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Juno Takano 2025-09-21 16:30:21 -03:00
commit ed074b7a72
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@ -0,0 +1,13 @@
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date = 2023-01-17
+++
<em>
nunca entenderão
nem eu, também,
jamais entenderei
e mesmo assim,
os olhos cheios
</em>

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date = 2023-01-20
+++
<em>
imagine ter a honra
de chegar aos teus sentidos
</em>

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@ -0,0 +1,7 @@
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date = 2023-02-07
+++
do olho do musgo
esse concreto
só outra pedra

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@ -0,0 +1,28 @@
+++
date = 2023-02-27
+++
as palavras primeiro
pelas fronteiras
cortando o medo e o receio
poetas
queria ver sua multidão
de caneta na mão
por favor implodam
dessa represa
a catraca
acari,
jurupari,
matrinxãs,
curimatá,
venha afogar
o andaime
no fundo do mar
poeta,
sublimar não basta
óleo sem brasa
destino maldite
a vergonha de hoje
amanhã um grafite

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@ -0,0 +1,13 @@
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date = 2023-03-08
+++
eu li as notícias
sobre os cortes,
quem segura
e quem produz a faca
mas nada
sobre quem afia
assiste, e replica
-- as mãos bem enluvadas

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date = 2023-03-20
+++
curimatá
veio desovar
achou a lágrima
de uma mulher Yudjá
curimatá,
você é o rio
afunda essa barragem
e faz do seu entulho
areia no fundo do mar

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@ -0,0 +1,12 @@
+++
date = 2023-05-19
+++
<span class="mono">
código não é poesia
eu dizia e a máquina
quase tão bem quanto se humana
fingia que me ouvia
</span>

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date = 2023-05-25
+++
gritando
desde aquele dia:
"democracia! democracia!"
uma memória tardia
refém,
confundia
telas com janelas
céticos
meus olhos são péssimos
foi desespero me lembro e agora
essa vitória
por pura necessidade
ainda
partidos partidos
polos pra isso
fingir que há escolha
na mira de um cano
ecoando
seu esgoto oceânico

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@ -0,0 +1,67 @@
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date = 2023-06-01
+++
a História
maiúscula
não acabou, nem morreu
infelizmente ela insiste,
nos ecos supersônicos,
nos planos meta-meta-metafísicos - essências demais
realidades mentais
nos cérebros inchados de brancos homens com muito dinheiro e alpiste
grandes sacos de alpiste
com que alimentam seus pombos,
seus ratos e abutres herbívoros
a História
que eles mesmos às vezes
assustados
declaram ter se acabado ou prestes ao fim
vai sempre pondo vírgulas
e voltando, do mesmo ponto, o mesmo ângulo
todo o meu tédio o infinito
História
sempre só humana, e muito pouco mais que isso
dela excluída
o novelo de linhas, e os rios voadores
os cristais de areia, debaixo do abaixo dos lençóis na represa
histórias e estórias e poesias de línguas em línguas ouvidas
somente ouvidas
o Branco
não acabou nem morreu
ainda está lá,
morrendo de medo do seu extermínio,
em pânico
ao menor sinal de atrito
o ataque sua única defesa,
atirando em cada não-Ser que vingue
que insiste
em letras minúsculas ser como uma folha de aguapé
que toca o chão do rio, e respira com o rosto e as flores no ar
morre
de medo de ser percebido
enquanto o que é, no polo passivo
e não quem diz o que é e o que não, como uma letra morta em um livro
vai
carregando seu enorme saco de alpiste
uma flauta
e as serpentes e os ratos e os abutres herbívoros
todos em um coro uníssono
o coral de verdades
mantras e cânticos
realidades,
fatos,
ditos
pela palavra, divinos
sagrados por princípio
acientífico ou, quando empírico, conveniente
mente
propício
sua verdade, sempre singular
rígida
como o cabo do seu porrete, como
seu falo medicado, como
sua estátua de justiça, sua parede que concreta
tão concreta a prontidão
para a agressão
dia após dia após dia

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@ -0,0 +1,16 @@
+++
date = 2023-06-09
+++
esta mensagem
não é genérica
nenhuma IA
me autocompleta
tem um destino
e a mira acerta
quanto te digo
que acredite
não é um conselho,
não é um palpite

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@ -0,0 +1,7 @@
+++
date = 2023-06-12
+++
acordar do sonho
ou dormir
por toda a sua vida

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@ -0,0 +1,5 @@
+++
date = 2023-06-29
+++
talvez você não queira ouvir essa voz talvez você a perceba como uma lágrima transparente sem muito o que deixar de rastro ou como o suor de um esforço que tivesse morrido na praia mas não é está mais para a bile ácida de um vômito ou o pus de uma ferida que foi muito cutucada veja ao mesmo tempo ela é cáustica e neoclássica assim mesmo tanto acadêmica quanto querendo que a mata derrube as paredes da sala de aula nem cínica nem platônica mais blasfêmia que sagrada e por isso talvez você não queira ler essa palavra mas ela é gástrica é um refluxo ela volta garganta acima feito um gêiser ou um jato de lava não pode atrasar ou pra esquentar seu banho ficar contida e represada quando finalmente explode deixa até as narinas uma sensação amarga que não passa nem com água nem com bala talvez você não queira sentir essa palavra mas não há como evitar quando o corpo expele algo estranho ao seu plasma ter de ler e ouvir tanta merda amordaçada ter de somatizar a bravata de um senhor escondido em sua casa pelos fios e ondas de rádio tanta técnica para transportar crimes e mágoa projetada covardia mais um dia exigir que ela fosse como uma jovem fada pronta ao consumidor dar de consumir sua aparência plástica e a sensação tão fina e frágil da inocência preservada tão sensível à culpa tão pronta a julgar culpada quando grande e poderosa é uma monstra endemoniada quando pequena e fraca não serve pra ser contratada talvez você não queira ver a minha cara surtir os meus efeitos ou sentar na minha sala pode ser que não suporte mesmo uma única etapa minhas provas são longas e a nota cai tão rápida staccato o salto alto quebrado anti-diva contrarrainha o carão e a antipatia soprano desafinada mas sem rancor e nem delongas mais movimento e poucas palavras talvez você não queira responder essa página amassada ainda mais se a voz ficar assim tão embargada mas é inevitável não sou uma pedra que rola rio abaixo e continua calada nem ainda aquela estátua que pensou só derrubar e que ficaria assim ruína eternizada talvez você não queira perceber o desejo só o estável o plano o compreendido o que fizer sentido sem uma só linha contrária talvez seja de noite quando chegar na sua casa a mesma visão que deixou abandonada todo dia toda manhã quando ela acordava pra catar tuas migalhas e você jurava mesmo que era romântica sua labuta até demais dramatizada mas a dela nada mais que lei da selva nem de pedra mas pura sílica e puro lítio darwinista e meritocrática talvez nesse fluxo eu tenha sido derrotada mas a lança três seis vezes no ar já foi lançada o escudo todo gasto o meu ego uma piada já tinha feito tanto leilão daquela placa gasta tinha alugado e dividido em ações incorporadas de volta ao mesmo ponto a sociedade ilimitada incerta de tudo e da pureza liquidada as linhas no chão há muito atravassadas o primeiro e primário era olhar as trepadeiras e o jeito que ficavam debruçadas sobre antenas e coqueiros as suas folhas abraçadas não deixavam cair formavam como uma palhoça que era atlântica seca e molhada a visão ia sorvendo cada baque uma remada inevitável vírgula, um respiro o que importava: ver o musgo tecer a teia estar presente na batalha

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@ -0,0 +1,11 @@
+++
date = 2023-07-04
+++
<em>
so easily startled
burnt your hands in
the fire of silence
</em>

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@ -0,0 +1,37 @@
+++
date = 2023-07-20
+++
into the deep eyes
of a stranger
the scratched mirror
---
the soldier believed
so honored to protect us
and yet
died for the torturer
---
no robot could answer
the chasm between
killers and dead
---
drowning in anxiety
in that revolving stomach
the pile of work
went undone
i was stuck
in my guts
---
the lifeline of words
hanging by
a thin thread
woven by bots

View file

@ -0,0 +1,11 @@
+++
date = 2023-08-12
+++
<em>
nadie leyendo
aún así
gracias por escribirlo
</em>

View file

@ -0,0 +1,11 @@
+++
date = 2023-08-14
+++
solidária lágrima
eu sorrio e o meu rosto arde
quando vejo tuas mãos estendidas
parassimpático, intencional
vivas ainda e até
onde o caminho chegar

View file

@ -0,0 +1,13 @@
+++
title = "optostática"
date = 2023-08-28
+++
não importa
o brilho regulável da tela
a pulsão e a pressão dos dias -
no campus tem uma árvore
jovem de folhas vermelhas
seu transtorno,
meu dom —
deitar na sua vista

View file

@ -0,0 +1,15 @@
+++
date = 2023-11-15
+++
de tinta
você também estava
decorada
as quatro faces daquele quarto
aroma resinada
cada imperfeição na sua própria forma
repintada
por dias passados
ainda quentes
da tua atenção dobrada

View file

@ -0,0 +1,11 @@
+++
date = 2023-12-05
+++
eu tinha um nome
para isso
então veio um trator
e eu degluti
com meus caninos
eu tinha um nome
para isso

29
content/poesia/akitsu.md Normal file
View file

@ -0,0 +1,29 @@
+++
title = "秋津"
date = 2023-10-10
+++
failed morphosis
she faced the exuvium
fledging and yet
clipped dragonfly
as a fruit awaited
the days to bring color
to harden her wings
she drank and healed
ate the heads of bees
and once more the mold
proved not made of herself
it was the river
the digested sting
coated in pollen
in thick hemolymph
those into which
she was made and where
she too would devour
later and now
holometaboly

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@ -0,0 +1,8 @@
+++
title = "α Boötes"
date = 2023-08-09
+++
gigante massiva
quase estelar,
hiperenergética

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@ -0,0 +1,8 @@
+++
title = "girassol"
date = 2023-03-03
+++
do ciclo da memória
da empatia, a trajetória
um arrepio raro

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@ -0,0 +1,12 @@
+++
title = "hekatómbe"
date = 2023-09-11
+++
<em>
sentiu a Terra a bomba
e a nuvem de detritos, trêmula
o estômago revirar
</em>

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@ -0,0 +1,14 @@
+++
title = "Kalanchoe, Prolifera II"
date = 2023-07-31
+++
teus sentidos
nos meus sentidos
se espalham
multiplicam
como ervas —
nem daninhas,
nem curativas
— apenas ervas
fundindo na raiz da nossa vida

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@ -0,0 +1,10 @@
+++
title = "Kalanchoe, Prolifera III"
date = 2023-08-07
+++
a raiz da nossa vida
cortada na pá de uma enxada amolada
eram nossas próprias mãos
abrindo covas,
erguendo casas

View file

@ -0,0 +1,34 @@
+++
title = "Kalanchoe, Prolifera IV"
date = 2023-08-21
+++
erguendo casas,
algumas raízes estavam mortas,
outras em excesso
emaranhadas
eu chacoalhei uma delas como
um chumaço do nosso cabelo quando embaraça e
caíam pedras e corpos de baratas
para a Terra
eram tudo o mesmo suco de graça
para a terra
eram onde a vassoura não cata
a casa
ergueu proteções,
separações,
mas naquela verdade com letra sempre
minúscula
a janela estava aberta mas a porta era como uma muralha mediúnica...
um disparo de rojão, uma cadela assustada
eu dormia uma cadela
e acordava um caracol
sem certeza, só o comichão
de ter tanto carinho
não pensava
se santa ou radiativa só dormia —
os desejos realizados
e os sonhos,
com o luxo de estar bem alimentada

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@ -0,0 +1,8 @@
+++
title = "Oblivion"
date = 2023-05-01
+++
o poder de escrever
o poder
de não

View file

@ -0,0 +1,60 @@
+++
title = "Passarinho"
date = 2023-12-13
+++
eu era um joão-de-barro
subindo
paredes feitas das
presas
de elefantes
e lá em cima
bem no alto
pousei à janela
uma mulher branca brandia
a Espada da Poesia
e estava
dilacerando
pedaços pedaços pedaços
poema poema poesia
poética
verso estrofe prefácio
nota posfácio epílogo
o cadáver
do poema estava em seu lixo
e agora a espada fatiava
outro concreto em conceito
corte
afiado concisoe preciso
bem fundamentado e bem definido
e nisso
trincou a espada num barulho contrito
e começou a rachar da ponta até o cabo era vidro
talvez fosse
uma imitação afinal
pensei passarinho, que a poesia nem era uma espada devia
ser uma pena ou um
torrão de terra ou então
as tintas que das tripas de um polvo se esguicham
e disse: "Cuidado vai soltar-se, perdoe o aviso"
olhou pra mim como se seu inimigo
virou a espada com raiva e ela partiu para o lado caiu um estampido
soltou com ódio visível seu grito:
"Pássaros não falam!!!"
e com o toco da arma tentou me acertar mas não movi um milímetro
e talvezporisso
em cheio bateu no parapeito perfeito, de tanta brancura polido
ali mesmo
ficou e não mais conseguiu arrancar o seu precioso artifício
eu disse: "Por que não escreve você mesma a tua poesia?
Não precisa pedir que tanto se afie. Pode ser como um pano mesmo,
desses que se veste e depois ficam pra limpar o chão outro dia."
mais um grito
afinal estava errado de novo o poema e a poesia eram tão distintos
ou assim o credo dizia
eu fui indo
voei e voei e voei e foi sumindo
era só o primeiro andar daquela torre e acima
outros trinta e cinco

View file

@ -0,0 +1,61 @@
+++
title = "sans generis"
date = 2023-03-25
+++
essa palavra esculpida
não é como aquela estátua
branca
plácida
no jardim, objeta e parada
enfeite apenas, como as flores vivas,
mas plásticas
com ela ladeadas
tão perfeitamente espaçadas
paisagem civil,
sempre forçada
essa palavra esculpida
é para caber no canhão é para
encaixar no arco e fazer
boa trajetória é para
acertar bem a boca do estômago
dar ânsia de vômito
causar o incômodo
de revelar o escondido
trazer à tona
a ponta do espinho
a crise
de perceber o equívoco
desde o princípio
tenho tédio tanto
do martírio
não era
sobre transformação pessoal
apenas
um leve sintoma, o corpo
estava expelindo doenças
com força
estava extraindo sofrenças
e eu vomitava e era vomitada...
não há mesmo
identidade nenhuma
nenhuma resposta, só mesmo a luta
essa palavra esculpida,
foi para servir de arma
ataque, defesa,
comida sobre a mesa,
um diploma, a memória
papeis que atestassem
delírios e dignidades
essa palavra esculpida,
o caminho até um pequeno quarto onde
se banhasse e deitasse,
onde tivesse uma cadeira
e sua escrivaninha
ali,
onde escorria

98
content/poesia/sufixos.md Normal file
View file

@ -0,0 +1,98 @@
+++
title = "Sufixos"
date = 2023-07-27
+++
eu ouço a sua voz e ela me deixa \
inspirada
sentido o som da palavra trancestral os meus sentidos \
transbordaram água \
a minha voz já queria \
ser ouvida \
ouviu? \
as minhas letras \
não sei se porque \
me persegue ou percebe \
eu me recolho \
este banheiro, um santuário \
o piso tátil \
quer-se acessível mas ficou barrável \
perceba como \
visão e visão \
tão diferentes seus sentidos \
sentidos \
o meu amor por decreto: \
despatologizar toda esta territória \
inclusive aquela \
toda trabalhada numa expressão \
bem intencionada crítica pós-declinicada \
que quer \
curar pelo vazio \
curar pelo fingir \
quase como quem dizia \
sermos todos iguais só queria mesmo não olhar \
_olhar_ \
polissemia foda \
sobre não querer ver \
o que está e não está ali \
que esta neurose que esta nervose \
são só o gás subindo \
pela sua imaginação pela influência \
da farmácia da indústria do capital você \
sua existência foi apenas um engendro para o lucro \
um lamento \
a minha não, Eu vivo \
sou nesta pureza \
minhas aflições são da natureza, e as suas \
nem parecem assim tão \
particulares \
todos os olhos esmago \
com os meus olhares
achatados \
no plano plano \
cristão e centrado no Homem \
desde aquele gênesis até agora \
Eva colhendo ervas perigosas
eu vi, eu comi \
serpentes de metal
deixa-me escoar \
no esmague destes certificados \
corra mona corra \
dependurada na vareta desta miséria \
uma moeda \
corra, \
corra
por muito menos, \
só para não falar de todes \
o asco \
percebo em como o seu rosto entorta \
nojo eu também tenho eu estou aliás \
pingando defeitos eu não podia me proteger \
por esta ou aquela porta \
do consultório ou do banheiro \
binário do presídio ao holerite
lamento gritar farsa \
mesmo assim \
peço que assine essa carta \
preciso fechar a conta eu ando \
ansiosa derrubando o tempo
não venha não \
me curar com o seu nada \
com a sua não-palavra ofertando \
pouco menos que ficar no não-lugar, \
e calada
encripto e decripto \
é automático, e sem gatilhos \
se for necessário fingir eu finjo \
do veneno é que se faz \
saberes e antídotos \
neurotóxicos, \
ou neuroatípicos