words
|
||||
hanging by
|
||||
a thin thread
|
||||
woven by bots
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||||
11
content/poesia/2023-08-12.md
Normal file
11
content/poesia/2023-08-12.md
Normal file
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@ -0,0 +1,11 @@
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|||
+++
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||||
date = 2023-08-12
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+++
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||||
<em>
|
||||
|
||||
nadie leyendo
|
||||
aún así
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||||
gracias por escribirlo
|
||||
|
||||
</em>
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||||
11
content/poesia/2023-08-14.md
Normal file
11
content/poesia/2023-08-14.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,11 @@
|
|||
+++
|
||||
date = 2023-08-14
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||||
+++
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||||
solidária lágrima
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||||
eu sorrio e o meu rosto arde
|
||||
quando vejo tuas mãos estendidas
|
||||
|
||||
parassimpático, intencional
|
||||
vivas ainda e até
|
||||
onde o caminho chegar
|
||||
13
content/poesia/2023-08-28.md
Normal file
13
content/poesia/2023-08-28.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,13 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "optostática"
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||||
date = 2023-08-28
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+++
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||||
|
||||
não importa
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||||
o brilho regulável da tela
|
||||
a pulsão e a pressão dos dias -
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||||
no campus tem uma árvore
|
||||
jovem de folhas vermelhas
|
||||
seu transtorno,
|
||||
meu dom —
|
||||
deitar na sua vista
|
||||
15
content/poesia/2023-11-15.md
Normal file
15
content/poesia/2023-11-15.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,15 @@
|
|||
+++
|
||||
date = 2023-11-15
|
||||
+++
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||||
|
||||
de tinta
|
||||
você também estava
|
||||
decorada
|
||||
as quatro faces daquele quarto
|
||||
aroma resinada
|
||||
|
||||
cada imperfeição na sua própria forma
|
||||
repintada
|
||||
por dias passados
|
||||
ainda quentes
|
||||
da tua atenção dobrada
|
||||
11
content/poesia/2023-12-05.md
Normal file
11
content/poesia/2023-12-05.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,11 @@
|
|||
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|
||||
date = 2023-12-05
|
||||
+++
|
||||
|
||||
eu tinha um nome
|
||||
para isso
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||||
então veio um trator
|
||||
e eu degluti
|
||||
com meus caninos
|
||||
eu tinha um nome
|
||||
para isso
|
||||
29
content/poesia/akitsu.md
Normal file
29
content/poesia/akitsu.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,29 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "秋津"
|
||||
date = 2023-10-10
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||||
+++
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||||
|
||||
failed morphosis
|
||||
she faced the exuvium
|
||||
fledging and yet
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||||
clipped dragonfly
|
||||
|
||||
as a fruit awaited
|
||||
the days to bring color
|
||||
to harden her wings
|
||||
|
||||
she drank and healed
|
||||
ate the heads of bees
|
||||
and once more the mold
|
||||
proved not made of herself
|
||||
|
||||
it was the river
|
||||
the digested sting
|
||||
coated in pollen
|
||||
in thick hemolymph
|
||||
|
||||
those into which
|
||||
she was made and where
|
||||
she too would devour
|
||||
later and now
|
||||
holometaboly
|
||||
8
content/poesia/alpha-bootes.md
Normal file
8
content/poesia/alpha-bootes.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,8 @@
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|||
+++
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||||
title = "α Boötes"
|
||||
date = 2023-08-09
|
||||
+++
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||||
|
||||
gigante massiva
|
||||
quase estelar,
|
||||
hiperenergética
|
||||
8
content/poesia/girassol.md
Normal file
8
content/poesia/girassol.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,8 @@
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|||
+++
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||||
title = "girassol"
|
||||
date = 2023-03-03
|
||||
+++
|
||||
|
||||
do ciclo da memória
|
||||
da empatia, a trajetória
|
||||
um arrepio raro
|
||||
12
content/poesia/hekatombe.md
Normal file
12
content/poesia/hekatombe.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,12 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "hekatómbe"
|
||||
date = 2023-09-11
|
||||
+++
|
||||
|
||||
<em>
|
||||
|
||||
sentiu a Terra a bomba
|
||||
e a nuvem de detritos, trêmula
|
||||
o estômago revirar
|
||||
|
||||
</em>
|
||||
14
content/poesia/kalanchoe-prolifera-ii.md
Normal file
14
content/poesia/kalanchoe-prolifera-ii.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,14 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "Kalanchoe, Prolifera II"
|
||||
date = 2023-07-31
|
||||
+++
|
||||
|
||||
teus sentidos
|
||||
nos meus sentidos
|
||||
se espalham
|
||||
multiplicam
|
||||
como ervas —
|
||||
nem daninhas,
|
||||
nem curativas
|
||||
— apenas ervas
|
||||
fundindo na raiz da nossa vida
|
||||
10
content/poesia/kalanchoe-prolifera-iii.md
Normal file
10
content/poesia/kalanchoe-prolifera-iii.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,10 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "Kalanchoe, Prolifera III"
|
||||
date = 2023-08-07
|
||||
+++
|
||||
|
||||
a raiz da nossa vida
|
||||
cortada na pá de uma enxada amolada
|
||||
eram nossas próprias mãos
|
||||
abrindo covas,
|
||||
erguendo casas
|
||||
34
content/poesia/kalanchoe-prolifera-iv.md
Normal file
34
content/poesia/kalanchoe-prolifera-iv.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,34 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "Kalanchoe, Prolifera IV"
|
||||
date = 2023-08-21
|
||||
+++
|
||||
|
||||
erguendo casas,
|
||||
algumas raízes estavam mortas,
|
||||
outras em excesso
|
||||
emaranhadas
|
||||
eu chacoalhei uma delas como
|
||||
um chumaço do nosso cabelo quando embaraça e
|
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caíam pedras e corpos de baratas
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para a Terra
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eram tudo o mesmo suco de graça
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para a terra
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eram onde a vassoura não cata
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a casa
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ergueu proteções,
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separações,
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mas naquela verdade com letra sempre
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minúscula
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a janela estava aberta mas a porta era como uma muralha mediúnica...
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um disparo de rojão, uma cadela assustada
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eu dormia uma cadela
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e acordava um caracol
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sem certeza, só o comichão
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de ter tanto carinho
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não pensava
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se santa ou radiativa só dormia —
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os desejos realizados
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e os sonhos,
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com o luxo de estar bem alimentada
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Normal file
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title = "Oblivion"
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date = 2023-05-01
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o poder de escrever
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o poder
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de não
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Normal file
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title = "Passarinho"
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date = 2023-12-13
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eu era um joão-de-barro
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subindo
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paredes feitas das
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presas
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de elefantes
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e lá em cima
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bem no alto
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pousei à janela
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uma mulher branca brandia
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a Espada da Poesia
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e estava
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dilacerando
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pedaços pedaços pedaços
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poema poema poesia
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poética
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verso estrofe prefácio
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nota posfácio epílogo
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o cadáver
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do poema estava em seu lixo
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e agora a espada fatiava
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outro concreto em conceito
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corte
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afiado conciso e preciso
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bem fundamentado e bem definido
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e nisso
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trincou a espada num barulho contrito
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e começou a rachar da ponta até o cabo era vidro
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talvez fosse
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uma imitação afinal
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pensei passarinho, que a poesia nem era uma espada devia
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ser uma pena ou um
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torrão de terra ou então
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as tintas que das tripas de um polvo se esguicham
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e disse: "Cuidado vai soltar-se, perdoe o aviso"
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olhou pra mim como se seu inimigo
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virou a espada com raiva e ela partiu para o lado caiu um estampido
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soltou com ódio visível seu grito:
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"Pássaros não falam!!!"
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e com o toco da arma tentou me acertar mas não movi um milímetro
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e talvez por isso
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em cheio bateu no parapeito perfeito, de tanta brancura polido
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ali mesmo
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ficou e não mais conseguiu arrancar o seu precioso artifício
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eu disse: "Por que não escreve você mesma a tua poesia?
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Não precisa pedir que tanto se afie. Pode ser como um pano mesmo,
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desses que se veste e depois ficam pra limpar o chão outro dia."
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mais um grito
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afinal estava errado de novo o poema e a poesia eram tão distintos
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ou assim o credo dizia
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eu fui indo
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voei e voei e voei e foi sumindo
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era só o primeiro andar daquela torre e acima
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outros trinta e cinco
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Normal file
61
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Normal file
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title = "sans generis"
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date = 2023-03-25
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essa palavra esculpida
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não é como aquela estátua
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branca
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plácida
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no jardim, objeta e parada
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enfeite apenas, como as flores vivas,
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mas plásticas
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com ela ladeadas
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tão perfeitamente espaçadas
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paisagem civil,
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sempre forçada
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essa palavra esculpida
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é para caber no canhão é para
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encaixar no arco e fazer
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boa trajetória é para
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acertar bem a boca do estômago
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dar ânsia de vômito
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causar o incômodo
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de revelar o escondido
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trazer à tona
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a ponta do espinho
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a crise
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de perceber o equívoco
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desde o princípio
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tenho tédio tanto
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do martírio
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não era
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sobre transformação pessoal
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apenas
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um leve sintoma, o corpo
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estava expelindo doenças
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com força
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estava extraindo sofrenças
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e eu vomitava e era vomitada...
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não há mesmo
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identidade nenhuma
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nenhuma resposta, só mesmo a luta
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essa palavra esculpida,
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foi para servir de arma
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ataque, defesa,
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comida sobre a mesa,
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um diploma, a memória
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papeis que atestassem
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delírios e dignidades
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essa palavra esculpida,
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o caminho até um pequeno quarto onde
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se banhasse e deitasse,
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onde tivesse uma cadeira
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e sua escrivaninha
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ali,
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onde escorria
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content/poesia/sufixos.md
Normal file
98
content/poesia/sufixos.md
Normal file
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title = "Sufixos"
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date = 2023-07-27
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eu ouço a sua voz e ela me deixa \
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inspirada
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sentido o som da palavra trancestral os meus sentidos \
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transbordaram água \
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a minha voz já queria \
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ser ouvida \
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ouviu? \
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as minhas letras \
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não sei se porque \
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||||
me persegue ou percebe \
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eu me recolho \
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este banheiro, um santuário \
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o piso tátil \
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||||
quer-se acessível mas ficou barrável \
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||||
perceba como \
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visão e visão \
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tão diferentes seus sentidos \
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sentidos \
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o meu amor por decreto: \
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despatologizar toda esta territória \
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inclusive aquela \
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||||
toda trabalhada numa expressão \
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||||
bem intencionada crítica pós-declinicada \
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que quer \
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curar pelo vazio \
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curar pelo fingir \
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||||
quase como quem dizia \
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sermos todos iguais só queria mesmo não olhar \
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_olhar_ \
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||||
polissemia foda \
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||||
sobre não querer ver \
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||||
o que está e não está ali \
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||||
que esta neurose que esta nervose \
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||||
são só o gás subindo \
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||||
pela sua imaginação pela influência \
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||||
da farmácia da indústria do capital você \
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||||
sua existência foi apenas um engendro para o lucro \
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||||
um lamento \
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||||
a minha não, Eu vivo \
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||||
sou nesta pureza \
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||||
minhas aflições são da natureza, e as suas \
|
||||
nem parecem assim tão \
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||||
particulares \
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||||
todos os olhos esmago \
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||||
com os meus olhares
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||||
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achatados \
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||||
no plano plano \
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||||
cristão e centrado no Homem \
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||||
desde aquele gênesis até agora \
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Eva colhendo ervas perigosas
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||||
eu vi, eu comi \
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||||
serpentes de metal
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||||
deixa-me escoar \
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||||
no esmague destes certificados \
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||||
corra mona corra \
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dependurada na vareta desta miséria \
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uma moeda \
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corra, \
|
||||
corra
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por muito menos, \
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||||
só para não falar de todes \
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||||
o asco \
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||||
percebo em como o seu rosto entorta \
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||||
nojo eu também tenho eu estou aliás \
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||||
pingando defeitos eu não podia me proteger \
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por esta ou aquela porta \
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do consultório ou do banheiro \
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||||
binário do presídio ao holerite
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||||
lamento gritar farsa \
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||||
mesmo assim \
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peço que assine essa carta \
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||||
preciso fechar a conta eu ando \
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||||
ansiosa derrubando o tempo
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não venha não \
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||||
me curar com o seu nada \
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||||
com a sua não-palavra ofertando \
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pouco menos que ficar no não-lugar, \
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e calada
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encripto e decripto \
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é automático, e sem gatilhos \
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se for necessário fingir eu finjo \
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do veneno é que se faz \
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saberes e antídotos \
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neurotóxicos, \
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ou neuroatípicos
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