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date = 2022-06-22
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<em>
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a chave
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desliza na trava
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e clica
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mais uma vez o sol
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derrama sua luz na cozinha
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</em>
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11
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date = 2022-07-12
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<em>
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mais que o relógio
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o fogo me diz as horas
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e agora
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</em>
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82
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date = 2022-07-18
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é importante o afeto
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é importante a vontade
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é importante para mim,
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que tenha lido essas palavras
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é importante a memória
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e o esquecimento é importante
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ter levado a sério
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levado a sério
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o sério onde vive um poema sério
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é também o tédio
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preso naquele mesmo raio
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de um átomo de césio
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todo dia eu vivi sempre tão a sério
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hoje mais uma noite eu espero
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até que volte, aquele abraço e só ele
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tirando o lixo
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percebo a Lua depois do perigeu,
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cortada pela metade ela preenche as nuvens de luz
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eu olho uma gata brincar e rio
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espero
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está no seu tempo
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ela pula nas árvores da rua
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ela corre no espaço e o espaço repara
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ela não tem medo da madrugada
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são quatro horas e a carne
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não é mais fraca
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de hoje até ontem,
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um buda feito de bronze,
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não atravessa o fogo
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derrete a estátua
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são
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mais de mil graus
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na crosta do Sol
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e meus olhos também ardem
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no espelho da Lua
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todo o planeta
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por que tentou entender
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palavras difusas
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que não dizem nada?
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|
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estava só
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cuspindo meu espírito
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toda confusão, todo delírio
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para ser justamente isso
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ter
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um universo inteiro dentro de cada ser
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sem a ilusão de ter entendido
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não...
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apenas
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dia após dia o exorcismo
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o mundo em chamas
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pede pela queda
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implosão completa
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e ainda assim os pilares
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parecem atravessar a noite
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||||
na calada ameaça da morte
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||||
sento com demônios e fantasmas
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||||
sem
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||||
olhos de fada só sento
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e deixo falarem deixo cantarem deixo se cansarem
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e a porta
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que estava fechada, agora guardada
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||||
abre e fecha
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sem a aparência forçada da vitória,
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||||
sem surpreender-se com a derrota,
|
||||
passa e resvala
|
||||
até o fim
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||||
40
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date = 2022-07-25
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a força está nesse ritmo
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conjura e converte
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faz reunir
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sei
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e você tem medo
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se amedronta
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||||
quando a vê dentro dos meus olhos
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||||
pronta
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||||
para ser derramada mas
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||||
redonda
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e ainda,
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se não vê-la?
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||||
e se pela não-terra, a tela
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||||
onde não escorre água nem mata
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||||
você achar que fui encontrada
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que através dela
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||||
vai me ver
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ou contorná-la?
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é a você que devo?
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||||
impressões e textos?
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o seu carimbo
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cobra um banqueiro estrangeiro
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sua moral cobra
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||||
sua rede cobra
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||||
suga pelo furo do seu dente
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||||
de cobra
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para me ver comportada e posta
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pronta:
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só quem divide o comando comanda
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mas da pedra dessa rodabanca
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unguentos e antídotos na folha dobrada
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||||
pronta e guardada
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||||
deixe posta, é certo
|
||||
que necessite
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|
||||
_22 de novembro de 2020_
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||||
11
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date = 2022-07-30
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<em>
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novas auroras
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||||
o mesmo cor-de-rosa
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promessa cumprida
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||||
</em>
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||||
14
content/poesia/2022-08-08.md
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14
content/poesia/2022-08-08.md
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@ -0,0 +1,14 @@
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date = 2022-08-08
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<em>
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nas alturas
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||||
alta traição
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devolvo seus presentes
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||||
roupas rasgadas
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||||
dúvidas e medos
|
||||
pode ficar
|
||||
|
||||
</em>
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||||
19
content/poesia/2022-08-12.md
Normal file
19
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@ -0,0 +1,19 @@
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||||
title = "gênero, família, taxonomia"
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date = 2022-08-12
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como algo do qual estava
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desesperadamente tentando me livrar
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preciso falar sobre isso
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neste ângulo, e talvez
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talvez não seja este
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como você vê ou vive
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e está bem
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|
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mas eu preciso falar sobre,
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||||
porque há também eu acho,
|
||||
uma necessidade de falar sobre quem
|
||||
ainda quer ver-se livre
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||||
24
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24
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||||
title = "Manhã, Majestade"
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date = 2022-08-17
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||||
Chegaram as chuvas do inverno, e com elas também palavras sem fim inundando minha cabeça. As palavras reverberam, multiplicam, eu não consigo deixar de chupá-las como se bebesse no deserto. Eu encontro a força da criação, eu encontro as minhas próprias veias, e eu faço a transfusão. Estou reposta. Eu havia dito que o tempo era escasso, mas o Tempo é um falar e ouvir sem paredes, sem muros, sem fronteiras. Quem irá conter?
|
||||
|
||||
Não me interesso pelo debate. Também não quero a convicção. Estou desde antes já ouvindo em excesso, mas palavras sem a mínima consideração são um enorme desperdício. Queria esticar essa manhã até o último grão de uma montanha ser varrido, letra atrás de letra, uma por uma, poesia um lençol onde o corpo deita limpo, sem a frieza da luz noturna, sem a ânsia que eu sinto na rua, sem as memórias de medo que enfiam nos fios, sem as ameaças de controle de famílias e polícias, nada disso.
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||||
|
||||
O Tempo é uma noite que acorda o mundo do avesso, ela é uma morte que prefere a transformação à ressurreição. Não quer repetir. Não quer imortalizar. Não quer instituir ou controlar. O Tempo, Senhora, não observa calada.
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||||
|
||||
Eu coloquei mais uma vez um pé após o outro, cada vez e de novo, eu ouço caírem os pingos da chuva e eu ouço atrás do muro uma casa ser enxaguada e tudo é água. No calendário, os dias que chegam me trazem vontade. Eu estou longe de tudo aquilo que me ameaçou um dia, eu cortei apegos e dependências químicas, e aqui, na retina branca desse céu nublado, onde raramente chove, faroeste paulista, eu quebro os ovos da serpente, seu ninho revirado por duas gatas pretas -- a mais jovem e violenta, e a que rosna ao invés de miar.
|
||||
|
||||
A força que me acomete não é a da verdade. A força que me acomete não é a da guerra. Mas a guerra é onde cada dia é vivido. Do chão, não resta uma única mancha. Os talheres estão limpos, são cinco colheres pretas e quatro com cabos coloridos.
|
||||
|
||||
Amanhã, serão outras cores. No dia depois daquele, ainda outras. A Rosa do Deserto deve estar respirando aliviada, crescendo suas raízes como quem se alonga depois de ficar apertada em uma caixa.
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||||
|
||||
Como posso não me esquecer de sentir também os nervos dela, e não somente os meus? Logo ao lado, atrás dessa parede, a cada segundo ela coloca toda sua força em beber o Sol, em esticar seus galhos, em abrir-se em flor, mas maior ainda ela estica suas pernas, talvez sinta-se como uma multidão de centopeias, como se tivesse infinitos dedos, buscando no espaço toda direção. Flore e derruba as flores murchas no chão. Nunca foram para a admiração humana. Prossegue e concentra, sem jamais vacilar do seu centro.
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||||
|
||||
Há três pesados sacos de terra onde mais vida poderá ser plantada e nessa manhã nada de muito útil, mas todo o necessário. Eu encontrei vozes que cantavam, e com os pés no molhado, eu abri esse portão com a chave das suas palavras. Deixei que derramasse, até o excesso da ressaca.
|
||||
|
||||
Você saiu para a batalha, eu sei que o seu peito queimava porque sou também tão inflamável. Do lado de dentro da parede fria, um pano cor-de-rosa desliza, mais uma vez, a mesa deposta brilha vazia: espaço ilimitado, seu reino, meu agradecimento.
|
||||
165
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165
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||||
title = "Carimbos"
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date = 2022-09-08
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||||
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||||
<center><em>
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||||
|
||||
vergonha é uma dívida
|
||||
muitas vezes
|
||||
cobrança indevida
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||||
</em></center>
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||||
Quarto Crescente \
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||||
derruba do céu \
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um sorriso \
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||||
deixo contigo \
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||||
finalmente \
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||||
O Tempo passar
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||||
|
||||
um vídeo que nos faça chorar \
|
||||
enquanto parece \
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||||
que até os deuses estão com fome \
|
||||
minha água escorre \
|
||||
por cima da tela \
|
||||
ao menor sinal de empatia
|
||||
|
||||
é tão básico sentir \
|
||||
é tão básico \
|
||||
dar risada
|
||||
|
||||
Lua Cheia \
|
||||
é só a quinta vigília \
|
||||
e ontem o céu já chorava \
|
||||
para mim era eterno mas foi \
|
||||
um único dia
|
||||
|
||||
não estou mais cansada \
|
||||
de virar cinzas \
|
||||
eu as abraço e me decoro \
|
||||
seja incêndio ou comida queimada \
|
||||
seja fracasso ou mais um email dizendo \
|
||||
pelo seu interesse obrigada
|
||||
|
||||
não vou mais correr atrás \
|
||||
do tempo pequeno, da notícia parada \
|
||||
quero ouvir a voz daquela mulher \
|
||||
que para, senta e pensa \
|
||||
que levanta, fala e age \
|
||||
O Tempo, Senhora, e a História \
|
||||
são garras que pousam, \
|
||||
se fincam, \
|
||||
e decolam
|
||||
|
||||
não é, não foi \
|
||||
sobre lógicas passadas \
|
||||
racismo algorítmico \
|
||||
burotransfobias \
|
||||
neurocortadas \
|
||||
colonialidade, epistemicídios, entre \
|
||||
outras palavras \
|
||||
que irritam os ricos
|
||||
|
||||
você lembra? \
|
||||
_rinasce più gloriosa_ \
|
||||
e mais sutil \
|
||||
do que com a autoestima equilibrada \
|
||||
na performance -- da aparência ou do trabalho, eu \
|
||||
me cultivo de novo \
|
||||
me replanto e adubo \
|
||||
eu me transplanto a cada vez \
|
||||
que aqui retorno, é \
|
||||
para meu próprio benefício confesso \
|
||||
preciso gravar \
|
||||
gritar ao anônimo \
|
||||
na ausência dos ecos \
|
||||
_rinasce_ \
|
||||
_più gloriosa_
|
||||
|
||||
ou ainda aquela pergunta, \
|
||||
**"morreria, se lhe fosse vedado escrever?"** \
|
||||
não consigo mais crer \
|
||||
em sentimentos sublimes assim \
|
||||
apego \
|
||||
também é isso \
|
||||
eu vivo \
|
||||
para viver o visível \
|
||||
o corpóreo, o que inspiro respiro transpiro \
|
||||
não me olhe \
|
||||
e veja algo distinto
|
||||
|
||||
<center><em>
|
||||
|
||||
jamais iguais
|
||||
vínculos ancestrais
|
||||
|
||||
</em></center>
|
||||
|
||||
eu disse: veja bem, eu sou _isso_ \
|
||||
mas me respondeu: onde está o laudo e o carimbo? \
|
||||
não há \
|
||||
dinheiro que pague o atrito \
|
||||
de que só com papeis eu existo \
|
||||
será mesmo \
|
||||
que não poderia mexer um dedo antes disso? \
|
||||
me irrito \
|
||||
com seu olhar passivo \
|
||||
esperando a palavra de um médico \
|
||||
patético \
|
||||
com ideias datadas \
|
||||
antes de Cristo
|
||||
|
||||
te esgotam \
|
||||
psicomplacismos \
|
||||
ciências recentes \
|
||||
tabelionatos psíquicos
|
||||
|
||||
eu escrevi naquele dia \
|
||||
outro poema críptico \
|
||||
mas foi segurando nele \
|
||||
que me levantei \
|
||||
e destravei os gatilhos \
|
||||
a água escorreu \
|
||||
lavando a poeira e o mijo \
|
||||
foi \
|
||||
o cheiro do cloro \
|
||||
me lembrou que vivo
|
||||
|
||||
nem sobre \
|
||||
este ou aquele pecado \
|
||||
mas a vontade eterna \
|
||||
de doar só a metade \
|
||||
de anular e esquecer \
|
||||
ter pavor de assumir \
|
||||
seu próprio legado
|
||||
|
||||
<center><em>
|
||||
|
||||
dar
|
||||
importância excessiva
|
||||
paralisa
|
||||
|
||||
</em></center>
|
||||
|
||||
essa \
|
||||
é a minha análise \
|
||||
pela parede as formigas \
|
||||
se trombam e se ajudam \
|
||||
se conversam se encontram \
|
||||
profundamente caladas \
|
||||
mesmo se forem pisadas \
|
||||
caminham sem nem \
|
||||
um segundo de luto
|
||||
|
||||
requento \
|
||||
o café mais um dia \
|
||||
me alimento \
|
||||
como uma criança sozinha \
|
||||
e são \
|
||||
treze horas de novo \
|
||||
é hora de renascer \
|
||||
mais uma vez \
|
||||
retorno \
|
||||
eterno \
|
||||
retorno
|
||||
11
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11
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@ -0,0 +1,11 @@
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+++
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||||
date = 2022-09-11
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||||
+++
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||||
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||||
<em>
|
||||
|
||||
poder
|
||||
o calor de um sol
|
||||
batendo nas paredes de sabão
|
||||
|
||||
</em>
|
||||
16
content/poesia/2022-09-20.md
Normal file
16
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|
|
@ -0,0 +1,16 @@
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|||
+++
|
||||
date = 2022-09-20
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+++
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||||
|
||||

|
||||
|
||||
<center>
|
||||
|
||||
cozinha
|
||||
com ervas daninhas
|
||||
|
||||
eu respiro
|
||||
e ofereço
|
||||
a minha paciência rachada
|
||||
|
||||
</center>
|
||||
27
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27
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|
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@ -0,0 +1,27 @@
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+++
|
||||
date = 2022-09-28
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||||
+++
|
||||
|
||||
<em>
|
||||
|
||||
o espaço seguro
|
||||
era um labirinto
|
||||
no escuro
|
||||
espelhos são só paredes
|
||||
vidros
|
||||
não deixam passar nem o cheiro
|
||||
não era
|
||||
sobre identidade coletiva
|
||||
não era
|
||||
sobre pureza política
|
||||
o processo
|
||||
lento
|
||||
continuou sem deságue
|
||||
riscando traços
|
||||
abrindo buracos
|
||||
invisto na queda do muro
|
||||
politburo, realpolitik
|
||||
psiquiarcado...
|
||||
demagogi
|
||||
|
||||
</em>
|
||||
21
content/poesia/2022-10-17.md
Normal file
21
content/poesia/2022-10-17.md
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|
|
@ -0,0 +1,21 @@
|
|||
+++
|
||||
date = 2022-10-17
|
||||
+++
|
||||
|
||||
será
|
||||
que era o momento?
|
||||
o brilho dos meus olhos
|
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aos poucos
|
||||
se metamorfazia
|
||||
e eu ria
|
||||
às vezes de pânico
|
||||
às vezes de euforia
|
||||
a lista de compras
|
||||
é muito mais comprida
|
||||
do que vinte linhas
|
||||
e o dia
|
||||
tem só a metade das horas
|
||||
quando a casa não está limpa
|
||||
segunda
|
||||
rituais de ressureição
|
||||
transpiram a cozinha
|
||||
17
content/poesia/2022-11-15.md
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17
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|
|
@ -0,0 +1,17 @@
|
|||
+++
|
||||
date = 2022-11-15
|
||||
+++
|
||||
|
||||
na madrugada, os sonhos eram sobre não dar tanta importância. o meu nome, os meus olhos, o transbordo da morte: tudo isso. a voz que falava não era divina, nem tinha nada de sagrado. era só criatividade, só intuição humana, mundana e imperfeita.
|
||||
|
||||
a imagem, deslizando por um fio no rastro fino da mente, seu fluxo próprio -- não pude ver direito. reinventava formas de ser escrita, ser prosa, ser poesia. era gesso, estilhaçado.
|
||||
|
||||
<em>
|
||||
|
||||
morta a flor da nostalgia
|
||||
teus incêndios
|
||||
meu coração envenenado
|
||||
escorrendo
|
||||
junto à espuma pela pia
|
||||
|
||||
</em>
|
||||
94
content/poesia/2022-12-28.md
Normal file
94
content/poesia/2022-12-28.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,94 @@
|
|||
+++
|
||||
date = 2022-12-28
|
||||
+++
|
||||
|
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não vou carregar
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meu ser
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não vou tentar consertar
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remoer
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linha nenhuma
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ligando esta morte e a próxima
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só
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deixar morrer
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cada novo nascimento
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sem chorar
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só navegar no tempo
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sem medo
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do apego
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de pisar formigas
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esmagar baratas
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escondidas
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atrás da pia
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a ânsia de sair de casa
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comprar
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abobrinhas com
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agorafobia
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a única continuidade
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está
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entre essa e aquela poesia
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os riscos
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me lembram
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de viver sem alma
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lembrando do que resta
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abstrato, concreto,
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sem essências
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só o que importa
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por pura necessidade
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um coração
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aflito
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não precisa ser limpo
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nem puro nem ungido
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para abrir
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não precisa ser curado pode ser
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tratado
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não poderá talvez ser
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ressignificado precisará
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desaprender
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não poderá talvez ser
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transformado precisará
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desencontrar
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o começo
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o lugar onde falava
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sério
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foi o que buscou e evitou todo o percurso
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era da onde
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queria fugir a todo custo
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e onde
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desejou chegar com toda sua força
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o lugar
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onde deitar
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e saciar a fome
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onde sentir
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comunicação
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escuta
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compreensão
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reconhecimento
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o espaço
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onde tivesse seu próprio ritmo
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onde desse as mãos ao Tempo
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o lugar... paraíso
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neste mundo, esta vida
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onde
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essas palavras foram lidas
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e digeridas
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sem o propósito
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de fazer crítica
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de avaliar
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qualquer julgamento
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tecer só
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teias
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transparentes linhas onde pudesse ser
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acolhida
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da sua queda
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livre
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não borboleta --
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traça
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dentro de livros e roupas velhas
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um longo inverno neste casulo
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surtiu efeitos
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194
content/poesia/30-dias-inteira.md
Normal file
194
content/poesia/30-dias-inteira.md
Normal file
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@ -0,0 +1,194 @@
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title = "30 dias inteira"
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date = 2022-05-27
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abra
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a aba
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dentro da pasta
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palavras guardadas
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teriam
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dia
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gnose
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são
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ideias que já
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chegam passadas
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como
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uvas enrugadas
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o poema
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e a estátua
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não tenho tempo
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ou dinheiro
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para pagar médicos
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patéticos
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é completamente
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patético
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dar dinheiro a médicos
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como pode
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tornar em indústria
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o cuidado do corpo
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é indigno
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de pena
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digno
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de derramar ainda mais lágrimas
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só dá pra
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chorar
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por saber que é caro ter vida
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é caro ter onde
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pisar
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dormir a vigília
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é caro
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caríssimo
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sentar pra ouvir
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um professor abusivo
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é caro
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e está ficando
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cada vez mais caro
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ao contrário
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cacs pululam
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pela artéria rondon
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onde passam também
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transfobias gringas
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chegam
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ciberneticamente
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injetada
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corroi até o íntimo
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refaz
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percepções
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transforma
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corpos dissidentes
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em conteúdo
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em recurso
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em assim-chamados
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engajamentos
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atentos
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os corpos não eram
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desde o começo não eram
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passivos
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se não talvez por desejo mas
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jamais
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inativos
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intentos
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estão olhando e codando de volta
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retorno
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olho o olho
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no espelho está roxo
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beijos por cima
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dos vasos quebrados
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doem
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doem memórias do quanto não podem
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as pontes entre as tantas maneiras
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não há uma só vida
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não há uma única linha
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a história
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era desde a sua primeira glória
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feito rizoma
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para além da rodovia
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das estradas abertas ladeadas de cana
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havia
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desde muito antes desse antes
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raízes para todos os lados
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água descendo e subindo
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um corpo muito
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muito bem hidratado
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cada memória
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vive em mim
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cada memória
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||||
retorna para sempre
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em mim
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||||
cada memória
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se rememora
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daqui
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para frente e para trás
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eu respiro memórias
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e expiro esquecimento
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é um deságue
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morrer de novo
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por dentro
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estou para fora
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sou a desordem ouvindo
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que não é essa a hora
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estou poesia
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porque para ser emprego para ser turbina
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querem laudos e papeis com tintas medicinas psiquiatrias essas rimas
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assim
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chatíssimas
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fui
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fogo
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fui fumaça
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na serra descendo
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na catarata
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esse ritmo
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não quer dizer nada
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imperfeita flor que cresce no mato
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não precisa ser aguada
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não era
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desde o começo
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sobre seu próprio nome
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já estava escrito
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em tudo
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manter viva
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manter-se viva
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manter viva a memória
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de que não éramos menos
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nem tínhamos limite
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não éramos instrumento
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nem objeto nem barreira
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sem fronteira
|
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sem
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nada a ser perdoado
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eu me lembro
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e me esqueço
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dores eu choro
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e alegrias escrevo
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me lembro eu
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me esqueço
|
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não me carrego
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me deixo
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é muito doído
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lembrar o tempo inteiro
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ouvi até que
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não era para falar nada
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se fosse ser diagnosticada
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é para chorar ou dar risada
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da linha riscada
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puro incêndio pura fumaça
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ciência importada
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jovem e ingênua
|
||||
sabe de nada
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seu marco inicial
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||||
uma poeira soprada
|
||||
|
||||
fui
|
||||
caminhando
|
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abrindo espaço
|
||||
um canto
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enchi de papeis
|
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de grafite e borracha fiz
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presilhas metálicas seguravam o maço
|
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fiz
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cachoeiras despencarem do que era só um pedaço fiz
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incontáveis erros raros acertos
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fiz
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sublimar dores e riscos em risos descontrolados mas
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quando foi que estive sozinha?
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se suas palavras
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sim suas
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estavam todo o tempo chegando pela linha
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essa mesma
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dependurada entre nós
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pelos lados de cada via
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pelo poste
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passaram os bytes carregando tudo que você dizia
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obrigada
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pelas suas palavras eu estou
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até agora e para sempre
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dada à sintonia
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reescrita
|
||||
escrita de forma,
|
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leitura cursiva
|
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129
content/poesia/carnaval-continuado.md
Normal file
129
content/poesia/carnaval-continuado.md
Normal file
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|
@ -0,0 +1,129 @@
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+++
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||||
title = "Carnaval, continuado"
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||||
date = 2022-12-04
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+++
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a crise é do sensível
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o vulnerável
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foi proibido e hoje
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sentir é um desperdício
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como os besouros
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de pernas no ar eu me pergunto
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se é porque o chão é plano demais
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se jamais esperava
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não ter onde agarrar
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impacto
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implícito...
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sentir tornou-se risível
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e os mitos
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esconderam-se
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na casca de um desejo agressivo
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o amor
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reprimido
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tornou-se transfóbica
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capacitista
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polícia — desperdício
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da sua vontade de vida
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|
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para não me encontrar
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na sua esquina
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para não ter que ouvir
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nem falar
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me refez
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em um espantalho agressivo
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sempre algoz
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sempre vírus
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derrubar
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o monolito
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pelo menos com esse poder divino: o criativo
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imaginar
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e não só discutir o que já foi dito
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nem anjo
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nem demônio
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ser humano
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tão distante
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da sua imaginação zuckerida
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20 linhas, um martírio
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tentando digerir algoritmos
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eterna colônia
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bandeira em chamas
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na Lua ou em Marte
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||||
dias finitos
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sonhando independências
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que não foram dadas por príncipes
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no vento a bandeira parada
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não sento, não medito
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é de pé que me pergunto
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quão raso é meu carinho
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e o pulso da Terra ainda bate
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na trava
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tentando digerir circuitos
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ainda que lógicos, cíclicos
|
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onde me repito
|
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presa no tubo de uma fibra de vidro
|
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meus olhos ainda são os mesmos
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no dia de hoje ainda estão vivos
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confuso discurso onde neurodivirjo
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dissido
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na letra de um médico
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na bula de um livro
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quem disse que acabaram os anos de chumbo
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era só o inverno
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triste plantio
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nasceram
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rosas de Hiroshima
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equilíbrio
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dopamínico
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passo no crédito
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a serotonina
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20 linhas jamais caberia
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minha vontade de ver estas paredes
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autogeridas
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como um parto por mãos amigas
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20 linhas
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bandeira preta
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outra nostalgia
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ouvi
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que falar era um traço alístico
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se quiser eu repito
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não nasci para ser
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o bode dos seus sacrifícios
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palavra é poder
|
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fé
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inabalada
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não precisa de inocências,
|
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não precisa de demônios,
|
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não precisa de nenhuma alma
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para ser culpada
|
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eu mesma assumo e sublimo
|
||||
a história de redenção
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já tinha sido contada
|
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respiro
|
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água filtrada
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supera
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verdade e imaginação
|
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vou rebobinar a fita
|
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para ser devolvida
|
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|
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espera
|
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guarde e remita
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eu já fui,
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já voltei
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os lacres estão abertos
|
||||
pouco a pouco
|
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estou sarando a ferida
|
||||
46
content/poesia/kalanchoe-prolifera.md
Normal file
46
content/poesia/kalanchoe-prolifera.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,46 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "Kalanchoe, Prolifera"
|
||||
date = 2022-12-09
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+++
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aranhas tecem
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sobre a minha cabeça vejo
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as geografias
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da ânsia e do medo
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conto
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novas histórias, cresço
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decanto memórias são como
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o pequeno ponto perdido
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no fundo do filtro em que
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bebo
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segundos são horas e o enredo
|
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está se desdobrando nos dias
|
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o tempo de papel onde queimo
|
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lembranças gravadas no seio
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vi
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brotarem de novo e de novo
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no isopor da marmita
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drenada no trinco da xícara
|
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do pote de sorvete
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de amaciante
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Planta da Vida Eterna
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será
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essa vida grande
|
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se puder cuidar
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da minha-sua necessidade
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sem reputação a zelar
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sem nada a defender
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no olho do furacão
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pedras voam e afundam
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a água só gira
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não sou água
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não sou pedra
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não sou a autora
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o dedo contra a tecla
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só a poesia
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nasço
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vivo
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morro assim que lida
|
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|
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@ -1,9 +1,7 @@
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---
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||||
title: "Ranço"
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||||
date: 2021-03-07
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categories:
|
||||
- "poetica"
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---
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+++
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||||
title = "Ranço"
|
||||
date = 2021-03-07
|
||||
+++
|
||||
|
||||
Ranço eu também tenho
|
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da máscara
|
||||
|
|
|
|||
81
content/poesia/reciclagens.md
Normal file
81
content/poesia/reciclagens.md
Normal file
|
|
@ -0,0 +1,81 @@
|
|||
+++
|
||||
title = "Reciclagens"
|
||||
date = 2022-06-13
|
||||
+++
|
||||
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||||
<center><em>
|
||||
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pela sua identidade
|
||||
matriz multiplicada
|
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resta apenas
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uma diagonal recortada
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||||
</em></center>
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As primeiras ressacas ainda eram leves, quase não faziam nada no meu corpo. Depois foi crescendo cada vez mais a força sugante não do Tempo, esquecido e alinear, abinário, mas da força motora de um relógio seco, de tudo neste mundo separado.
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||||
|
||||
Este pequeno tempo era uma partícula morta girando sem destino no raio de um átomo de césio.
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||||
|
||||
Que adianta ter teorias para falar sobre, se este tempo é ser desperdiçado?
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||||
|
||||
Do que adianta falar sobre para uma plateia que não se vê em guerra, para a qual todo tempo está parado?
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||||
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||||
Escrever foi antes sobre encontrar um ponto onde amarrar uma linha. Mas no mundo concreto, não há linhas.
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||||
|
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Escrever foi antes sobre pensar, ou dialogar, ainda que consigo. Mas no mundo concreto não há diálogo possível, apenas performance, apenas a identidade como algo repetido.
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|
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Fico feliz pela sua alegria.
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||||
O Tempo não acompanha essa mesma via onde andam os carros. Ela não segue raciocínios. Tanto não acompanha que coisas como vias e carros, apesar de existirem, dependem de recursos insustentáveis. A que tempo pertencem? Não podem pertencer a este mesmo tempo, que vai continuar depois delas, apenas a uma ideação de que essa experiência é passageira, que este planeta é descartável pois há outros para serem explorados.
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||||
<center> <em>
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imaginação desperdiçada:
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alta performance --
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entre impérios doentes
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||||
relações cortadas
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</em></center>
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É nessa hora que seus olhos reviram, que minha voz se distancia no vácuo, como um fantasma.
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||||
Assim descortina como o Estado depende das catedrais onde tecnocratas lavam suas mãos. Sistemas de crenças desde há muito tempo programados para monitorar e modelar o pensamento.
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||||
O que é a saúde e a doença, que gêneros existem, quem pode habitar qual território. Quando líderes se empolgam demais, mostram como o Estado pode ser usado para praticamente qualquer coisa. É apenas um ritual, um rito de legitimação. Pode ser histórico, pode ser mortal, e pode também ter fim.
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|
||||
É impossível não falar sobre o conflito. Posicionar-se sempre de forma cortês, não tocar em assuntos _delicados._ Seguir em frente, palavras medidas, contente e autocensurada, trabalhando e estudando para ser cada vez mais eficiente em ajudar a acelerar os sonhos de gringos e seus agregados. Eu ouço uma voz dizer que é possível, mas ela vem de um lugar tão neutro que até seu vômito radicalesco é bem visto como limpo, cheiroso e digno de não ser banido.
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|
||||
A posição chamada _adulta_ é uma onde reprimimos tudo e apenas fazemos todo o necessário para sobreviver. Tudo fica guardado para a confidência de alguém que nunca está lá para te ouvir e quando está tem muito para fazer além de te escutar e acolher.
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||||
Na esteira desse tempo, não há afago, carinho, abraço. Pessoas sensíveis e vulneráveis tomam muito tempo, deveriam deixar de ser assim, deveriam crescer, é isso? São como... crianças, como... gente dependente... são... inúteis! Era essa a palavra. O útil, eficaz e consistente também, sem se esquecer de sorrir e passar uma energia boa para não deixar ninguém desconfortável.
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Desconfortável.
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||||
Corta para um outro tempo. Meu rosto é como uma poça d'água e meu rosto é um vulcão que a cada aleatório minuto acorda e dispara, sem pêndulo, sem volta cronometrada. Eu não sou flor atóxica, asas de fada, o esforço em ser uma _boa pessoa_... com uma faca bem amolada.
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|
||||
Pouco cuidado se teve com este nome, fizeram dele tudo que quiseram. Poetisas me ensinaram a não persistir em ser vítima de nada, nem ter medo do poder. De fazer o poder, de usar ele para revigorar quando de novo é a hora de ser reciclada. É ao mesmo tempo curta e longa a estrada. Em um planeta que pousamos, havia gente que não se afirmava, nem sequer essa peneira usava, e perguntaram para que serve essa casca.
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Nada mais perfeito do que errar horrivelmente. Mas o Tempo... não é essa pressão de culpa e vergonha. O Tempo só se repara no vácuo depois da explosão. Ele é a água, e a minha língua quando a sente também vira água. Às vezes meu peito pensa na morte e chora... e às vezes se pergunta como viver agora, sem temer o desperdício. Meu pensamento é um ciclo, ele se repete, repete, repete...
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Não há tempo para perseguir laudos, não há tempo para hidratar meus poros e reduzir o frizz, não há tempo para fazer a curva da sobrancelha alinhar-se com meu nariz não há tempo para saber como convencer alguém na próxima entrevista de que tenho lugar no seu plano escasso de exploração não há... tempo nem para lamentar-se.
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||||
Eu escrevi essas palavras e não há tempo para deixá-las mais interessantes. Ainda assim, já teria imensa, plena felicidade, se elas te fizessem se sentir um pouco mais aberta, que sua corpa se amolecesse por uma fração deste Tempo grande, e tudo tivesse valido a pena.
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||||
E você soubesse, ali onde nos encontramos: _"nada pode ser consertado"._
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|
||||
Este Tempo, me ensinaram, este Tempo, memória viva e memória passada, neste Tempo, não há como se arrepender de nada, tudo segue a direção -- imparável, imbatível -- de ser _retransformado_. É inevitável que te desfaçam, é inevitável a derrota. Deste chão inevitável é que brotam poemas e plantas, é nele que nascem suculentas e flores de morango, é nele que se refletem águas e nuvens, é nele que crescem tuberosas e espadas.
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||||
Não há para onde ir, só mesmo ser morte e ser renascimento.
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_Eu soquei essas palavras num pilão, e seu cheiro encheu ardendo toda minha sala. Eu servi essas palavras nas suas mãos, e águas quentes escorreram sobre ervas escaldadas. Eu embrulhei a xícara em um pano manchado de açafrão, e o vapor nublou a lente que os meus olhos enquadra._
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願わく は 此の 功徳 を 以て \
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**普く 一切 に 及ぼし** \
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我等 と 衆生 と 皆 共 に \
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仏道 を 成ぜん こと を
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