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date = 2016-02-28
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a man carrying bags
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walks by my post
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the bags chain him down
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to this curly world
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thin and pale is
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the skeleton’s outdoor
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glasses hang intense
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trying to see God
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one shoulder points upright
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his limbs lowly row
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not for the first time
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crosses me this ghost
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bridges we had burned
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cutting up the flow
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and deeper was the cut
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that made up our souls
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in the river now
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the bridges come and go
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still the same bags
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chain us to this world
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date = 2016-03-29
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por dentro,
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um rio seco escorre
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partido de terras escuras
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com arbustos em folhas e flores
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por dentro,
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num soluço do tempo,
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o rio seco engole.
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no fundo nós sabemos
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quem deposita as pedras
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no chão do nosso estômago —
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sabemos, já descobrimos!
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e ainda assim, nus e com frio,
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descansamos os pés
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dentro do rio,
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este rio seco,
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que por dentro escorre
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sabemos também,
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para onde ele vai
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sabemos os sabores e os tons
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das flores comestíveis
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que nos aguardam
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ainda assim,
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sofremos. nus, e com frio.
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os pés dentro do rio.
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date = 2016-05-19
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viva esta vida
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e morra.
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date = 2016-05-26
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cedo ou tarde
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levamos o lixo
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pra fora
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date = 2016-06-11
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aqui debaixo, os olhos sempre pingam. são puro fel, pura verdade, estão sempre limpos, sem ciscos. sem mistério.
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aqui, entre o começo e o fim, tudo está sempre seco. é assim mesmo, sempre desnudado, à flor de tudo. como uma mão desluvada no inverno -- dura, aflita, translúcida.
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aqui, depois que os sonhos implodiram, fica só a sensação do pó, da fumaça. fica este ar que nem se respira, nem falta. é como viver, e sempre tinha sido.
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como é a praia antes de chegarmos? as ondas já batiam, se enrolavam, espumavam, e iam. assim nós as esperamos, mas elas nunca vinham por nós, ou porque as aguardávamos. também não se importavam se estaríamos lá. contudo, era fatal o nosso encontro. nós íamos e elas nos ofereciam as conchas. você se lembra quando catamos as conchas?
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na Mãe dos Homens, sempre olho os prédios e às vezes vejo Vênus e também a Lua. as sacadas às vezes piscam, às vezes dependuram a bandeira nacional. assim passou também do calor ao frio, como uma presidente, que germina e morre.
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seu rosto tem esse brilho, que às vezes escurece. e junto com ele, todo o resto. é completamente impessoal, e ao mesmo tempo, nada neste mundo tem outra origem que não seja você. o que é que faz o vento soprar as ondas? em Salvador, eu lembro, das pedras.
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aqui é assim. os pombos sempre ciscam no asfalto quando espero o ônibus passar. escolhem com cuidado, mas parecem comer o próprio chão. já não têm tanto medo de gente, e quando voam, voam. vão para cima de um prédio, olham, e descem de novo. só comem e voam, até que morrem. às vezes vejo seu esqueleto cheio de formigas, como uma folha seca da figueira sagrada, de onde o verde escorreu-se todo, deixando só a teia branca das suas veias.
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mais abaixo, sempre esta queimação na barriga. não importa o que se faça ou que se coma, sempre este ardor. teria sempre estado aqui também, ou seria a primeira novidade? queria nunca fazer você chorar.
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mesmo uma única estrela é miséria. às vezes lembro de um rosto largo e redondo, onde cabia um sorriso enorme. é às segundas e quartas, quando atravesso labirintos brancos de luz, entre escadas rolantes e os símbolos da certeza.
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você lembra do mel das abelhas? nem sei se já alguma vez o comemos... às vezes parece que Isadora está vivendo um sonho bucólico, mas acho que não... teria meu pai sonhado com isso também?
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ele disse: _cuidado, felicidade não existe._
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para aquela adolescente, que seria este instante, se não a morte? ela queria saber: Deus existe? não se perguntou mais nada, não via o limite, a linha que embrulhava sua dúvida, nem neste embrulho, o seu reflexo.
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quando rego as plantas, elas crescem. é simples, como verbos modais. mas também é bruto. seu inverso se apresenta claro e nu, limpo de todas as coisas. é exatamente como o relógio, para frente, para trás, _sempre devido ao desejo_...
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date = 2016-06-24
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<em>
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de repente o fogo
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desde tão pequena
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ele me confunde
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</em>
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content/poesia/2016-09-04.md
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date = 2016-09-04
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<em>
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nuvens cor-de-rosa
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mesmo desacreditadas
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flores de morango
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content/poesia/2016-09-08.md
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date = 2016-09-08
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alunos risonhos
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voltam para suas casas
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dura primavera
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mesmo no deserto
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escutam-se sabiás
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um frio na barriga
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vem a primavera
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espero de prontidão.
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o fogo dourado
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olhos na madeira
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sem nenhuma nostalgia.
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noite mal dormida
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depois de rezar
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nestas doze reverências
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escuto seu nome
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content/poesia/2016-10-09.md
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date = 2016-10-09
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eu me lembro
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dos casulos vazios das cigarras no pátio
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depois da mureta azulejada, na casca da árvore
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da cor da sirene presa no topo do pilar azul
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e o barulho dos carros na rua
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como um chocalho, como um mero efeito de som
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de não saber te explicar nada, de nunca tê-lo feito
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dos buracos que ficaram nas paredes
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os parafusos calados, cheios de um profundo tédio
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como se fosse agora, me lembro
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de tudo que se considerou bonito
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e como parecia já não ter mais forma alguma
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de quando nasci, devagar e de repente,
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chorei tanto, lembro-me do teu colo
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também um abraço confuso, onde não se sabia bem o propósito
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da audácia, do relaxamento, lembro-me de escrever de olhos fechados
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de prender o ar e privar com sons esses medos
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o pavor imenso de estar do seu lado
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e como você puxava alguém para tão perto
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como dividíamos a mesma miséria, sem rédea
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e o caderno sempre ao lado como um cachorro
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e aquela música que você ouvia com fome e com raiva
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como uma fascinação sutil, como uma fumaça,
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que se engancha desde os fios mais finos do fundo do estômago
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e nos traz pra cima, feito uma ânsia de vômito
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me lembro da explosão debaixo das árvores
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e de como era frio no meio da rua, como era cinza e branco
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quando atravessávamos as pontes e nos beijávamos
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e corríamos dentro do grito de um medo eufórico, desejoso
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lembro-me dos tapetes coloridos e suas peles de algodão
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do cheiro familiar do quarto, ali mesmo onde me deitava
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de nunca ter podido dizer nada, e ainda assim,
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ter morrido de uma profunda nostalgia.
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content/poesia/2016-10-14.md
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date = 2016-10-14
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content/poesia/2016-10-22.md
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date = 2016-10-22
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tão sensível
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como a carne
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como o rosto de um rio
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e ainda assim
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nada faz mover-se
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contraiu-se
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como um gato no inverno
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sem cheiro
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nem medo nem repulsa
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imóvel,
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bebendo dos venenos do oceano
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com uma tal fome
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imensa, insaciada
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mas calada em jejum
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feito um anel de fumaça
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frágil e lento
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sumindo sem receio
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olha o vento
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e o beija
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sem sonhos
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com doces dores no peito
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barulhos plásticos que comovem
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não mais novela
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não mais tragédia
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nenhuma piedade
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lembro-me de aguardar resignada
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o tombar de uma araucária
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sem nenhuma nostalgia
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um só toque
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e ouço de novo
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tudo o que cantou-se
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cada passo da bailarina
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devagar escorrem os licores
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e por si mesma
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a língua enjoa
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os olhos cantam abertos
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e pela primeira vez
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a verdade escapa pelo portão
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como um cão afoito
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como óleo num funil
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para nunca mais
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assim cresce uma incerteza
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sem água, sem terra, sem amores
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e a dúvida tudo engole
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deixando só esta nudez
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esta fragilidade irrestrita
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este vácuo
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duro e indomável
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de uma vontade imensa
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de deixar
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esse imenso e irrevogável sim
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este sorriso a flutuar
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no olho de uma melancolia
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o broto imbatível
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de uma coragem monstruosa
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sem retas, sem curvas
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pronta a devorar este mundo
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11
content/poesia/2016-11-06.md
Normal file
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content/poesia/2016-11-06.md
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date = 2016-11-06
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Da janela da nau, olhava o escuro como um quadro. Eram só oito horas, mas com o cheiro forte da madrugada. Em cima do horizonte incógnito, uma larga mancha amarela se arrastava. De certo era cana queimando, no seu espetáculo noturno e ilícito. Em baixo, nada decorava o pretume, se não as placas e as árvores enfiadas na terra. O farol da embarcação iluminava a encosta, revelando a terra vermelha e também a grama. Na melancolia da noite, traduziam-se em tons secos de musgo e de barro. Ao longo das horas esta mesma cena se repetia, envelopada num mormaço frio, onde não se sabe como sentir-se, se não num desconforto aflito, de quem quer ir embora mesmo sem entender o motivo. Sem sono, os sonhos se encadeavam contra o vidro.
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De repente, algo de extraordinário brevemente se anuncia. Um campo de luzes inexplicadas, inumeráveis postes amarelados, fortes lanternas penduradas sem motivo. Nenhuma casa, nenhum campo debaixo delas, nem mesmo ruas eu via. Era como se tivessem sido instaladas pelas formigas. Com o movimento da barca, elas dançavam no céu, feito flores de fogo, presas no preto da noite. No fundo, um holofote atirava para cima, mas no princípio parecia uma luz divinal que de repente surge sem nenhuma profecia, perdida nas trevas, para ser vista por poucos. Assim, brevemente me sentia como uma comungante na fila da Eucaristia, que mesmo em dois mil, olha e vê o milagre. Depois de andar ainda mais, também a usina era um espetáculo. Suas estruturas e tubos, todos bem iluminados, sempre pelo mesmo tom quente de amarelo, ao contrário da frieza daquele branco urbano, pareciam um imenso robô que se deitava na noite, respirando fumaças brancas, pacífico até que acordasse com o orvalho molhando sua lata.
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Que se pode esperar da viagem? Saí quando ainda era sol, com a saciedade a embalar um sono promissor. Mas sempre interrompe a secura de uma metade, com sua escuridão e a morte doce ou salgada de seus intervalos. Quem viaja às cinco da tarde? O fim da viagem é viajar novamente, a isto não se escapa.
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||||
Sem nenhuma euforia, olhava a janela e por vezes havia um sorriso. Ainda que essa tristeza tingisse a noite, não podia evitar estar viva. Este viver não é o estar de pé ou o respirar. Foi-me ensinado. É tudo o que basta, e o que precisamos e buscamos, sem sabê-lo. Com ele, mesmo se me engolisse aquele breu desconhecido do lado de fora, num abandono de todo farol e toda lanterna, ainda que houvesse um profundo medo, e nem mesmo aquele milagroso holofote pudesse aliviar o escuro, poderia andar como uma onça, vagarosamente, até o meu ponto final.
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21
content/poesia/2016-11-17.md
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21
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date = 2016-11-17
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<em>
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sem dono nenhum
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um cachorro perambula
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passa a primavera
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</em>
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<em>
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na rua vazia
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piscam luzes de natal
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olho as plantas mortas
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</em>
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12
content/poesia/2016-11-24.md
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12
content/poesia/2016-11-24.md
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date = 2016-11-24
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<em>
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adeus
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a todos os nomes de deus
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e aos meus
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adeus
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</em>
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content/poesia/2016-12-20.md
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30
content/poesia/2016-12-20.md
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date = 2016-12-20
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no gelo
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a rachadura se estica
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pequenos pedaços de tudo
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se espalham
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à deriva os corpos
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soltos e aflitos
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ardendo deslizam
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sem certeza de nada
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na tundra, gritar é ter medo
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só e sem remédio
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sem ninguém que lhe note
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se esquece
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erige a fogueira
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– imensa promessa –
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e a incendeia
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o fogo, o agir,
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num só movimento
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toda neve consome
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e agora,
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olha este mundo em silêncio
|
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e sente.
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23
content/poesia/do-caderno-terapeutico.md
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23
content/poesia/do-caderno-terapeutico.md
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title = "do caderno terapêutico"
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date = 2016-03-06
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||||
o sol nasce no oeste
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profundamente caladas
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as cebolinhas se curvam
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||||
_23 de agosto de 2015_
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||||
os dias morrem como água
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nas feridas destas mãos
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já é quarta-feira!
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||||
_23 de agosto de 2015_
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||||
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||||
atravessando a noite escura
|
||||
o menino semeia nas pedras
|
||||
num único pulso
|
||||
cem milhões de figos
|
||||
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||||
_22 de outubro de 2015_
|
||||
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