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Juno Takano 2025-09-21 00:28:08 -03:00
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date = 2017-07-27
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só um corpo sem nome
feito de barro e pedras azuis
nadando afoito no oceano
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só um corpo sem nome
feito de barro
e pedras azuis
nadando afoito no oceano

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@ -0,0 +1,33 @@
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date = 2018-03-03
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eu
que desta palavra eu
já não mais conheço nada
nem o avesso ou o verso
que decidi esquecer
meus nomes do meio
que já não sei mais vestir jeans
mas que não caibo sem dores
nestes quimonos azuis
que me preciso carregar aos açudes do mundo
que tenho que decidir
entre três onze e doze
eu
que vou chorar indo ou ficando
de quem não sei mais o que sobrei
que nasci sem chorar nem gritar nem nada
que olho as bandeiras e vejo desenhos
eu
neste corpo de fibras abertas e finas
que mora no rio, debaixo da escada
me morda
até que derreta em cordas fracas
e escorra
com vontades e dores sem riscos de facas
sem nada no mundo que emudeça meus pés
seus latidos
minhas lágrimas
meus amores...

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date = 2018-03-09
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carregada à deriva
os sete lados da terra
sonhei
subi a montanha
não achei
quadros
nos museus
não achei
na grama
filmes de guerra
flores
na casa não achei
saudades, mãos serenas
nos meus olhos
culpa ou perdão
não achei
na vala
Deus
não achei
rosários e quimonos
no frio e na ordem
balas de ferro
não achei
deitei minha vida ao lado
e calcei estas sandálias de fio
andei até aqui sem nada para ver ou beber
nem uma gota d'água
por que me esmaguei
tão insistentemente
se meu peito ia voltar-se
sempre
à mesma criança
que sempre aqui viveu?
d'Ele
sobraram as cinzas
o ódio
e a doçura
abre meu rosto ao meio
e por dentro da máscara fria
escreve teu nome de novo
como um suspiro
num horizonte esfumado
de pura nuvem
que não se vê
que não se toca

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@ -0,0 +1,22 @@
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date = 2018-03-20
+++
nua
a pedra da rua
descansa
inflama
minha febre num teso
acende
de frio
esquartejo
um sorriso no meio
eu vejo
nua
a pedra da rua
descansa

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@ -0,0 +1,7 @@
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date = 2018-03-24
+++
no altar cheio de poeira
o Meu Nome está escrito
em todas as coisas

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@ -0,0 +1,23 @@
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date = 2018-07-12
+++
está tudo pronto de novo
há algo pra beber?
provocações
na mesa da sala sente
por favor
tenho
tudo quebrado
há pedaços
provocações
ao lado
por todo lado
pequenos cacos
e a cereja
brilhante no topo
estrela
alguém indo embora
na surdina
feito um feixe de
provocações

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@ -0,0 +1,15 @@
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date = 2018-07-29
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![Foto de uma folha de caderno com uma poesia manuscrita com o texto que segue esta imagem. Na foto, a palavra "mergulho" tem antes dela a palavra "fundo" riscada.](/images/wp-1532847990956.jpg)
o ciclope na montanha
nomes de Deus
minha nudez no quarto escuro
mergulho no mar aberto
nada para mostrar
mais nada para dizer
tateio no escuro
um braço de Kannon

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@ -0,0 +1,34 @@
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title = "Vapor Mestiço"
date = 2018-08-29
+++
para o cético, só uma esteta fazendo linhas de cor
para o teórico, uma mística copérnica na paisagem
para o inocente, a mestre de hipnose dizendo mentiras
para o idealista, a vibrante tendência fascista
para o herege, um querubim na mais alta falange
para o artista, Narciso esculpindo a si mesmo
para o purista, a criança matando formigas
para o espectador, só alguém na poltrona do lado
para o curioso, a assassina e o assassinado
para o parente, cada síndrome do livro didático
para o amante, rochas raras na areia da Barra
para o poeta, só uma boca que não fica calada
para o cristão, o rio descendo ao contrário
para o impulsivo, o aviso na lateral do cigarro
para o homem, a bicha tremendo na fila do CAPS
para o monge, o gás chiando nas bombas do Estado
para o menino, o coelho procurando o buraco
para o profeta, o amor insistente nos vinte
para o crítico, a ironia sutil do palhaço
para o adulto, gloriosa em busca de glória
para o pragmata, o próprio sonho da ordem
para o incendiário, a velha a caminho da igreja
para o predador, a ovelha desgarrada no pasto
para o magnata, a menina brincando de espada

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@ -0,0 +1,6 @@
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date = 2018-08-30
+++
vamos filmar
esse filme

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@ -0,0 +1,64 @@
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date = 2018-11-01
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a chuva rara
na ladeira de pedra
já são quatro horas
no ritmo
aflito
dias de sol
caveiras de açúcar
e as horas
mas já não são chuvas raras
na pedra
disforme
da pele
do morro
porta adentro
na terra do quintal
a pedra seca
desponta
esfarela
o morro e as mangueiras nas mãos
o vermelho goteja
de fruta no seu dorso
da casa os meus olhos
são como madeira
sem verniz
sem tintura
disparam para o céu
recôncavo
na grama rasteira
sou a formiga e o formigueiro
ninguém de novo
entre o falo e a faca
quisera
a cruz e a espada
com a clareza da história
sou eu de novo —
como um fantasma
vertebrado por acaso
olhos no prêmio
memórias de mitos
encartes em chamas
na minha virilha vazia
ralas lembranças
natais em família
teria já
deixado este mundo?
de novo
no rastro fácil da cobra
o vício me fecunda
e desova
são dobras curvas e fracas
no cimento impreciso
sob o falso piso de ardósia

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@ -1,7 +0,0 @@
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date = 2018-03-03
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eu que desta palavra eu já não mais conheço nada nem o avesso ou o verso que decidi esquecer meus nomes do meio que já não sei mais vestir jeans mas que não caibo sem dores nestes quimonos azuis que me preciso carregar aos açudes do mundo que tenho que decidir entre três onze e doze eu que vou chorar indo ou ficando de quem não sei mais o que sobrei que nasci sem chorar nem gritar nem nada que olho as bandeiras e vejo desenhos eu neste corpo de fibras abertas e finas que mora no rio, debaixo da escada
me morda até que derreta em cordas fracas e escorra com vontades e dores sem riscos de facas sem nada no mundo que emudeça meus pés seus latidos minhas lágrimas meus amores...

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@ -1,11 +0,0 @@
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date = 2018-03-09
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carregado à deriva os sete lados da terra sonhei subi a montanha não achei quadros nos museus não achei na grama filmes de guerra flores na casa não achei saudades, mãos serenas nos meus olhos culpa ou perdão não achei na vala Deus não achei rosários e quimonos no frio e na ordem balas de ferro não achei
deitei minha vida ao lado e calcei estas sandálias de fio andei até aqui sem nada para ver ou beber nem uma gota d'água por que me esmaguei tão insistentemente se meu peito ia voltar-se sempre à mesma criança que sempre aqui viveu?
d'Ele sobraram as cinzas o ódio e a doçura
abre meu rosto ao meio e por dentro da máscara fria escreve teu nome de novo como um suspiro num horizonte esfumado de pura nuvem que não se vê que não se toca

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@ -1,15 +0,0 @@
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date = 2018-03-20
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nua a pedra da rua descansa
inflama minha febre num teso acende
de frio esquartejo um sorriso no meio
eu vejo
nua
a pedra da rua descansa

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@ -1,5 +0,0 @@
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date = 2018-03-24
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no altar cheio de poeira o Meu Nome está escrito em todas as coisas

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@ -1,5 +0,0 @@
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date = 2018-07-12
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_está tudo pronto de novo há algo pra beber?_ _provocações na mesa da sala sente por favor tenho tudo quebrado há pedaços provocações ao lado por todo lado pequenos cacos e a cereja brilhante no topo estrela alguém indo embora na surdina feito um feixe de provocações_

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@ -2,4 +2,7 @@
date = 2018-07-28
+++
vênus sobre uma árvore campo de bois olhos titânicos na janela do carro
vênus sobre uma árvore
campo de bois
olhos titânicos
na janela do carro

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@ -1,5 +0,0 @@
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date = 2018-07-29
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![](images/wp-1532847990956.jpg)

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@ -1,16 +0,0 @@
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title = "Vapor Mestiço"
date = 2018-08-29
+++
para o cético, só uma esteta fazendo linhas de cor para o teórico, uma mística copérnica na paisagem para o inocente, a mestre de hipnose dizendo mentiras para o idealista, a vibrante tendência fascista
para o herege, um querubim na mais alta falange para o artista, Narciso esculpindo a si mesmo para o purista, a criança matando formigas para o espectador, só alguém na poltrona do lado
para o curioso, a assassina e o assassinado para o parente, cada síndrome do livro didático para o amante, rochas raras na areia da Barra para o poeta, só uma boca que não fica calada
para o cristão, o rio descendo ao contrário para o impulsivo, o aviso na lateral do cigarro para o homem, a bicha tremendo na fila do CAPS para o monge, o gás chiando nas bombas do Estado
para o menino, o coelho procurando o buraco para o profeta, o amor insistente nos vinte para o crítico, a ironia sutil do palhaço para o adulto, gloriosa em busca de glória
para o pragmata, o próprio sonho da ordem para o incendiário, a velha a caminho da igreja para o predador, a ovelha desgarrada no pasto para o magnata, a menina brincando de espada

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@ -1,5 +0,0 @@
+++
date = 2018-08-30
+++
vamos filmar esse filme

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@ -1,21 +0,0 @@
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date = 2018-11-01
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a chuva rara na ladeira de pedra já são quatro horas no ritmo aflito dias de sol caveiras de açúcar e as horas
mas já não são chuvas raras na pedra disforme da pele do morro
porta adentro na terra do quintal a pedra seca desponta esfarela o morro e as mangueiras nas mãos o vermelho goteja de fruta no seu dorso da casa os meus olhos são como madeira sem verniz sem tintura disparam para o céu recôncavo
na grama rasteira sou a formiga e o formigueiro ninguém de novo entre o falo e a faca
quisera a cruz e a espada com a clareza da história
sou eu de novo -- como um fantasma vertebrado por acaso olhos no prêmio memórias de mitos
encartes em chamas na minha virilha vazia ralas lembranças natais em família
teria já deixado este mundo?
de novo no rastro fácil da cobra o vício me fecunda e desova são dobras curvas e fracas no cimento impreciso sob o falso piso de ardósia

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@ -2,10 +2,16 @@
date = 2018-08-09
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a máquina colhendo cana violenta, inevitável
a máquina colhendo cana
violenta, inevitável
e de repente sempre de repente a represa no imenso da ponte contida, imóvel, para a tristeza da Terra
e de repente
sempre de repente
a represa no imenso da ponte
contida, imóvel,
para a tristeza da Terra
garças dormindo na árvore são frutas vestidas de branco
garças dormindo na árvore
são frutas vestidas de branco
(agosto de 2017)

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@ -3,20 +3,40 @@ title = "Colunas"
date = 2018-08-04
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Haimi de repente em agosto
Haimi
de repente em agosto
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viajar para longe de toda certeza todo conselho toda inteligência toda sabedoria viajar para longe de toda certeza todo conselho toda inteligência toda sabedoria
viajar para longe
de toda certeza
todo conselho
toda inteligência
toda sabedoria
viajar para longe
de toda certeza
todo conselho
toda inteligência
toda sabedoria
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velas de aniversário na penteadeira
velas de aniversário
na penteadeira
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vontade de potência livros de Nietzsche fogueira apagada
vontade de potência
livros de Nietzsche
fogueira apagada
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solta no pretume a lâmpada calada notícias de câncer maca no corredor adictos, aflitos vontade de vida ao ponto de morte
solta no pretume
a lâmpada calada
notícias de câncer
maca no corredor
adictos,
aflitos
vontade de vida
ao ponto de morte

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Before

Width:  |  Height:  |  Size: 1.7 MiB

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@ -3,8 +3,12 @@ title = "Tarde de Novembro"
date = 2018-08-09
+++
_burying these rings
I'm like all others
murdered and murderer_
<em>
burying these rings
I'm like all others
murdered and murderer
</em>
(10/2016)

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Binary file not shown.

After

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